Brasil

    CBF faz 'x' para obter 'y', mas falta o 'z'

    Entidade reduz quantidade de estrangeiros nos jogos do Brasileiro para ampliar o número de sub-23 nacionais

    UOL
    25 de setembro de 2026 às 03:00
    CBF faz 'x' para obter 'y', mas falta o 'z'
    Foto: UOL

    Luís Curro fala sobre as seleções, clubes, competições e jogadores do esporte mais popular do planeta

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    O uruguaio Giorgian de Arrascaeta, 32, é um da dezena de jogadores estrangeiros que o Flamengo tem à disposição para o Campeonato Brasileiro - Sergio Moraes - 19.abr.26/Reuters · Sergio Moraes - 19.abr.26/Reuters
    O uruguaio Giorgian de Arrascaeta, 32, é um da dezena de jogadores estrangeiros que o Flamengo tem à disposição para o Campeonato Brasileiro - Sergio Moraes - 19.abr.26/Reuters · Sergio Moraes - 19.abr.26/Reuters — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Nesta semana, a Confederação Brasileira de Futebol ( CBF ) decidiu fazer uma modificação na composição dos jogadores no Campeonato Brasileiro . Os clubes, que atualmente podem relacionar até nove atletas estrangeiros para uma partida, passarão, ano a ano, a reduzir essa quantidade . Em 2030, o máximo permitido serão cinco.

    A medida lembra a reserva de mercado que governos, quando consideram necessário, implementam em setores da economia: ao limitar concorrentes estrangeiros, a indústria local fica protegida/fortalecida. No caso, o "governo" é a CBF e a "indústria", o futebol.

    Os times não ficam impedidos de contratar forasteiros. No entanto, a lógica indica que o número deles diminuirá. Afinal, para que trazer um monte se parte fica proibida de ir a campo? Tem que ter muito dinheiro sobrando para isso, e os clubes estão afundados em dívidas.

    Jogador do Flamengo com cabelo platinado, usando camisa vermelha e preta com faixa branca na manga, está de olhos fechados e mãos juntas em oração. Ele é Giorgian de Arrascaeta. Fundo desfocado mostra torcida no estádio.
    Jogador do Flamengo com cabelo platinado, usando camisa vermelha e preta com faixa branca na manga, está de olhos fechados e mãos juntas em oração. Ele é Giorgian de Arrascaeta. Fundo desfocado mostra torcida no estádio. — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Algumas equipes contam com uma vasta gama de gringos. No elenco do Flamengo , líder do Brasileiro, são 10 de 27, mais de um terço. Oito jogaram no Maracanã contra o Bragantino, no domingo passado, e seis foram titulares.

    Vasco e Botafogo têm ainda mais estrangeiros (12 o primeiro, 11 o segundo) que o arquirrival, diluídos em grupos mais inchados, de 37 e 33 atletas, respectivamente.

    Na Europa, cada país tem regras distintas a respeito do limite de estrangeiros. Na vizinha Argentina, vigora a norma de no máximo cinco estrangeiros relacionados por jogo (meta da CBF para 2030) e há o teto de seis não argentinos permitidos, no total, por equipe.

    É um jeito de fomentar o futebol local: menos gente de fora, mais gente de dentro. Protecionismo puro.

    Enfatizo um ponto relevante. Com essa medida "x", a CBF diz almejar o resultado "y": que mais brasileiros jovens (sub-23) ganhem oportunidades, estabelecendo-se constante renovação.

    Até porque a seleção brasileira tem intenção de contar com mais juventude de qualidade. Para que isso aconteça, mais jovens precisam jogar regularmente, em todas as posições. E os mais velhos? Já tiveram chance, conclui-se, de mostrar a que vieram, a maioria sem atingir o nível desejado.

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    Existe, entretanto, um porém. Para que a limitação a forasteiros tenha o efeito esperado, e não se verifique a ampliação nas equipes apenas de brasileiros com mais idade, a CBF precisaria estabelecer uma porcentagem fixa de atletas sub-23 para cada clube. Que impusesse de imediato a proporção 1/1. Para cada inscrito com 23 anos ou mais, um inscrito com 23 anos ou menos. Esse é o "z" da questão.

    Não foi feito. E, não sendo feito, é improvável que o número de jovens suba rapidamente nos times, já que a praxe são elencos mais experimentados com o acréscimo de alguns poucos "garotos". Em certos casos, uma miséria deles. O Mirassol, único no Brasileiro sem gringos, tem 33 jogadores no profissional. Só três são sub-23, e nenhum é titular.

    Quantos jogadores com menos de 23 anos cada clube tem no elenco*

    É preciso tempo para verificar na prática a mudança, que contou com apoio maciço dos clubes. Mudança que, sob determinado olhar, é polêmica.

    Independentemente da nacionalidade, independentemente da idade, cada time deveria tentar ter à disposição o melhor pé de obra, sem restrições. Haverá quem aponte a reserva de mercado como xenofobia e a predileção por jovens como etarismo. Não sem razão.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/blogs/o-mundo-e-uma-bola/2026/09/cbf-faz-x-para-obter-y-mas-falta-o-z.shtml.

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    O uruguaio Giorgian de Arrascaeta, 32, é um da dezena de jogadores estrangeiros que o Flamengo tem à disposição para o Campeonato Brasileiro - Sergio Moraes - 19.abr.26/Reuters · Sergio Moraes - 19.abr.26/Reuters — Foto: UOL

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