Caso Moraes é fruto de processo de desinstitucionalização, diz professor
Ao CNN Prime Time, Álvaro Palma de Jorge, professor de Direito da FGV-RJ avalia que sessão plenária expôs crise de legitimidade do Supremo e cobra resposta clara da Corte à sociedade

O STF (Supremo Tribunal Federal) segue dividido sobre como investigar seus próprios ministros, e a sessão plenária realizada na terça-feira (15) escancarou o tamanho dessa crise institucional. Ao CNN Prime Time, Álvaro Palma de Jorge, professor de Direito da FGV-RJ, avaliou que o julgamento sobre a possibilidade de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes é resultado de um longo processo de desinstitucionalização do Tribunal.
Para Álvaro, o ponto de partida para compreender a crise é a natureza da autoridade dos ministros do STF. "Ministro tem a sua autoridade vinda de uma previsão constitucional, que diz que esse ministro precisa deter notório saber jurídico e reputação ilibada", afirmou.
Diferentemente de outros cargos públicos, ministros do Supremo não passam por eleições, o que torna as suas decisões a única fonte de legitimidade perante a sociedade.

Álvaro foi enfático ao afirmar que a percepção deixada pela sessão de terça-feira (15) foi extremamente negativa para a imagem do Tribunal.
Segundo ele, o que se viu foi algo semelhante a "um jogo da Libertadores com o time argentino fazendo um tipo de cera, de catimba aqui e ali", o que, em suas palavras, "deslegitima muito a percepção que a sociedade tem em relação ao Supremo".
O especialista ressaltou que o julgamento em si já é consequência de um processo mais amplo de desinstitucionalização, e não sua causa.

O professor também destacou as dificuldades enfrentadas por Fachin na condução da sessão. "O ritmo do devido processo legal não é o ritmo da notícia, não é o ritmo da imprensa, não é o ritmo que a sociedade espera a resposta", explicou.
Diante de uma situação "absolutamente inédita e excepcional", com um regimento que "não oferece todas as respostas", e ainda tendo de manter a civilidade entre os membros do Tribunal, Álvaro classificou a posição de Fachin como "extremamente difícil".
Questionado sobre a reforma do Poder Judiciário — tema que vem sendo debatido inclusive em jornais internacionais —, Álvaro considerou que ela será "uma consequência inevitável", mas não o primeiro passo.

Para ele, a prioridade imediata é o próprio STF responder com clareza à pergunta central que ficou sem resposta: "Há ou não elementos para se iniciar uma investigação?"
O especialista pontuou que Alexandre de Moraes não estava sendo julgado na sessão, e sim avaliada a pertinência de abrir uma investigação, o que, segundo ele, tornaria a questão mais simples do que pareceu.
Sobre a possibilidade de a investigação envolvendo André Mendonça avançar na próxima sessão, Álvaro se mostrou cético.

Ele avaliou ser "muito improvável" que essa sessão ocorra, e que, mesmo que seja mantida, haveria um "problema estrutural" relacionado ao pedido de vista do ministro Flávio Dino, que trata justamente da necessidade de análise conjunta dos procedimentos.
Para o especialista, sem a devolução desse pedido de vista, o processo não tem como avançar.


Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/politica/caso-moraes-e-fruto-de-processo-de-desinstitucionalizacao-diz-professor/.

Fachin e Cármen atuam por trégua, mas crise tende a escalar no STF — Foto: CNN Brasil
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