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    Cédulas, apuração manual e fraudes: como era votar antes da urna eletrônica

    Considerada um pilar da democracia brasileira, a urna eletrônica foi introduzida gradualmente a partir de 1996 e universalizada em 2000

    Metrópoles
    7 de setembro de 2026 às 07:30
    Cédulas, apuração manual e fraudes: como era votar antes da urna eletrônica
    Foto: Metrópoles

    A menos de um mês do primeiro turno das eleições gerais de 2026, marcado para 4 de outubro , milhões de brasileiros se preparam para depositar o voto na urna eletrônica. O cenário é bem diferente do que existia até poucas décadas atrás, quando o voto era feito em cédulas de papel, a apuração era manual e fraudes faziam parte dos problemas enfrentados nas eleições.

    Alvo de questionamentos, críticas e ataques ao longo dos anos , a urna eletrônica começou a ser usada no Brasil em 1996 e foi adotada em todo o país a partir de 2000. Desde então, a urna passou por diversos aprimoramentos e testes realizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que comprovam a integridade e a inviolabilidade do equipamento.

    Antes da urna, o processo de votação passou por diferentes formatos e mudanças ao longo de mais de um século.

    Arte Metrópoles
    Arte Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Mas como os brasileiros escolhiam seus representantes antes da era eletrônica? Para recontar essa história, o Metrópoles consultou o acervo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e mostra as principais transformações pelas quais passou o voto no país.

    Durante décadas, o voto no Brasil foi registrado em cédulas de papel. O modelo era utilizado desde a Proclamação da República, em 1889, e passou por diferentes mudanças ao longo do tempo.

    Nas primeiras décadas do século 20, os próprios candidatos, por exemplo, podiam imprimir e distribuir as cédulas que seriam usadas pelos eleitores . Mas o papel não era a única característica do sistema. As eleições também estavam sujeitas a diferentes formas de pressão e manipulação.

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Cédula das eleições de 1989. Primeiro turno para Presidente da República

    Cédula eleitoral das Eleições Municipais de São Paulo de 1988

    No fim do século 19 e durante parte do período republicano, os votos eram abertos e sofriam influência de lideranças políticas locais, os chamados “coronéis”. Em algumas regiões, essas figuras exerciam forte controle sobre os eleitores.

    Imagem colorida de arte ilustrando processo eleitoral antes da urna eletrônica - Metrópoles
    Imagem colorida de arte ilustrando processo eleitoral antes da urna eletrônica - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Foi somente a partir de 1945, com a reinstauração da Justiça Eleitoral, extinguida no período Getúlio Vargas (Estado Novo) , que o Brasil começou a trilhar um caminho mais democrático e a buscar formas de assegurar a legitimidade dos pleitos.

    Em 1955, foi instituída a cédula única para as eleições de presidente e vice-presidente da República, uma tentativa de padronizar e formalizar o processo de votação.

    Juscelino Kubitschek foi o primeiro presidente eleito com as cédulas oficiais do TSE , marcando uma nova era na organização das eleições brasileiras.

    Cédulas, apuração manual e fraudes: como era votar antes da urna eletrônica - destaque galeria
    Cédulas, apuração manual e fraudes: como era votar antes da urna eletrônica - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em 1962, a cédula única foi estendida a todas as eleições, tornando-se o padrão até a chegada das urnas eletrônicas. As cédulas de papel eram depositadas em urnas físicas, que também evoluíram ao longo do tempo.

    As urnas físicas também mudaram ao longo dos anos. Até a década de 1950, eram feitas de madeira, pesadas e trancadas para proteger os votos. Depois, deram lugar às urnas de lona, mais leves e fáceis de transportar.

    Os modelos de lona eram brancos ou marrons e contavam com zíperes e lacres de chumbo. A partir de 1974, a urna marrom passou a ser o único modelo utilizado e se tornou uma das imagens mais conhecidas das eleições brasileiras antes da era eletrônica.

    Cédula eleitoral das Eleições Municipais de São Paulo de 1988
    Cédula eleitoral das Eleições Municipais de São Paulo de 1988 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A contagem manual dos votos era um processo demorado e propenso a erros e manipulações.

    Uma das práticas mais conhecidas ficou marcada pelo nome de “urna grávida”. A fraude consistia em colocar na urna cédulas previamente preenchidas antes mesmo de os eleitores começarem a votar.

    O objetivo era adulterar o resultado e aumentar a votação de determinado candidato . Havia ainda outro problema: decidir o que era ou não um voto válido.

    Cédula eleitoral para eleitor cego
    Cédula eleitoral para eleitor cego — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Cédulas preenchidas de maneira diferente do padrão podiam provocar longas discussões entre os fiscais. Dependendo da interpretação, o voto poderia ser considerado válido ou anulado.

    As cédulas de papel também permitiam uma possibilidade que desapareceu com a informatização: escrever livremente o nome de alguém que não estava entre os candidatos.

    A prática podia ser usada como forma de protesto ou simplesmente como brincadeira. Foi assim que animais de zoológicos acabaram entrando para a história eleitoral brasileira.

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    Cédulas, apuração manual e fraudes: como era votar antes da urna eletrônica - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Foi assim que figuras como o macaco Tião, do zoológico do Rio de Janeiro, e a rinoceronte Cacareco, do zoológico de São Paulo, quase “foram eleitos” em 1988 e 1959, respectivamente.

    Macaco Tião foi "candidato" a prefeito do Rio de Janeiro

    Os dois casos se tornaram exemplos conhecidos do chamado “voto de protesto”.

    Urna de lona aberta
    Urna de lona aberta — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A substituição das cédulas pela urna eletrônica veio após décadas de problemas com fraudes, demora na apuração e dificuldades de acesso ao voto.

    Pessoas analfabetas e eleitores com deficiência visual, por exemplo, enfrentavam obstáculos para votar de forma independente. A urna eletrônica passou a oferecer recursos de acessibilidade, como teclado com identificação em braile e áudio por meio de fones de ouvido.

    A mudança começou em 1996, quando o sistema eletrônico foi adotado em parte dos municípios, e foi concluída em 2000, com a implantação em todo o país.

    Urna de lona
    Urna de lona — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Com isso, a apuração manual deu lugar ao processamento eletrônico e uma rotina baseada em cédulas, lacres e urnas de lona ficou para trás.

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    Cédulas, apuração manual e fraudes: como era votar antes da urna eletrônica - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Cacareco no Zoológico de Sao Paulo
    Cacareco no Zoológico de Sao Paulo — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
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    Cédulas, apuração manual e fraudes: como era votar antes da urna eletrônica - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Urna eleitoral
    Urna eleitoral — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Urna eletrônica
    Urna eletrônica — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles
    Urna eletrônica
    Urna eletrônica — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/cedulas-apuracao-manual-e-fraudes-como-era-votar-antes-da-urna-eletronica.

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