Chamada de papagaio, arara "rebate" e corrige pedestre na rua
Após arara ser chamada de papagaio e "rebater", biólogo detalha a imitação vocal e os desafios de criar uma arara em casa

Nos últimos dias, um vídeo gravado na Zona Sul de São Paulo ganhou destaque após a arara Ayla corrigir uma pedestre na rua. Durante um passeio de bicicleta com o seu tutor, a ave escutou uma jovem apontar e chamá-la de “papagaio”, rebatendo o erro de forma imediata e dizendo a palavra “ arara” .
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A cena fez muita gente se perguntar se a arara realmente entende o que diz. Para explicar o caso, o biólogo Bruno Reis afirma que o animal não pensa como um ser humano. Na verdade, a ave aprendeu a associar muito bem a palavra correta àquela situação.

Apesar de a interação ser engraçada, o especialista aproveita a repercussão para fazer um alerta. Ele detalha os perigos e as altas exigências para manter esse tipo de bicho em cativeiro, lembrando que os vídeos da internet costumam exibir apenas o lado fofo da convivência.
A arara canindé de quatro anos cruzava a ciclovia no ombro do analista Fábio Yokobatake. O hábito de pedalar com a mascote começou quando o tutor descobriu o colesterol alto e decidiu unir o seu exercício com o tempo de atenção que a ave demanda diariamente.
Foi no meio desse trajeto que a garota chamou a arara de papagaio e foi corrigida. Embora a resposta pareça vinda de uma autoconsciência, a biologia garante que o bicho não compreende, de fato, a diferença conceitual entre ele e um papagaio.

“O que observamos nesse tipo de vídeo é um processo de aprendizagem associativa e condicionamento operante”, esclarece o biólogo. Como essas aves são inteligentes e aprendem rápido, elas memorizam e repetem os sons que geram atenção e recompensas das pessoas ao redor.
A capacidade de fala da arara impressiona justamente porque a espécie não tem cordas vocais, mas sim uma estrutura anatômica chamada siringe. Segundo o biólogo , esse órgão trabalha em conjunto com uma língua articulada para que o animal consiga modular as frequências sonoras com muita precisão.
Enquanto na natureza elas usam os sons para integrar o bando, no cativeiro a família humana vira a sua parceira social. O biólogo avisa que a rotina de cuidados é difícil, pois a ave vive até 70 anos, tem voz que passa dos 100 decibéis e um bico feito para destruir móveis e fios com facilidade.

O animal exige espaço amplo para voar e consultas veterinárias constantes, podendo arrancar as próprias penas se sofrer estresse.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/colunas/e-o-bicho/chamada-de-papagaio-arara-responde-e-corrige-pedestre-na-rua.

@arara_ayla / reprodução / Instagram — Foto: Metrópoles
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