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    ChatGPT na escola: quando a IA ajuda – e quando prejudica o aprendizado

    Roberto “Pena” Spinelli, especialista em IA pela Universidade de Stanford, analisa o Pisa 2025, que avaliou o impacto da IA nos estudos O post ChatGPT na escola: quando a IA ajuda – e quando prejudica o aprendizado apareceu primeiro em Olhar Digital .

    Olhar Digital
    9 de setembro de 2026 às 13:35
    ChatGPT na escola: quando a IA ajuda – e quando prejudica o aprendizado
    Foto: Olhar Digital

    Pela primeira vez, o Pisa avaliou o impacto da inteligência artificial (IA) nos estudos. A sigla significa Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. É um trabalho feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), órgão que mede o desenvolvimento econômico no mundo.

    Para Roberto “Pena” Spinelli, físico pela USP e especialista em IA pela Universidade de Stanford, deu para notar uma tendência nos resultados do Pisa 2025 , divulgados na terça-feira (08).

    “Os alunos que nunca ou quase nunca usam IA costumam ir melhor do que aqueles que usam pouco. E os alunos que usam muito tendem a ir melhor do que os que usam de forma esporádica”, disse o especialista no programa Olhar Digital News .

    Inteligência artificial
    Inteligência artificial — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Em suma: quem nunca usa vai melhor, quem usa muito vai melhor e quem usa ali no meio vai um pouco pior.

    Para entender a análise do especialista, é preciso, primeiro, destrinchar os resultados da pesquisa.

    Para começar, o Pisa é um trabalho aplicado a cada três anos para medir o conhecimento dos estudantes em leitura, matemática e ciência.

    Pedro Spadoni
    Pedro Spadoni — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O que a edição divulgada neste ano apontou foi: ao menos uma vez por semana, quase metade dos alunos brasileiros (48%) de 15 anos usa chatbots de IA, como o ChatGPT, para estudar.

    Ainda segundo o levantamento, alunos que usam IA com frequência para resumir leituras, fazer pesquisas preliminares ou redigir redações obtêm, em média, 20 pontos a menos em ciências do que os que não usam a tecnologia.

    Pela métrica da OCDE, essa diferença equivale a perder um ano inteiro de escolaridade em relação aos seus colegas. Mas, segundo Pena, existem outros tipos de uso frequente que podem ser bons para o aprendizado.

    Comparação entre Brasil e a média da OCDE quando o assunto é uso de IA por estudantes – Gráfico gerado com IA. ChatGPT/Olhar Digital
    Comparação entre Brasil e a média da OCDE quando o assunto é uso de IA por estudantes – Gráfico gerado com IA. ChatGPT/Olhar Digital — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Vamos separar a análise do especialista sobre os resultados do Pisa 2025 em partes. A primeira: os alunos que dizem nunca usar IA. Esses não usam atalhos. “Eles vão ter que utilizar o seu próprio senso crítico, sua própria memorização, vão ter que pôr o seu cérebro realmente para exercitar, e acabam tendo um bom desempenho por justamente não estarem delegando nada para a IA”, disse Spinelli. “O aluno que nunca usa tem que fazer o trabalho escolar, vai ter que se debruçar e fazer a pesquisa por conta própria.”

    A segunda parte: os alunos que dizem usar muito a IA. Para o especialista, esses podem estar usando a tecnologia como uma espécie de tutor. “Aquele tutor personalizado que vai tirar muitas dúvidas que muitas vezes o aluno precisaria esperar o professor estar ali na sua frente – e às vezes o aluno tem vergonha de perguntar”, disse Pena.

    “A IA vai poder ensinar de outras maneiras, talvez melhores do que o jeito que a escola ensina”, acrescentou o especialista. “Então, o aluno passa a ter esse tutor personalizado. Isso poderia justificar a melhora no desempenho.”

    Usar muito a IA nos estudos pode ser bom – depende de como o aluno usa a tecnologia – Imagem: BongkarnGraphic/Shutterstock
    Usar muito a IA nos estudos pode ser bom – depende de como o aluno usa a tecnologia – Imagem: BongkarnGraphic/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    A terceira parte: os alunos que dizem usar a IA de maneira esporádica. Para Pena, esses podem estar fazendo “o pior uso” da tecnologia. “Talvez o aluno fale ‘faça o trabalho escolar para mim, escreva para mim”. E às vezes nem revisa”, disse o especialista.

    Para Spinelli, este pode ser o tipo de aluno que “delega para a IA o seu pensamento, não aprende nada de verdade e aí chega na prova e vai pior”.

    Aqueles que nunca usam ainda mantêm a necessidade de exercitar o cérebro ao máximo, sem delegar nada para a IA, pensando por conta própria. Já aquele que usa muito pode estar aproveitando o benefício de ter um tutor personalizado, um jeito novo de aprender e uma tecnologia mais rápida para fazer conexões.

    Fazer pesquisa preliminar numa IA pode ser bom para aprendizado – Imagem: Nwz/Shutterstock
    Fazer pesquisa preliminar numa IA pode ser bom para aprendizado – Imagem: Nwz/Shutterstock — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    O uso de IA por estudantes brasileiros ficou significativamente acima em duas “categorias” importantes: ajudar a aprender e fazer pesquisa preliminar sobre um novo tema. O segundo teve a maior margem de diferença (para cima). A média do Brasil foi 40%. A da OCDE, 31%.

    Fazer pesquisa preliminar significa “dar um Google” num chatbot, ao invés de num buscador. Assim, o ponto de partida (ou a pesquisa toda, dependendo da situação) é a resposta da IA, não uma lista de links para o aluno acessar.

    Isso é bom ou ruim? Para Pena, é bom. “O que acho ruim é quando a IA já está redigindo o trabalho final”, disse o especialista.

    gráfico
    gráfico — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Para Spinelli, a conclusão que podemos tirar dos resultados do Pisa 2025 é: estamos passando por um momento de transição. Segundo o especialista, é “um momento de descoberta no qual as pessoas estão entendendo como usar IA”.

    “Metade dos alunos está usando, metade não está usando, sendo que temos resultados benéficos em ambos os caminhos”, acrescenta Pena. “Por outro lado, ainda temos desafios muito grandes quanto a esse uso prejudicial, em que se delega demais para a IA e não se aprende nada.”

    “O brasileiro é um early adopter por natureza. O que o estudo mostra são os desafios inerentes da tecnologia. Ainda temos muito o que aprender e muito a comparar nos próximos anos”, finaliza o especialista.

    Estudante com chatgpt ligado no celular
    Estudante com chatgpt ligado no celular — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Assista abaixo a análise completa de Roberto “Pena” Spinelli sobre os resultados do Pisa 2025 no Olhar Digital News :

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    Pessoa fazendo pesquisa no ChatGPT
    Pessoa fazendo pesquisa no ChatGPT — Foto: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital
    Vídeo: Olhar Digital · Fonte: Olhar Digital

    Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/09/inteligencia-artificial/quando-a-ia-ajuda-e-quando-prejudica-o-aprendizado-nas-escolas/.

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