Brasil

    Chevron negocia expandir operações na Venezuela, uma possível vitória para Trump

    A Chevron está em negociações avançadas para ampliar significativamente suas operações na Venezuela , e um acordo pode ser anunciado já na próxima semana, segundo pessoas a par das tratativas entre a petrolífera e autoridades venezuelanas. Leia mais (08/29/2026 - 10h43)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 13:43
    Chevron negocia expandir operações na Venezuela, uma possível vitória para Trump
    Placa retangular com o logotipo da Chevron, exibindo duas formas em chevron, uma azul na parte superior e outra vermelha na parte inferior, com o nome 'Chevron' em azul acima das formas. Fundo branco e céu nublado ao fundo. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    A Chevron está em negociações avançadas para ampliar significativamente suas operações na Venezuela , e um acordo pode ser anunciado já na próxima semana, segundo pessoas a par das tratativas entre a petrolífera e autoridades venezuelanas.

    Logotipo da Chevron em posto de gasolina em Houston, Texas (EUA) - RONALDO SCHEMIDT/AFP · RONALDO SCHEMIDT/AFP
    Logotipo da Chevron em posto de gasolina em Houston, Texas (EUA) - RONALDO SCHEMIDT/AFP · RONALDO SCHEMIDT/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Qualquer novo investimento da Chevron —a segunda maior petrolífera dos Estados Unidos e a única com presença expressiva na Venezuela— reforçaria os esforços do país para revitalizar sua debilitada indústria de petróleo e sua economia em dificuldades.

    Um acordo desse tipo também representaria uma vitória importante para o governo Trump, que vem pressionando empresas americanas a assumir um papel maior no setor energético venezuelano desde que forças dos Estados Unidos capturaram o líder do país, Nicolás Maduro , em janeiro.

    As negociações da Chevron sobre novos investimentos na Venezuela foram noticiadas pela primeira vez pelo The Wall Street Journal.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Várias outras petrolíferas dos Estados Unidos também vêm buscando oportunidades no país sul-americano, embora boa parte do que se concretizou até agora neste ano ainda seja preliminar ou de porte relativamente pequeno.

    As negociações ainda podem fracassar. Mas o esforço da Chevron para reforçar sua presença na Venezuela dá continuidade a uma aposta feita pela empresa duas décadas atrás, quando decidiu permanecer no país após o governo mudar as condições sob as quais petrolíferas estrangeiras poderiam operar. Várias outras empresas americanas do setor, entre elas Exxon Mobil e ConocoPhillips, recusaram-se a aceitar as novas condições e deixaram a Venezuela.

    Enquanto grande parte da indústria petrolífera venezuelana mergulhou no caos por causa da corrupção, da má gestão e das sanções dos Estados Unidos, as operações da Chevron se destacaram como um exemplo de estabilidade no país e hoje respondem por cerca de um quarto da produção venezuelana.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As negociações evidenciam a grande transformação em curso no cenário energético da Venezuela, que possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Manter o controle nacional sobre seus recursos naturais moldou a política do país por décadas, e muitos venezuelanos veem o petróleo como um direito de nascença e um pilar da identidade nacional.

    Mas o governo Trump também colocou o petróleo venezuelano no centro de sua campanha para afirmar o domínio energético dos Estados Unidos em todo o Hemisfério Ocidental, onde o aumento da produção ajudou a atenuar a redução do petróleo proveniente do Oriente Médio nos últimos seis meses em razão da guerra com o Irã.

    Líderes americanos anteriores muitas vezes evitavam qualquer sugestão de que obter o controle dos recursos naturais de outro país fosse um objetivo primordial da política militar e externa dos Estados Unidos, receosos da reação internacional.

    Mas o presidente Donald Trump e alguns de seus principais assessores deixaram claro que o petróleo é uma parte importante de sua incursão na Venezuela.

    Mesmo antes de retirar Maduro do poder, autoridades americanas afirmavam sem rodeios que os Estados Unidos haviam criado a indústria petrolífera da Venezuela e que o governo do país havia, na prática, roubado campos de petróleo americanos por meio de nacionalizações.

    Sob pressão dos Estados Unidos, poucas semanas após a captura de Maduro, a Assembleia Nacional da Venezuela aprovou uma reformulação da legislação que rege sua indústria petrolífera, concedendo às empresas estrangeiras maior controle sobre suas operações no país. A medida reverteu grande parte da nacionalização dos projetos de petróleo promovida pela Venezuela em 2007 e abriu caminho para que a Chevron ampliasse sua presença.

    A nacionalização havia sido um dos pilares do chavismo, movimento político criado por Hugo Chávez, antecessor de Maduro, que exerceu o controle sobre a Venezuela até este ano.

    A sucessora de Maduro, Delcy Rodríguez, diante das ameaças dos Estados Unidos de que poderia ter destino semelhante, tem se mostrado muito mais aberta a trabalhar com o governo americano e conversa e se reúne com frequência com altos funcionários do governo Trump.

    Ainda assim, as negociações entre algumas petrolíferas americanas e a estatal venezuelana de petróleo avançam lentamente.

    Bryan Sheffield, sócio-administrador da Formentera Partners, uma pequena produtora de petróleo sediada em Austin, no Texas, afirmou que, por mais atraentes que fossem os recursos da Venezuela, estava perdendo o interesse porque sua empresa enfrentava dificuldades para obter a atenção de autoridades em Caracas, a capital venezuelana.

    "Simplesmente não consigo fazer as coisas avançarem com eles", disse Sheffield, cuja equipe visitou a Venezuela várias vezes nos últimos meses. "O que estamos enfrentando é uma estagnação nas negociações."

    Representantes do Ministério da Comunicação da Venezuela não responderam a um pedido de comentário sobre as declarações de Sheffield.

    Este artigo foi publicado originalmente no The New York Times.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/chevron-negocia-expandir-operacoes-na-venezuela-uma-possivel-vitoria-para-trump.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Logotipo da Chevron em posto de gasolina em Houston, Texas (EUA) - RONALDO SCHEMIDT/AFP · RONALDO SCHEMIDT/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)