Economia

    Carros elétricos aceleram corrida por lítio, cobre e grafita; Brasil busca espaço

    (Radar Mineração) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/10/minerais-criticos-carro-eletrico.png?fit=1280%2C756&quality=70&strip=all" />Com vendas globais de elétricos acima de 20 milhões de unidades, demanda por minerais críticos aquece, mas expõe riscos de oferta; especialistas veem oportunidade para o Brasil avançar além da extração The post Carros elétricos aceleram corrida por lítio, cobre e grafita; Brasil busca espaço appeared first on InfoMoney .

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    9 de outubro de 2026 às 15:47
    Carros elétricos aceleram corrida por lítio, cobre e grafita; Brasil busca espaço
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    As vendas globais de carros elétricos ultrapassaram 17 milhões de unidades em 2024, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). No mesmo ano, a demanda por baterias para veículos elétricos superou 950 GWh, crescimento de 25% em relação a 2023. Já em 2025, as vendas globais de carros elétricos ultrapassaram a marca de 20 milhões de unidades, o que representa uma alta de 20% em relação ao ano anterior. Com isso, os veículos elétricos responderam por um quarto das vendas mundiais de carros novos, segundo a IEA.

    Esse avanço amplia a necessidade de minerais, mas em intensidades diferentes. O lítio e a grafita são fundamentais para as baterias de íons de lítio. Níquel, cobalto e manganês são utilizados em diferentes químicas de cátodos, enquanto o cobre participa dos sistemas elétricos e da infraestrutura associada à eletrificação. Terras raras, como neodímio e praseodímio, são utilizadas em ímãs permanentes presentes em determinados motores elétricos.

    Apesar da demanda crescente, a cadeia permanece concentrada. A IEA estima que a demanda por lítio cresça cerca de cinco vezes até 2040 no cenário de políticas atuais. Para grafita e níquel, a projeção é de aproximadamente o dobro no mesmo período. A demanda por cobalto e terras raras também deve crescer, enquanto a de cobre deve avançar cerca de 30%.

    Conjunto de baterias de lítio para carros elétricos (Foto: asharkyu/ Shutterstock)
    Conjunto de baterias de lítio para carros elétricos (Foto: asharkyu/ Shutterstock) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    O desafio está também na concentração geográfica da cadeia. Em 2025, o país líder no refino dos principais minerais associados à transição energética respondeu, em média, por 70% da oferta refinada, segundo a IEA. A concentração aumentou em relação aos anos anteriores, impulsionada principalmente pela expansão do refino de níquel na Indonésia e de outros minerais na China. Entre 2023 e 2025, esses dois países responderam por mais de três quartos do crescimento da oferta refinada dos principais minerais analisados pela agência.

    A concentração é relevante para a indústria de baterias. Em 2025, a China respondeu por mais de 80% da produção mundial de células de baterias, enquanto empresas chinesas, sul-coreanas e japonesas forneceram praticamente todas as células utilizadas globalmente, segundo a IEA.

    Entre os minerais utilizados nos veículos elétricos, o lítio está entre os que apresentam maior perspectiva de crescimento. A IEA aponta que a oferta dos projetos atualmente anunciados pode ficar 40% abaixo da demanda projetada para 2035 no cenário de políticas atuais.

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    No cobre, a diferença potencial também chama atenção. A agência estima uma possível lacuna de 30% entre a oferta das minas e a demanda projetada para 2035, considerando os projetos atualmente anunciados. A expansão das redes elétricas, da geração renovável e da infraestrutura de recarga também contribui para esse aumento da demanda.

    A grafita apresenta outro tipo de vulnerabilidade: a concentração do processamento. A China permanece como principal elo da cadeia mundial de grafita utilizada em baterias, especialmente na etapa de processamento do material para uso como ânodo.

    O Brasil possui recursos e produção de minerais relevantes para a eletrificação, incluindo lítio, grafita, níquel, manganês e cobre, além de potencial em terras raras.

    Conjunto de baterias de lítio para carros elétricos (Foto: asharkyu/ Shutterstock)
    Conjunto de baterias de lítio para carros elétricos (Foto: asharkyu/ Shutterstock) — Foto: InfoMoney · Fonte: InfoMoney

    Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), lítio, níquel, cobalto, grafita e manganês são utilizados em baterias de íons de lítio, enquanto lítio, terras raras, cobre, níquel e alumínio estão associados aos veículos elétricos. As terras raras, como neodímio e praseodímio, também são utilizadas na fabricação de ímãs permanentes de alta performance.

    Para o país, a questão vai além da disponibilidade geológica. A própria ANM destacou que o Brasil ainda apresenta dependência externa em etapas de maior valor agregado, como compostos químicos refinados, materiais de alta pureza, ímãs permanentes e componentes industriais.

    A evolução do mercado de carros elétricos amplia a importância dos minerais críticos, mas também evidencia o desafio de transformar recursos minerais em participação efetiva nas cadeias industriais de baterias, motores e componentes elétricos.

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    A transição energética, a eletrificação e a digitalização ampliam a demanda global por cobre, lítio, terras raras e outros minerais, criando uma oportunidade para o Brasil transformar seus recursos minerais em novas cadeias produtivas. Representantes da Vale, BNDES e Ibram defendem investimentos em novos projetos, infraestrutura, financiamento e conhecimento geológico, além de maior agregação de valor aos minerais produzidos no país.

    Entre os principais desafios estão o tempo necessário para desenvolver projetos de mineração, o licenciamento ambiental e o baixo nível de mapeamento geológico do território brasileiro. Segundo reportagem do Radar Mineração, apenas 28% do território está mapeado geologicamente. A estratégia defendida inclui ampliar a produção de minerais críticos, desenvolver etapas industriais como baterias, aproveitar o potencial do minério de ferro de alto teor e melhorar as condições para investimentos e financiamento do setor.

    O Radar Mineração é uma plataforma de conteúdo patrocinada pela Vale e dedicada a ampliar o debate sobre o papel do setor na transição energética e no futuro da sociedade

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