Cartão de crédito ainda é 'porta de entrada' para o Mercado Pago, diz CFO do Mercado Livre
"Não é o mais rentável, mas é uma porta de entrada para usuários dentro do Mercado Pago", diz João Paulo Lima, CFO do Mercado Livre no Brasil, sobre o papel do cartão de crédito na estratégia da companhia. Leia mais (08/24/2026 - 17h07)

Editado por Alex Sabino (interino), espaço cobre os bastidores da economia e de negócios. Com Luana Franzão e Maria Clara Guilherme
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"Não é o mais rentável, mas é uma porta de entrada para usuários dentro do Mercado Pago", diz João Paulo Lima, CFO do Mercado Livre no Brasil, sobre o papel do cartão de crédito na estratégia da companhia.
O cartão responde por 52% da carteira de crédito do Mercado Pago, segundo o balanço do segundo trimestre de 2026 —US$ 6,2 bilhões (R$ 32 bilhões) líquidos de provisão, de um total de US$ 11,9 bilhões (R$ 61,2 bilhões). A linha exige provisão mais alta para perdas com inadimplência do que as demais, o que reduz sua rentabilidade direta, mas funciona como via de captação de novos usuários da paytech.

A empresa opera três linhas de crédito —consumidor, cartão e capital de giro para pequenas e médias empresas — e precifica o custo de captação de acordo com o risco de cada uma. "Onde o risco é maior, o funding é maior, o custo de funding é maior. A gente repassa isso para se proteger do risco atrelado a cada uma dessas categorias", diz Lima em entrevista à coluna.
O crédito para pequenas e médias empresas é destinado a capital de giro de vendedores que já operam na adquirência do Mercado Pago ou na própria plataforma do Mercado Livre. O crédito ao consumidor, segundo o executivo, atende usuários que compram através do Mercado Pago.
Para avaliar o risco de cada tomador, a empresa recorre a dados próprios: a maior parte dos clientes de crédito já é cliente ou vendedor do Mercado Livre, ou tem conta no Mercado Pago, o que permite à companhia cruzar histórico de transações da própria plataforma na análise de concessão.

Questionado sobre o papel da inteligência artificial na operação, Lima diz que a adoção da tecnologia no Mercado Livre já está em "nível de investimento elevado" nas áreas de finanças, jurídico e atendimento ao cliente, e que a empresa agora busca medir o retorno desses investimentos.
Segundo o executivo, o Mercado Livre soma cerca de 90 mil funcionários no Brasil, sem plano de redução de efetivo apesar do avanço da IA nas operações internas.
A expansão da empresa na América Latina , segundo Lima, segue apoiada na baixa digitalização do varejo e dos serviços financeiros na região —ele cita que 17% a 18% do varejo brasileiro está digitalizado, com o restante ainda operando de forma offline.
A carteira de crédito total do Mercado Livre somou US$ 16,4 bilhões (R$ 84 bilhões) em 30 de junho de 2026, avanço de 75% em dólares na comparação anual, segundo dado divulgado pela companhia.
A empresa emitiu 2,6 milhões de cartões de crédito no trimestre, ante 1,6 milhão no mesmo período de 2025. A inadimplência de 15 a 90 dias ficou em 4,6% na carteira de cartões e em 7,0% na carteira total, ambas próximas de mínimas históricas, segundo a empresa.
O trimestre teve receita líquida recorde de US$ 10,2 bilhões (R$ 52,4 bilhões), alta de 49,8% ante o mesmo período de 2025, mas o lucro líquido caiu 10,9%, para US$ 466 milhões (R$ 2,4 bilhões), com margem líquida de 4,6%.
A queda de rentabilidade ocorre em meio ao aumento nos custos de captação do crédito e na provisão para devedores duvidosos, que cresceu 84,9% no trimestre, reflexo direto da expansão da carteira, sobretudo em cartões.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2026/08/cartao-de-credito-ainda-e-porta-de-entrada-para-o-mercado-pago-diz-cfo-do-mercado-livre.shtml.

Centro de distribuição do Mercado Livre, em Cajamar, na Grande São Paulo - Karime Xavier-25.mai.22/Folhapress · Karime Xavier-25.mai.22/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo
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