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    Chefe do FMI vê economia mundial ameaçada por guerra, IA e dívida pública recorde

    A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, afirmou nesta quarta-feira (7) que a economia mundial está ameaçada pelos preços persistentemente elevados da energia , pela dívida pública recorde e pelos riscos decorrentes do boom de investimentos em inteligência artificial . Leia mais (10/07/2026 - 08h04)

    Folha de S.Paulo
    7 de outubro de 2026 às 11:04
    Chefe do FMI vê economia mundial ameaçada por guerra, IA e dívida pública recorde
    Mulher com jaqueta verde fala em frente a tela azul exibindo gráfico de bolhas vermelhas e texto relacionado ao comércio de hardware de IA da China. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Kristalina Georgieva, afirmou nesta quarta-feira (7) que a economia mundial está ameaçada pelos preços persistentemente elevados da energia , pela dívida pública recorde e pelos riscos decorrentes do boom de investimentos em inteligência artificial .

    Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, discursa em encontro anual da entidade em Singapura - Roslan Rahman/AFP · Roslan Rahman/AFP
    Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, discursa em encontro anual da entidade em Singapura - Roslan Rahman/AFP · Roslan Rahman/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ela indicou que os governos precisam adotar medidas fiscais e monetárias de proteção , afirmando que o mundo está sendo guiado para duas direções: um choque negativo na oferta de energia decorrente dos conflitos no Oriente Médio e um choque positivo de demanda provocado pela inteligência artificial, que também alimenta a inflação.

    "O impacto combinado dessas duas forças é extremamente desigual ao redor do mundo", comentou Georgieva, que apontou que o boom da IA não está chegando a muitos países.

    As novas projeções de crescimento do FMI, que serão divulgadas durante as reuniões marcadas para a próxima semana em Bancoc, mostrarão que as maiores revisões para baixo ocorrerão em economias devastadas pela guerra, disse Georgieva. Entre elas estão a Ucrânia, que sofre danos significativos à infraestrutura civil e econômica, e países do Golfo atingidos por ataques iranianos e por uma forte redução nas exportações de energia.

    Navios-tanques aguardam liberação do tráfego no estreito de Hormuz - Reuters · Reuters
    Navios-tanques aguardam liberação do tráfego no estreito de Hormuz - Reuters · Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em suas observações, Georgieva não indicou se a mais recente edição do relatório Perspectivas da Economia Mundial, do FMI, alteraria a projeção geral de crescimento global para 2026, que estava em 3% em julho.

    Essa previsão, que apontava uma recuperação para um crescimento de 3,4% em 2027, partia do pressuposto de que o estreito de Hormuz começaria a ser reaberto em meados de julho e retornaria às condições anteriores à guerra até março de 2027, mas o local ainda continua bloqueado para tráfego. O último relatório ainda pressupunha que os preços do petróleo ficariam, em média, em US$ 89 por barril em 2026 e US$ 78 por barril em 2027.

    Georgieva afirmou que os preços do petróleo permanecem em US$ 100 por barril, enquanto a capacidade reduzida de refino acrescenta outros US$ 100 por barril em margens de refino, ou "crack spread", para produtos importantes, entre eles o diesel. A chegada do inverno no hemisfério Norte (verão no Brasil) elevará a demanda, mesmo com o fornecimento de gás natural ainda limitado pelas ameaças ao transporte marítimo de GNL (gás natural liquefeito) pelo estreito de Hormuz, declarou a diretora-gerente.

    Dez barcos de pesca tradicionais estão ancorados em mar calmo, distribuídos em diferentes distâncias. Ao fundo, montanhas rochosas se estendem sob céu claro, criando um cenário natural.
    Dez barcos de pesca tradicionais estão ancorados em mar calmo, distribuídos em diferentes distâncias. Ao fundo, montanhas rochosas se estendem sob céu claro, criando um cenário natural. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Mesmo que a guerra no Golfo termine em breve, o problema dos preços elevados da energia provavelmente persistirá por algum tempo", disse Georgieva, acrescentando que os contratos futuros do petróleo Brent apontam para preços altos até 2027.

