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    Casas de animais revelam estratégias de abrigo, caça e reprodução

    Muito antes de existirem tijolos, guindastes ou arquitetos, os animais já erguiam construções. Desde os menores exemplos, como os ninhos dos pássaros pequenininhos, até os imensos cupinzeiros erguidos na grama nas regiões rurais, o mundo animal está repleto de casas incríveis . Leia mais (08/27/2026 - 08h00)

    Folha de S.Paulo
    27 de agosto de 2026 às 11:00
    Casas de animais revelam estratégias de abrigo, caça e reprodução
    Garça branca com cabeça preta está em ninho grande sobre galho de árvore seca sem folhas, contra céu roxo ao entardecer. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Muito antes de existirem tijolos, guindastes ou arquitetos, os animais já erguiam construções. Desde os menores exemplos, como os ninhos dos pássaros pequenininhos, até os imensos cupinzeiros erguidos na grama nas regiões rurais, o mundo animal está repleto de casas incríveis .

    Tuiuiú em ninho, em cima de uma árvore - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress
    Tuiuiú em ninho, em cima de uma árvore - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Conheça exemplos de animais que constroem suas próprias casas na terra, na água e no ar, e outros casos em que inquilinos alugam as casas que já foram dos outros.

    Pássaros As casas das aves são os ninhos, e eles servem para várias coisas: chocar os ovos, manter os filhotes aquecidos e proteger a família contra chuva, vento e predadores. A bióloga Pilar L. Maia Braga, doutora em ecologia, explica que esses ninhos podem ser feitos de vários materiais, a depender da espécie. O joão-de-barro, por exemplo, usa argila, enquanto o beija-flor usa teias de aranha.

    A maioria usa galhos, fungos, pelos e plástico; algumas aves fazem ninhos isolados, outras vivem em colônias.

    Filhote de beija-flor em ninho - Rivaldo Gomes/Folhapress · Rivaldo Gomes/Folhapress
    Filhote de beija-flor em ninho - Rivaldo Gomes/Folhapress · Rivaldo Gomes/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "É o caso dos xexéus, que constroem grandes condomínios. Outro exemplo muito interessante é o da caturrita, uma espécie de periquito que constrói o ninho de forma coletiva. Os ninhos são bem grandes, podendo ter mais de um metro de diâmetro, e são feitos para abrigar vários indivíduos que vivem de forma colaborativa", conta Pilar.

    Os ninhos podem ficar em rochas, árvores, solo, água e cupinzeiros. Pardais , andorinhas-do-campo e corrupiões usam construções existentes.

    "Em outros casos, algumas espécies como o chupim e a iraúna simplesmente depositam seus ovos em outros ninhos, para que outra espécie cuide dos seus filhotes. Estes hábitos representam um tipo de parasitismo e podem ser de grande prejuízo para as espécies hospedeiras."

    Castor na água transportando galho de árvore - Tom/Adobe Stok · Tom/Adobe Stok
    Castor na água transportando galho de árvore - Tom/Adobe Stok · Tom/Adobe Stok — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Montes de terra dura que chegam a dois metros no campo são cupinzeiros, construídos por cupins de montículo para habitar.

    Segundo o biólogo Humberto Conzo Junior, da USP, operários constroem os montículos com saliva e fezes.

    "Isso forma um bioconcreto que se petrifica. Eles vão moldando a estrutura grão por grão com uma engenharia interna natural que garante fluxo de ar, ventilação, controle térmico e hídrico.

    Cresce relatos de enxames de vespas na cidade de São Paulo
    Cresce relatos de enxames de vespas na cidade de São Paulo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Esses cupinzeiros normalmente abrigam algo entre 1 e 10 milhões de cupins, dependendo da espécie e da longevidade da colônia", explica Humberto.

    Cupinzeiros abandonados ou com galerias inativas podem abrigar cobras, lagartos e outros animais.

    Humberto cita ainda cupins de madeira seca, subterrâneos, arbóreos e de grama, que ocupam móveis, solo, árvores ou raízes de gramíneas.

    Explosão de cores em detalhes de aranhas e moscas
    Explosão de cores em detalhes de aranhas e moscas — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo maior roedor do mundo, depois da capivara , o castor semiaquático constrói barragens com troncos, galhos, pedras, vegetação e lama.

    "A ideia é diminuir a velocidade da água e aumentar a profundidade, e com isso criar um abrigo seguro para a família de castores", ensina Thaís Alves, mestre em biologia animal pela Universidade Federal de Viçosa e consultora ambiental. Uma parte desse abrigo é seca, mas sua entrada é embaixo d’água, para evitar os predadores.

    "Quando eles represam a água, formam também uma área alagada que pode ser usada por outros animais, criando condições a outras espécies. Por isso, são chamados pelos cientistas de ‘engenheiros de ecossistema’."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Algumas vespas têm hábitos curiosos em relação às suas casas. A vespa-papel, do gênero Polistes, usa fibras de madeira mastigada como material de construção de seus ninhos. Ela mistura essas fibras à sua saliva, e com isso cria uma "pasta" parecida com papelão –daí o nome pelo qual ela ficou popularmente conhecida. Esses ninhos parecem favos de mel abertos, e costumam ficar em lugares protegidos tipo o beiral do telhado, uma varanda ou janela, ou galhos de árvores.

    A vespa-caçadora, do gênero Pepsis, também chamada vespa-oleira ou amassa-barro, faz ninhos estreitos em paredes ou tetos. Ela paralisa aranhas, guarda-as como alimento e fecha o ninho com barro.

    As teias servem sobretudo para caçar e abrigar ovos; para cada função, a aranha usa um tipo de seda produzido por glândulas do corpo.

    Castor na água mordendo um galho grosso com folhas verdes, cercado por outros galhos flutuantes.
    Castor na água mordendo um galho grosso com folhas verdes, cercado por outros galhos flutuantes. — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Composta sobretudo de proteínas, a seda é líquida e se solidifica ao contato com o ar.

    "As aranhas de alçapão fazem uma portinha nas tocas, e elas fecham essas portinhas. Acontece que elas deixam um monte de fios no solo para perceber quando alguém passar por ali. E, quando ela sente alguma presa passando na teia , ela pula para fora da toca para agarrar", conta Guilherme Piva, licenciado em ciências biológicas pelo IF Sudeste MG, e mestre em ecologia pela Universidade Federal de Viçosa.

    Outra casa de aranha é a da espécie Argyroneta aquatica , que faz uma câmara de ar em volta do abdômen (já que nas aranhas os pulmões e/ou traquéias ficam no abdômen). Essa câmara permite a ela mergulhar e caçar debaixo d'água. "Elas fazem isso usando plantas aquáticas e carregando bolhas da superfície, já que as pernas dessa aranha têm pelinhos à prova d'água", diz Guilherme.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Baiacus O macho de Torquigener albomaculosus (baiacu-de-manchas-brancas) desenha, com as nadadeiras, um ninho circular de até dois metros na areia do mar para atrair fêmeas e receber ovos.

    Tatus No Brasil, o tatu-canastra escava tocas profundas. "E ele vai fazer várias tocas ao longo da vida. Aí, quando abandona uma dessas tocas, ela vai virar refúgio para outras espécies de aves, répteis e mamíferos, que vão usar aquele espaço seguro para se proteger de predadores, do fogo, e até mesmo para descansar um pouquinho", conta Thaís Alves.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/folhinha/2026/08/casas-de-animais-revelam-estrategias-de-abrigo-caca-e-reproducao.shtml.

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    Tuiuiú em ninho, em cima de uma árvore - Rafaela Araújo/Folhapress · Rafaela Araújo/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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