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    Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bi e avalia recuperação extrajudicial ou judicial

    A rede de varejo Casas Bahia disse neste domingo (16) que avalia uma renegociação de suas dívidas com credores, o que pode incluir um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial. Leia mais (08/16/2026 - 10h33)

    Folha de S.Paulo
    16 de agosto de 2026 às 13:33
    Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bi e avalia recuperação extrajudicial ou judicial
    A imagem mostra o interior de uma loja de eletrodomésticos. À esquerda, há várias geladeiras brancas em exibição, algumas com etiquetas de preço visíveis. No centro, um vendedor está ajudando um cliente a verificar o interior de uma geladei — Foto: Folha de S.Paulo

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    A rede de varejo Casas Bahia disse neste domingo (16) que avalia uma renegociação de suas dívidas com credores, o que pode incluir um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial.

    Clientes escolhem geladeira em loja das Casas Bahia - Casas Bahia/Divulgação · Casas Bahia/Divulgação
    Clientes escolhem geladeira em loja das Casas Bahia - Casas Bahia/Divulgação · Casas Bahia/Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A empresa teve um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre na comparação com uma perda de R$ 555 milhões em igual período do ano passado. Com as perdas, o patrimônio líquido da Casas Bahia está negativo em R$ 8,1 bilhões.

    "Dentre as medidas avalias pela companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial", afirmou a varejista na divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre.

    A dívida líquida da empresa ficou em R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A Casas Bahia disse que as perdas se referem a uma baixa de R$ 5,7 bilhões em imposto de renda diferido, ágio, revisões contratuais, reorganização de pessoal e fechamento de lojas.

    A empresa afirmou que, em um cenário de juros altos e endividamento das famílias, reduziu o volume de compras de estoque.

    "Essa decisão tem efeito positivo sobre o fluxo de caixa deste trimestre, mas é também o gatilho mais direto para a necessidade de redimensionar a operação: comprar de forma estruturalmente menor significa operar em uma escala menor", afirma.

    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável
    Ilustração para Economia - Governo vai implantar sistema de chamadas verificadas contra fraudes telefônicas - Ferramenta será capaz de indicar se ligação partiu ou não de origem confiável — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A companhia informou que fechou 298 lojas e que está revisando seu quadro de colaboradores. Segundo informações do jornal Valor Econômico, a varejista demitiu cerca de duas mil pessoas na semana passada.

    "Até a data de autorização destas informações financeiras intermediárias, a Companhia concluiu o fechamento de 298 lojas, selecionadas considerando, entre outros fatores, seu desempenho operacional, necessidade de capital empregado e retorno econômico diante do atual custo de capital", disse a varejista no balanço.

    A varejista disse ainda que está revisando o seu quadro de colaboradores para ajustá-lo ao novo dimensionamento da operação, além de revisão de contratos, despesas e investimentos, "buscando uma estrutura de custos compatível com o nível esperado de atividade e geração de caixa."

    O balanço ainda menciona a revisão da estratégia comercial dos seus canais digitais, priorizando margem, geração de caixa e retorno sobre o capital empregado em relação ao crescimento de volumes em operação ou categorias que não apresentem retorno econômico adequado.

    "A companhia está revisando os níveis e a composição dos estoques, o sortimento e os volumes de compras, buscando melhorar o capital de giro e reduzir estruturalmente a necessidade de capital empregado", diz a empresa no balanço.

    Com o prejuízo informado neste domingo, a Casas Bahia registra o seu oitavo trimestre seguido de prejuízos, em uma trajetória de perdas que, segundo analistas, vem se intensificando com os juros altos, que incidem sobre sua elevada despesa financeira, e a inadimplência crescente da população.

    Desde a última vez que reportou lucro, no segundo trimestre de 2024, mesmo período em que entrou em recuperação extrajudicial, a varejista acumula resultados negativos que foram aumentando de tamanho.

    Se entre o terceiro trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025 a companhia apresentava prejuízos de centenas de milhões de reais, o rombo escalou e ultrapassou R$ 1 bilhão nos períodos que se seguiram, escancarando a crise financeira da empresa.

    "O fator determinante para a Casas Bahia estar na situação em que está hoje é o que tem afetado diversas empresas de varejo no Brasil, que é o longo e persistente ciclo de juros reais muito altos", aponta o consultor de varejo Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail.

    Uma sequência de números divulgados por varejistas na semana passada indicaram que a desaceleração do consumo e o aumento do endividamento das famílias castigam o setor mais do que o esperado.

    O Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 1,8 milhão registrado um ano antes. A Renner afirmou que não conseguirá bater a meta de vendas que previa para 2026, enquanto a C&A veio com números considerados abaixo das expectativas dos analistas.

    "O varejo talvez seja o setor mais penalizado pelo nível elevado dos juros , que permaneceram altos por muito tempo. As famílias continuam bastante endividadas e a concorrência no setor é intensa", afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

    Serrentino lembra que a taxa básica (Selic), hoje em 14% ao ano, estava em 2% ao ano entre o final de 2020 e início de 2021, e que os juros baixos estimularam muitas empresas do setor a se alavancarem na época.

    "O custo de capital era muito barato e havia muita liquidez na saída da pandemia. Mas quando os juros subiram repentinamente e chegaram ao patamar que estão hoje, a estrutura de capital dessas companhias passou a não suportar mais os seus modelos econômicos, que são negócios de baixas margens e muita competição", avalia Serrentino.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/casas-bahia-diz-que-avalia-pedir-recuperacao-extrajudicial-ou-judicial.shtml.

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