Brasil

    Ceará sediará a primeira fábrica brasileira de curativos à base de pele de tilápia

    Tecido temporário é voltado ao tratamento de queimaduras e feridas em humanos e animais

    UOL
    20 de agosto de 2026 às 23:00
    Ceará sediará a primeira fábrica brasileira de curativos à base de pele de tilápia
    Mãos com luvas brancas seguram uma grande escama de peixe prateada em formato triangular. Ao fundo, pessoas com jalecos e luvas manipulam materiais sobre uma mesa coberta por tecido azul, em ambiente de laboratório. — Foto: UOL

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    A primeira fábrica do Brasil dedicada à produção, em escala industrial, de curativos biológicos à base de pele de tilápia liofilizada ficará em Jaguaribara, no Ceará . A UFC (Universidade Federal do Ceará) assinou contrato com o consórcio Biotec’s —formado pelas empresas Biotec Solução Ambiental Indústria e Comércio e Biotec Controle Ambiental— para o licenciamento da tecnologia.

    Consórcio poderá desenvolver, produzir e comercializar um curativo biológico derivado da tecnologia da pele liofilizada de tilápia para o tratamento de queimaduras e feridas em humanos e animais - Viktor Braga - 19.nov.25/UFC · Viktor Braga
    Consórcio poderá desenvolver, produzir e comercializar um curativo biológico derivado da tecnologia da pele liofilizada de tilápia para o tratamento de queimaduras e feridas em humanos e animais - Viktor Braga - 19.nov.25/UFC · Viktor Braga — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Liofilização é o processo de desidratação, em que a água é retirada para facilitar o processo de conservação. É possível manter a pele por um longo período sem necessidade de refrigeração.

    Bruno Braga, diretor de negócios do grupo Biotec, afirmou à reportagem que a construção ainda não foi iniciada, mas as tratativas para a formalização do convênio junto ao governo do estado do Ceará estão em andamento. A expectativa é que a fábrica fique pronta até meados de outubro de 2027.

    No período, a Biotec deverá iniciar a produção dos lotes pilotos sob as normas de BPF (Boas Práticas de Fabricação). A etapa é essencial para obter os registros junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A execução do cronograma e o começo da fabricação dependem da assinatura do convênio.

    Mulheres fazem cirurgia com pele de tilápia para reconstruir canal vaginal
    Mulheres fazem cirurgia com pele de tilápia para reconstruir canal vaginal — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "A fábrica deve iniciar com uma produção de mais ou menos 4.300 peles até chegar a sua produção máxima, de 12 mil por dia. Essa será a capacidade da fábrica. Ela inicia de uma forma mais conservadora e vai ampliando até o terceiro ano", afirma Braga.

    "A Biotec continuará investindo em pesquisa e desenvolvimento, inclusive no laboratório de pele de tilápia , para saírem outros produtos no futuro. É uma mudança completa na cadeia. Muitos produtos são patenteados, ficam dentro das universidades e não saem", comenta o diretor.

    A pele de tilápia funciona como curativo oclusivo e temporário voltado ao tratamento de queimaduras e feridas em humanos e animais. As pesquisas iniciaram em 2015.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    Segundo Manoel Odorico de Moraes Filho, professor titular do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFC, fundador e coordenador do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos da instituição e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, a universidade realizou o estudo clínico.

    A concepção original partiu de um desafio proposto por um ex-aluno do curso de medicina , o cirurgião plástico Admar Maciel.

    "O pessoal que trabalha com queimaduras já vinha testando há algum tempo outras opções terapêuticas, porque a convencional, que você realiza com a sulfadiazina de prata, além de ser dispendiosa, incomoda o paciente, porque precisa trocar o curativo a cada 24, 48 horas", explica o pesquisador.

    Quanto ao uso de pele humana de cadáver — considerado o padrão-ouro, de acordo com o professor —, ele enfrenta restrições de estoque no Brasil e cobre cerca de 1% da demanda. "É difícil conseguir doador e só tem três bancos de pele no país", diz Odorico.

    Os testes laboratoriais e em animais confirmaram o potencial terapêutico da membrana biológica da tilápia para queimaduras de segundo grau superficiais e profundas. O curativo reduz o tempo de cicatrização em torno de 10% a 15%, atenua as dores, evita infecção e diminui os custos hospitalares por dispensar substituições frequentes.

    Nos casos graves de terceiro grau, que demandam autoenxerto, o material é aplicado para acelerar a granulação inicial do tecido e, depois, ajudar na regeneração da área doadora do próprio paciente.

    "A queimadura de terceiro grau é mais profunda, atinge a musculatura e pode chegar no osso. Neste caso, usamos a pele de tilápia para começar o processo de cicatrização. Quando ele inicia, você tira o enxerto ou das costas, ou então da perna do doador, que é o próprio paciente, e coloca no local da queimadura. Isso equivale a ter uma queimadura de segundo grau superficial. Aí você usa a pele da tilápia para cicatrizar o local onde você tirou a pele", explica o professor.

    A produção no laboratório da UFC é utilizada somente para fins de pesquisa.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/08/ceara-sediara-a-primeira-fabrica-brasileira-de-curativos-a-base-de-pele-de-tilapia.shtml.

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    Consórcio poderá desenvolver, produzir e comercializar um curativo biológico derivado da tecnologia da pele liofilizada de tilápia para o tratamento de queimaduras e feridas em humanos e animais - Viktor Braga - 19.nov.25/UFC · Viktor Braga — Foto: UOL

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