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    Caso Master lança suspeita sobre origem de precatórios

    Em uma nova frente de investigação das fraudes do Banco Master , suspeita-se que um dos ramos de atuação da gangue de Daniel Vorcaro era o suborno de juízes, tentado ou bem-sucedido, a fim de obter ganhos no mercado de precatórios -dívidas do setor público arbitradas pelo Poder Judiciário. Leia mais (09/24/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    25 de setembro de 2026 às 01:00
    Caso Master lança suspeita sobre origem de precatórios
    Fachada de vidro de agência do Banco Master com logo azul e branco e nome em letras metálicas fixadas na parede externa. — Foto: Folha de S.Paulo

    Texto não assinado que expressa a opinião da Folha

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    Detalhe da fachada do Banco Master, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress
    Detalhe da fachada do Banco Master, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em uma nova frente de investigação das fraudes do Banco Master , suspeita-se que um dos ramos de atuação da gangue de Daniel Vorcaro era o suborno de juízes, tentado ou bem-sucedido, a fim de obter ganhos no mercado de precatórios —dívidas do setor público arbitradas pelo Poder Judiciário.

    Como revelou a Folha , Vorcaro tem ao menos R$ 14,3 bilhões investidos em ações judiciais dependentes de decisões de tribunais para se tornarem lucrativas. Tais ativos estavam entre os principais negócios do Master, operados no mercado de valores a receber de precatórios.

    Embora em grande parte rotineiro e regular, esse mercado cria um incentivo para a manipulação de processos. É possível, por exemplo, comprar o direito de receber um possível precatório —e é fácil entender que uma decisão judicial favorável valoriza esse direito de modo substancial.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Quanto menor a probabilidade de sentença favorável, maior o deságio a ser pago na compra desses chamados pré-precatórios e maior o ganho em caso de sucesso. Subornar juízes pode vir a ser investimento rentável.

    Mensagens dão a entender que Vorcaro investiu na compra de favores e amizades também em tribunais superiores. Tinha interesse, por exemplo, em indenizações reivindicadas por empresas supostamente prejudicadas pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), monstrengo corrupto e burocrático de intervenção na economia extinto em 1990.

    Chama a atenção, ainda, o exorbitante contrato de até R$ 427 milhões firmado entre o Master e a advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região —ligado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques e alvo de operação do Conselho Nacional de Justiça nesta quinta (24).

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O mesmo CNJ cancelou o pagamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios de usinas de açúcar que haviam vendido direitos ao banco. A medida protege por ora o dinheiro do contribuinte, mas resta muito a ser investigado.

    De 2023 a 2025, o governo federal pagou em média R$ 112 bilhões em precatórios e RPVs (requisições de pequeno valor), o equivalente a mais de 4% da despesa. Os valores incluem atrasados por manipulações fiscais do governo Jair Bolsonaro ( PL ), mas são crescentes. De 2008 a 2014, foram em média de R$ 32 bilhões por ano. De 2019 a 2021, de R$ 62 bilhões.

    Em 2025, 42,7% da despesa referia-se a benefícios previdenciários; cerca de 9%, a casos de servidores; 42,3%, aos "demais", onde estão grandes dívidas.

    Essa montanha de débitos pode se originar de incompetência, mau funcionamento da máquina pública ou leis ruins. O grande negócio pode estar em processos antigos e de origem suspeita.

    Vorcaro decerto não é o único a atuar nesse universo. É preciso criar um sistema que permita lançar mais luz sobre os riscos não apenas fiscais, mas criminais, desse tipo de despesa pública.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/09/caso-master-lanca-suspeita-sobre-origem-de-precatorios.shtml.

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    Detalhe da fachada do Banco Master, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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