Casos de Moraes e Mendonça não podem ser misturados
Não é surpresa que a crise no Supremo Tribunal Federal repercuta de maneiras diferentes nos dois polos do eleitorado. Segundo o Datafolha , 50% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro ( PL ) defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes , ante apenas 9% entre os que escolhem Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Leia mais (09/13/2026 - 22h00)

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Não é surpresa que a crise no Supremo Tribunal Federal repercuta de maneiras diferentes nos dois polos do eleitorado. Segundo o Datafolha , 50% dos que declaram voto em Flávio Bolsonaro ( PL ) defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes , ante apenas 9% entre os que escolhem Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os lulistas voltam suas baterias contra o ministro André Mendonça , até há pouco o responsável pela apuração das relações entre Moraes e o corruptor Daniel Vorcaro , ex-dono do Banco Master . Entre eles, 49% querem que Mendonça se afaste do cargo para ser investigado, ante 23% entre os que preferem Flávio.
Paixões políticas à parte, deveria restar evidente que o que pesa contra um ministro e outro são coisas absolutamente distintas, que não podem ser misturadas nas decisões a serem tomadas doravante —e fez bem o presidente do STF , Edson Fachin , ao negar o exame da conduta de Mendonça na sessão plenária de terça-feira (15) destinada a deliberar sobre a situação de Moraes.

Esta, gravíssima, exige investigação não só urgente como tardia. Sabe-se desde o final de 2025 que o Master firmou contrato de valores exorbitantes com o escritório da família do magistrado. Vieram à tona mensagens de Vorcaro em busca de proteção e aconselhamento direcionadas, segundo a Polícia Federal , a Moraes, sempre com o suspeitíssimo recurso de visualização única.
O ministro aprofundou a crise ao recusar, até aqui, a renúncia ou mesmo um afastamento temporário. Ao lado de Dias Toffoli, que também manteve negócios com a rede de Vorcaro, está sob óbvio conflito de interesses e não deveria votar na sessão de terça.
Contra Mendonça, indicado à corte por Jair Bolsonaro (PL), há a acusação formalizada por Moraes de atuar com motivações políticas, atingindo uns e protegendo outros —tanto no caso Master como no das fraudes no INSS, que envolve um filho de Lula.

Há de fato atos questionáveis de Mendonça, em especial a decisão liminar de afastar o diretor da PF. Só com a derrubada de sigilos recém-determinada por Fachin, ademais, soube-se que Flávio é investigado por ter recebido dinheiro de Vorcaro para o filme de louvação a seu pai —o que não parece incomodar os eleitores bolsonaristas, aliás.
É prudente, assim, a decisão do presidente do STF de afastar Mendonça das apurações que envolvem Moraes. Abusos e desvios da imparcialidade judicial devem ser avaliados tempestivamente; nada disso, porém, muda os fatos a serem esclarecidos sobre as relações entre ministros da mais alta corte do país e o responsável por uma fraude recorde contra o sistema financeiro nacional.
Misturar os dois casos só tumultuaria a deliberação que o Supremo tem pela frente, decisiva para sua reputação e mesmo sua solidez institucional. A exposição pública das posições de cada magistrado é o primeiro passo para o enfrentamento da crise.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/casos-de-moraes-e-mendonca-nao-podem-ser-misturados.shtml.

André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - Evaristo Sá - 2.set.26/AFP · Evaristo Sá - 2.set.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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