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    Castro diz que procurou Mendonça para saber se havia ordem judicial para não soltar Cabral

    O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro ( PL ) afirmou neste domingo (13) que procurou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça para saber se havia alguma ordem judicial em vigor que impedisse a soltura de Sérgio Cabral . Leia mais (09/13/2026 - 16h49)

    Folha de S.Paulo
    13 de setembro de 2026 às 19:49
    Castro diz que procurou Mendonça para saber se havia ordem judicial para não soltar Cabral
    Um homem com barba e cabelo curto, vestindo um paletó escuro e uma camisa branca, está sentado em um ambiente interno. Ele parece estar em uma conversa séria, com uma expressão facial que demonstra preocupação ou reflexão. O fundo é de made — Foto: Folha de S.Paulo

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    O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro ( PL ) afirmou neste domingo (13) que procurou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça para saber se havia alguma ordem judicial em vigor que impedisse a soltura de Sérgio Cabral .

    O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), durante entrevista para a Folha, no Palácio Guanabara, na zona sul do Rio de Janeiro. - Eduardo Anizelli - 6.abr.23/Folhapress · Eduardo Anizelli - 6.abr.23/Folhapress
    O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), durante entrevista para a Folha, no Palácio Guanabara, na zona sul do Rio de Janeiro. - Eduardo Anizelli - 6.abr.23/Folhapress · Eduardo Anizelli - 6.abr.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo ele, o contato ocorreu porque a equipe da Secretaria de Administração Penitenciária não conseguiu confirmar junto ao TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) se ainda havia mandados de prisão em vigor. O tribunal era o responsável pela ordem em análise no Supremo.

    Como mostrou o Painel neste domingo, o contato entre Castro e Mendonça ocorreu um dia após o TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) revogar dois mandados de prisão contra Cabral. A partir daquele momento, restava apenas a ordem em análise no STF.

    "No início da noite de 11 de novembro de 2022, recebi uma ligação da então secretária de Administração Penitenciária, Maria Rosa Nebel. Havia chegado à secretaria um mandado de soltura de Sérgio Cabral, expedido naquele dia pela 5ª Câmara Criminal do TJ-RJ, mas existia dúvida sobre outras ordens judiciais que pudessem mantê-lo preso", disse Castro.

    Sérgio Cabral
    Sérgio Cabral — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Naquele momento, o site do TRF-4 estava fora do ar e as tentativas de contato não tiveram sucesso. Diante da necessidade de confirmar a situação processual, fiz contato com o ministro André Mendonça pois havia com ele um processo ligado ao ex-governador."

    Segundo Castro, foi por este motivo que Mendonça lhe encaminhou o link do processo no Supremo. Ele afirma que os dados permitiram a checagem da informação. "Ao final, confirmou-se que havia outras ordens judiciais que impediam a soltura, e Sérgio Cabral permaneceu preso", afirma o ex-governador.

    Como a Folha revelou neste domingo (13) , os dois trataram do assunto 17 dias antes de Mendonça apresentar seu voto ao STF em favor da soltura de Cabral. O ministro havia interrompido o julgamento em outubro, quando o placar estava 1 a 1. O ex-governador foi solto em dezembro com um placar de 3 a 2, encerrando seis anos de prisão.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Castro nega que a conversa entre os dois tenha tido como objetivo interferir no julgamento do caso.

    "Não procurei o ministro para interferir em qualquer julgamento no STF nem para pedir benefício a Sérgio Cabral. [...] Nunca mantive relação pessoal com Sérgio Cabral e, durante todo o período em que estive à frente do Governo do Estado, sequer estive pessoalmente com ele. Esse é o contexto real das mensagens divulgadas", disse ele.

    Nos diálogos, trocados na noite de 11 de novembro de 2022, Castro escreve a Mendonça, às 19h37: "Amigo, preciso falar com urgência" e completa "caso Cabral" —numa referência ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral. Em seguida, Castro encaminha dois arquivos.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Mendonça responde à mensagem às 20h25, com a descrição de um processo da 13ª Vara Federal de Curitiba que decretou a prisão preventiva de Cabral por corrupção, no âmbito da Operação Lava Jato.

    Após escrever essa mensagem, Mendonça completa: "ligo em alguns minutos". Castro, então, responde com um "ok".

    Sete minutos depois, Mendonça encaminha ao ex-governador um link da página do Supremo que remete ao habeas corpus movido por Cabral. O caso estava sendo julgado na Segunda Turma da corte, da qual Mendonça faz parte.

    Procurado, o gabinete de André Mendonça informou, em nota, que ele não mantém relação de amizade com Cláudio Castro e que os dois se conheceram institucionalmente, quando o ministro ocupava o cargo de ministro da Justiça.

    Também afirmou que ele não guarda registro de tratativa alguma sobre o mérito do processo mencionado e que, como é de conhecimento público, "magistrados são procurados por advogados, partes e terceiros pelas mais diversas vias".

    "Tais manifestações não alteram o curso do exame dos processos, que se dá exclusivamente a partir do que consta dos autos. O voto proferido no caso está publicamente disponível, é fundamentado e reflete entendimento que o ministro aplicou de forma uniforme em casos análogos", afirmou.

    Em nota, a defesa de Cabral disse que "desconhece o fato e ressalta que já havia conquistado quatro revogações de sua prisão preventiva em diferentes tribunais e instâncias".

    "Quanto ao suposto diálogo não há o que se manifestar", afirmaram em nota os advogados Patrícia Proetti e João Pedro Proetti, que defendem Cabral.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/castro-diz-que-procurou-mendonca-para-saber-se-havia-ordem-judicial-para-nao-soltar-cabral.shtml.

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    O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), durante entrevista para a Folha, no Palácio Guanabara, na zona sul do Rio de Janeiro. - Eduardo Anizelli - 6.abr.23/Folhapress · Eduardo Anizelli - 6.abr.23/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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