    Os preços mais elevados da energia estão pressionando para cima a inflação, as taxas básicas de juros e os rendimentos dos títulos de referência, afirmou ela, observando que os rendimentos dos títulos soberanos de dez anos dos Estados Unidos , da Alemanha e do Japão estão agora em seus maiores níveis desde 2007, 2009 e 1996, respectivamente, e continuam subindo.

    Entre as preocupações que serão discutidas pelos 191 países-membros do FMI na próxima semana está o crescente peso da dívida pública, que enfraquece o crescimento e aumenta as pressões inflacionárias, disse Georgieva. Segundo o FMI, a dívida pública está no nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial e deverá superar 100% do PIB antes de 2030.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Georgieva apontou as economias avançadas, lideradas pelos Estados Unidos, como as "piores infratoras" em termos de endividamento, com relações dívida/PIB superiores às dos mercados emergentes e dos países de baixa renda.

    Segundo ela, os formuladores de políticas não podem mais depender apenas de taxas de crescimento mais elevadas para resolver os problemas fiscais.

    "E, ainda assim, não vemos ações decisivas nas economias avançadas altamente endividadas, onde a necessidade do momento são planos confiáveis de consolidação fiscal de médio prazo, apoiados, em alguns casos, por medidas fiscais imediatas, inclusive para aliviar parte da pressão sobre a política monetária", afirmou.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    Após cinco anos e meio de inflação acima da meta, Georgieva disse que as pressões inflacionárias persistem, impulsionadas pela expansão da infraestrutura de IA, pelos choques nos preços da energia e dos alimentos, pelas tarifas, pelo aumento dos gastos com defesa e pelos custos mais elevados do serviço da dívida.

    "Este pode ser um bom momento para uma postura prudentemente mais dura na política monetária de muitos países", comentou Georgieva, acrescentando que os aumentos de juros promovidos pelo Federal Reserve dos Estados Unidos, pelo BCE e pelo Banco do Japão foram "altamente apropriados".

    Em uma conversa informal após o discurso, Georgieva acrescentou que a "tarefa mais importante" da política monetária no ambiente atual é concentrar-se na estabilidade de preços e que os bancos centrais devem comunicar sua determinação em mantê-la.

    "Eles só podem fazer isso quando os bancos centrais são independentes e resistem à pressão que pode vir da área fiscal para aliviar o fardo, basicamente intervindo, comprando dívida e fazendo com que a situação fiscal seja amenizada", afirmou.

    "Eu chamaria isso de caubóis monetários correndo para socorrer os agentes fiscais, e minha mensagem é: por favor, não façam isso."

    Georgieva destacou outros riscos relacionados à IA, setor em que os investimentos como proporção do PIB provavelmente superarão os destinados às ferrovias, às redes elétricas ou à infraestrutura de telecomunicações.

    A crescente concentração econômica e financeira pressiona as empresas de IA a gerar ganhos de produtividade e de lucros que justifiquem suas elevadas avaliações, disse ela, alertando que uma decepção do mercado poderia se transformar em "um choque de amplo alcance".

    A diretora-gerente afirmou, porém, que pesquisas do FMI indicam que a IA, se implementada corretamente, poderia acrescentar meio ponto percentual ao crescimento mundial a cada ano.

    A preparação para a IA é fundamental, afirmou, incluindo salvaguardas regulatórias que "ajudem a administrar os perigos substanciais da IA, entre eles impactos em grande escala no mercado de trabalho, sérios riscos cibernéticos e à estabilidade, além da ameaça de que modelos de fronteira escapem ao controle humano e ajam de forma desenfreada".

    Além de fortalecer as contas públicas, mesmo com elevados custos políticos, Georgieva afirmou que os governos deveriam tomar outras medidas para impulsionar o crescimento, incluindo reformas destinadas a aprimorar as qualificações da força de trabalho, facilitar a abertura e o encerramento de empresas, reforçar a segurança energética e simplificar as regulamentações.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/chefe-do-fmi-ve-economia-mundial-ameacada-por-guerra-ia-e-divida-publica-recorde.shtml.

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    Kristalina Georgieva, diretora-gerente do FMI, discursa em encontro anual da entidade em Singapura - Roslan Rahman/AFP · Roslan Rahman/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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