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    Casos de Moraes e Mendonça não podem ser misturados

    Não é surpresa que a crise no Supremo Tribunal Federal repercuta de maneiras diferentes nos dois polos do eleitorado. Segundo o Datafolha , 50% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro ( PL ) defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes , ante apenas 9% entre os que escolhem Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Leia mais (09/13/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    14 de setembro de 2026 às 01:00
    Casos de Moraes e Mendonça não podem ser misturados
    Dois homens sentados em cadeiras de couro marrom em ambiente formal, ambos vestindo terno, gravata e toga preta. Um deles, à esquerda, está gesticulando com a mão direita enquanto olha para o outro, que está à direita e observa o interlocut — Foto: Folha de S.Paulo

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    André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - Evaristo Sá - 2.set.26/AFP · Evaristo Sá - 2.set.26/AFP
    André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - Evaristo Sá - 2.set.26/AFP · Evaristo Sá - 2.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Não é surpresa que a crise no Supremo Tribunal Federal repercuta de maneiras diferentes nos dois polos do eleitorado. Segundo o Datafolha , 50% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro ( PL ) defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes , ante apenas 9% entre os que escolhem Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    Os lulistas voltam suas baterias contra o ministro André Mendonça , até há pouco o responsável pela apuração das relações entre Moraes e o corruptor Daniel Vorcaro , ex-dono do Banco Master . Entre eles, 49% querem que Mendonça se afaste do cargo para ser investigado, ante 23% entre os que preferem Flávio.

    Paixões políticas à parte, deveria restar evidente que o que pesa contra um ministro e outro são coisas absolutamente distintas, que não podem ser misturadas nas decisões a serem tomadas doravante —e fez bem o presidente do STF , Edson Fachin , ao negar o exame da conduta de Mendonça na sessão plenária de terça-feira (15) destinada a deliberar sobre a situação de Moraes.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Esta, gravíssima, exige investigação não só urgente como tardia. Sabe-se desde o final de 2025 que o Master firmou contrato de valores exorbitantes com o escritório da família do magistrado. Vieram à tona mensagens de Vorcaro em busca de proteção e aconselhamento direcionadas, segundo a Polícia Federal , a Moraes, sempre com o suspeitíssimo recurso de visualização única.

    O ministro aprofundou a crise ao recusar, até aqui, a renúncia ou mesmo um afastamento temporário. Ao lado de Dias Toffoli, que também manteve negócios com a rede de Vorcaro, está sob óbvio conflito de interesses e não deveria votar na sessão de terça.

    Contra Mendonça, indicado à corte por Jair Bolsonaro (PL), há a acusação formalizada por Moraes de atuar com motivações políticas, atingindo uns e protegendo outros —tanto no caso Master como no das fraudes no INSS, que envolve um filho de Lula.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Há de fato atos questionáveis de Mendonça, em especial a decisão liminar de afastar o diretor da PF. Só com a derrubada de sigilos recém-determinada por Fachin, ademais, soube-se que Flávio é investigado por ter recebido dinheiro de Vorcaro para o filme de louvação a seu pai —o que não parece incomodar os eleitores bolsonaristas, aliás.

    É prudente, assim, a decisão do presidente do STF de afastar Mendonça das apurações que envolvem Moraes. Abusos e desvios da imparcialidade judicial devem ser avaliados tempestivamente; nada disso, porém, muda os fatos a serem esclarecidos sobre as relações entre ministros da mais alta corte do país e o responsável por uma fraude recorde contra o sistema financeiro nacional.

    Misturar os dois casos só tumultuaria a deliberação que o Supremo tem pela frente, decisiva para sua reputação e mesmo sua solidez institucional. A exposição pública das posições de cada magistrado é o primeiro passo para o enfrentamento da crise.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/casos-de-moraes-e-mendonca-nao-podem-ser-misturados.shtml.

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    André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - Evaristo Sá - 2.set.26/AFP · Evaristo Sá - 2.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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