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    Caso Matsunaga vira empecilho para venda de cobertura de R$ 2,8 milhões em São Paulo

    A corretora Cristiane Gomes, 43, diz ter pensado que começaria o mês de agosto com uma venda milionária. Uma cliente dela havia demonstrado interesse em uma cobertura de R$ 2,8 milhões , na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo . "Ela visitou o imóvel, gostou bastante e disse que conversaria com o marido", conta. Leia mais (09/19/2026 - 13h00)

    Folha de S.Paulo
    19 de setembro de 2026 às 16:00
    Caso Matsunaga vira empecilho para venda de cobertura de R$ 2,8 milhões em São Paulo
    Apartamento espaçoso com escada interna de madeira e vidro, varanda com guarda-corpo de vidro e vista para prédios ao redor em dia ensolarado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    A corretora Cristiane Gomes, 43, diz ter pensado que começaria o mês de agosto com uma venda milionária. Uma cliente dela havia demonstrado interesse em uma cobertura de R$ 2,8 milhões , na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo . "Ela visitou o imóvel, gostou bastante e disse que conversaria com o marido", conta.

    Cobertura em que Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, colocada à venda por R$ 2,8 milhões - Quinto Andar/Reprodução · Quinto Andar/Reprodução
    Cobertura em que Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, colocada à venda por R$ 2,8 milhões - Quinto Andar/Reprodução · Quinto Andar/Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O preço, a localização e o tamanho da cobertura tríplex de 340 metros quadrados agradaram a possível compradora. "O imóvel é muito bom, você se perde nele de tão grande que é", diz a corretora.

    Dias depois, porém, a cliente desistiu do imóvel. Parecia uma situação comum na rotina de Gomes, que há 15 anos trabalha como corretora em São Paulo. No entanto, ela se surpreendeu ao descobrir o motivo.

    "Essa cliente me ligou chorando, desesperada. Ela falou que não iria morar em um apartamento em que assassinaram uma pessoa de forma tão cruel", relata.

    Imagens da Elize Matsunaga
    Imagens da Elize Matsunaga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo Gomes, a mulher descobriu por meio do marido, que pesquisou sobre o imóvel, que a cobertura havia sido o local em que Elize Matsunaga matou e esquartejou o cônjuge, o empresário Marcos Matsunaga, em maio de 2012 . "Eu fiquei surpresa, porque também não sabia que aquele era o apartamento do crime ", diz Gomes.

    O episódio ilustra a dificuldade encontrada para vender imóveis ligados a crimes, especialmente em casos famosos, como o da cobertura da Vila Leopoldina.

    Uma das formas de atrair um comprador foi reduzir o preço do apartamento, segundo corretores ouvidos pela reportagem. Eles dizem que o imóvel está com valor abaixo do mercado. "Eu diria que vale uns R$ 3,5 milhões", avalia Gomes.

    Fachada do Edifício Roma, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, onde o empresário Marcos Matsunaga foi assassinado pela então esposa, Elize Matsunaga, em 2012 - Rafaela Araújo - 08.jul.26/Folhapress · Rafaela Araújo - 08.jul.26/Folha
    Fachada do Edifício Roma, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, onde o empresário Marcos Matsunaga foi assassinado pela então esposa, Elize Matsunaga, em 2012 - Rafaela Araújo - 08.jul.26/Folhapress · Rafaela Araújo - 08.jul.26/Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O imóvel foi colocado à venda em julho passado, após o fim de imbróglios judiciais. No edifício, vizinhos costumavam comentar sobre a propriedade, mas ninguém sabia qual seria o destino do imóvel. Segundo eles, os atuais donos têm mantido os pagamentos do condomínio em dia, sem inadimplência.

    O apartamento, segundo anúncios de imobiliárias, tem cinco suítes e quatro vagas na garagem. Um dos pontos destacados na divulgação é a proximidade com o parque Villa-Lobos.

    O apartamento tem condomínio de cerca de R$ 6.000 mensais. Além disso, o IPTU custa R$ 19,3 mil por ano, parcelado em 12 vezes.

    Entrada iluminada de condomínio residencial com guarita branca e portão metálico fechado. Em frente, um carro branco estacionado e duas pessoas em uma motocicleta aguardam na rua. Ao fundo, prédio alto com várias varandas e janelas, algumas
    Entrada iluminada de condomínio residencial com guarita branca e portão metálico fechado. Em frente, um carro branco estacionado e duas pessoas em uma motocicleta aguardam na rua. Ao fundo, prédio alto com várias varandas e janelas, algumas — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A reportagem tentou contato com representantes da família Matsunaga, proprietária do imóvel, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

    A Folha ouviu alguns corretores de São Paulo que contaram que o imóvel virou alvo constante de comentários da categoria. Enquanto alguns sabem do que se trata quando recebem alguma notificação de visita no local, outros desconhecem o fato e só descobrem depois.

    "Se eu soubesse, teria sido bem verdadeira com a cliente. Graças a Deus, eu vendo quatro a cinco imóveis por mês e sempre falo a verdade para todos os meus clientes. Eu prefiro perder a venda a ter que mentir", diz Gomes.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O Creci-SP (Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo) costuma orientar que os corretores falem sobre os crimes que tenham ocorrido em um imóvel à venda. Isso porque ocultar de um comprador o histórico do local pode levar até mesmo a um processo por indenização por danos morais.

    Nas últimas semanas, a cobertura da família Matsunaga tem sido visitada com frequência. Já foram apresentadas algumas propostas, mas nenhuma seguiu adiante. Ela permanece disponível para visitas.

    O imóvel abrange duas coberturas, que foram compradas por Marcos Matsunaga e reformadas para que se tornassem um único apartamento.

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    "Eu achei a cobertura maravilhosa. Ela é bem grande, tem uma vista fantástica e todos os cômodos são amplos. Tem uma piscina privativa e uma churrasqueira grande", diz a corretora.

    "Não senti nenhum clima pesado ali. Eles devem ter levado todas as religiões para orar no apartamento", acrescenta Gomes.

    Parte dessa cobertura estava em nome de Elize, que perdeu o direito após decisão judicial depois do crime. Desde então, a família Matsunaga ficou responsável pela propriedade.

    Elize foi condenada em 2016 pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A pena chegava a quase 19 anos de prisão. Em maio de 2019, ela obteve na Justiça a redução de sua pena em dois anos e seis meses. Na época, a Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) aceitou um pedido da defesa. Desde 2022, ela está em liberdade condicional .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/09/caso-matsunaga-vira-empecilho-para-venda-de-cobertura-de-r-28-milhoes-em-sao-paulo.shtml.

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    Cobertura em que Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, colocada à venda por R$ 2,8 milhões - Quinto Andar/Reprodução · Quinto Andar/Reprodução — Foto: Folha de S.Paulo

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