Caso Gisele: Laudo descarta suicídio e conclui que PM foi assassinada
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado pelo feminicídio da esposa, segue preso em São Paulo

Um laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo aponta que a hipótese de suicídio da soldado Gisele Alves Santana foi considerada incompatível com os elementos analisados na investigação . Segundo a perícia, a policial foi assassinada .
Para a polícia, restou evidente a intervenção de uma segunda pessoa na morte de Gisele . O tentente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ex-marido da vítima, é acusado pelo feminicídio e está preso desde março deste ano.
O documento, obtido pela CNN Brasil , alega que a hipótese de que a morte teria sido decorrente de suicídio foi falsificada e, portanto, descartada. Segundo o instituto, a avaliação técnica identificou divergências materiais determinadas entre a versão inicialmente apresentada e os vestígios físicos encontrados .

A perícia destaca ainda a análise do conjunto de padrões de manchas de sangue e dos demais elementos coletados no local, como fotografias e provas materiais, que descartaram a possibilidade de Gisele ter tirado a própria vida.
O documento, assinado nesta terça-feira (1º), é complementar a laudos periciais anteriores e foi elaborado para responder a questionamentos apresentados por um assistente técnico da defesa.
A soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no Brás, na região central de São Paulo, no último dia 18 de fevereiro. Inicialmente tratada como suicídio, a ocorrência evoluiu para um inquérito de feminicídio qualificado e fraude processual .

D acordo com o MP, após o crime o oficial teria tentado simular um suicídio ao posicionar a arma na mão da vítima e alterar a cena para induzir a investigação a erro.
Laudos periciais apontam inconsistências na versão apresentada pela defesa. As investigações identificaram vestígios de sangue nas roupas do acusado e indícios de que ele teria tomado banho após o crime para eliminar provas.
Entenda: Veja como foi o feminicídio de PM em SP, segundo laudo

Para o Ministério Público, o homicídio foi praticado por motivo torpe , relacionado ao sentimento de posse e à recusa do acusado em aceitar o fim do relacionamento. A denúncia também afirma que Gisele foi surpreendida, sem possibilidade de defesa, circunstância que qualifica o crime.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, marido de Gisele, está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual.
O interrogatório do réu, previsto para a última sexta-feira (28), foi novamente adiado e deve ocorrer em 8 de setembro, às 10h, conforme determinação da Justiça de São Paulo.

Nesse período, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) também manteve a prisão preventiva do tenente-coronel em decisão foi publicada no DJEN (Diário de Justiça Eletrônico Nacional), na quinta-feira (27), após um pedido de habeas-corpus da defesa.
A defesa do tentente-coronel, composta pelo advogado Eugênio Malavassi, afirmou que analisa a reposta do Instituto de Criminalística sobre os quesitos apresentados no laudo, juntamente com o assistente técnico.
A defesa técnica dos familiares de Gisele, por sua vez, reiterou que "jamais teve dúvidas de que a morte foi resultado de um feminicídio". Para o advogado Miguel Silva, o laudo complementar reforça as provas já existentes e confirma que Gisele foi assassinada pelo tenente-coronel, apontado como como autor do crime.
Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/caso-gisele-laudo-descarta-suicidio-e-conclui-que-pm-foi-assassinada/.

A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrou uma divergência temporal que pode ser determinante para o desfecho do inquérito. • Montagem CNN · • Montagem CNN — Foto: CNN Brasil
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