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    Centrão avalia peso do Congresso em distância de Flávio e pontes com Lula

    Partidos do Centrão priorizam bancadas no Congresso e preservam liberdade para negociar poder com quem assumir o Planalto em 2027

    Metrópoles
    18 de agosto de 2026 às 07:30
    Centrão avalia peso do Congresso em distância de Flávio e pontes com Lula
    Foto: Metrópoles

    O movimento de partidos do Centrão para manter distância formal da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo em que preserva relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), passa por uma conta que não termina nas eleições. A composição do próximo Congresso também pode determinar quanto poder essas legendas terão para negociar com quem assumir a Presidência em 2027.

    União Brasil e PP, reunidos na União Progressista, decidiram pela neutralidade, assim como Republicanos e MDB. No Republicanos, foram 17 votos pela neutralidade, nove por Flávio e apenas um por Lula.

    Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, afirmou na última semana que o Centrão está hoje com Lula. Ciro Nogueira (PP-PI), por outro lado, declarou voto pessoal em Flávio, apesar de comandar um partido que preferiu não integrar a chapa do senador.

    Arte Metrópoles
    Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A posição não significa, necessariamente, uma migração ideológica para o lado do petista. Levantamento do Metrópoles mostrou que a União Progressista, embora neutra nacionalmente, está coligada ao PL em 10 estados e ao PT ou à Federação Brasil da Esperança em quatro .

    Antes mesmo das convenções, a federação já trabalhava com a estratégia de concentrar recursos nas eleições estaduais e no Congresso, e manter liberdade para negociar com o presidente eleito.

    Lula durante convenção partidária; partidos do Centrão mantêm distância formal da candidatura petista, mas preservam relação com o governo

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    PL aposta no fortalecimento das bancadas para ampliar espaço no Congresso em 2027

    Presidente Lula durante convenção Federação Brasil da Esperança, no Expo Center Norte, São Paulo, em 2 de agosto de 2026

    O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro

    Imagem colorida mostra Lula e Flávio - Metrópoles
    Imagem colorida mostra Lula e Flávio - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Um eventual novo mandato de Lula ajuda a ilustrar por que essa composição interessa ao Centrão. O petista voltou ao Planalto em 2023 diante de um Congresso no qual não dispunha de maioria própria e enfrentou dificuldades para consolidar uma base de apoio estável. O PL havia saído das urnas de 2022 como a maior bancada da Câmara.

    O exemplo mais emblemático se deu ainda no primeiro semestre de 2023, com a medida provisória que reorganizou a Esplanada dos Ministérios. O texto só foi aprovado pelo Congresso no último dia de vigência da MP , depois de semanas de impasse entre o Planalto e a Câmara.

    Se não fosse votada naquele prazo, a medida perderia validade e, na prática, prejudicaria a estrutura de 37 ministérios montada por Lula no início do mandato.

    Centrão avalia peso do Congresso em distância de Flávio e pontes com Lula - destaque galeria
    Centrão avalia peso do Congresso em distância de Flávio e pontes com Lula - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A votação expôs a fragilidade da base governista naquele início de mandato. Para evitar que a MP caducasse, Lula precisou negociar com o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e com partidos do Centrão.

    Ainda assim, o governo teve de aceitar mudanças importantes: o Congresso retirou atribuições dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, entre outras alterações. O Senado aprovou o texto já no limite do prazo, por 51 votos a 19.

    Meses depois, a negociação chegou formalmente à Esplanada. Celso Sabino, do União Brasil, assumiu o Turismo; André Fufuca, do PP, foi para o Esporte; e Silvio Costa Filho, do Republicanos, passou a comandar Portos e Aeroportos.

    PL aposta no fortalecimento das bancadas para ampliar espaço no Congresso em 2027
    PL aposta no fortalecimento das bancadas para ampliar espaço no Congresso em 2027 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As mudanças foram feitas em uma tentativa explícita de ampliar a governabilidade e aproximar do governo partidos ligados ao grupo político de Lira.

    O caso de Lula ajuda a exemplificar que, quanto menos bancada própria tiver o presidente, mais importantes se tornam os partidos necessários para completar uma maioria. Isso amplia a capacidade dessas siglas de negociar não apenas ministérios, mas também espaço em órgãos federais, condução de pautas, relatorias e posições de influência no Congresso.

    O PL tem hoje 98 deputados federais e permanece como a maior bancada da Câmara . O Senado é ainda mais central na estratégia bolsonarista. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já havia estabelecido como objetivo conquistar ao menos 41 senadores, número necessário para alcançar a maioria absoluta da Casa.

    Presidente Lula durante convenção Federação Brasil da Esperança, no Expo Center Norte, São Paulo, em 2 de agosto de 2026
    Presidente Lula durante convenção Federação Brasil da Esperança, no Expo Center Norte, São Paulo, em 2 de agosto de 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A estratégia, porém, não se limita aos candidatos do próprio partido. No início de agosto, Flávio anunciou apoio a 47 candidaturas ao Senado, distribuídas pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. A lista inclui nomes do PL, mas também de PP, Republicanos, Podemos, União Brasil, PSD, PSDB e Novo, numa tentativa de construir um bloco de direita que vá além dos quadros da legenda.

    Caso vença a eleição e o PL confirme a expectativa de ampliar suas bancadas, Flávio poderia começar 2027 com um núcleo parlamentar ideologicamente mais próximo e potencialmente mais robusto do que aquele encontrado por Lula em 2023. Isso não dispensaria uma negociação com o Centrão, mas poderia reduzir o grau de dependência dessas siglas para formar maioria.

    Esse cenário também afetaria o espaço ocupado pelos partidos de centro. Um PL fortalecido teria mais peso na disputa por presidências de comissões, relatorias e outros postos de influência no Congresso.

    O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro
    O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A diferença, portanto, não seria entre precisar ou não do Centrão. Mesmo com uma bancada robusta, Flávio ainda dependeria de alianças para aprovar parte relevante de sua agenda. A questão é que essas legendas poderiam ser menos indispensáveis a um governo sustentado por um bloco de direita maior do que foram para Lula em momentos críticos de seu terceiro mandato.

    O caso do Banco Master também passou a pesar nas articulações eleitorais do Centrão. Em junho, a aproximação de União Brasil e PP com Flávio Bolsonaro esfriou depois do avanço das revelações envolvendo Daniel Vorcaro.

    O Republicanos chegou a testar uma candidatura própria e, mais tarde, uma pesquisa interna apontou desgaste de Flávio, inclusive pelas relações comerciais com o banqueiro.

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    Ciro Nogueira também foi atingido pelo caso. O presidente do PP foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    A investigação aponta suspeitas de que o senador tenha recebido vantagens de Vorcaro em troca de atuação política. Ciro nega irregularidades e classifica as conclusões dos investigadores como “ilações”.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/centrao-avalia-peso-do-congresso-em-distancia-de-flavio-e-pontes-com-lula.

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