Carreira de Messi com a Argentina começou com equívoco e terminou em glória
A história entre Lionel Messi , um dos maiores jogadores de todos os tempos, e a seleção argentina começou com um equívoco. Leia mais (08/31/2026 - 16h09)

Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos
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A história entre Lionel Messi , um dos maiores jogadores de todos os tempos, e a seleção argentina começou com um equívoco.
"Eu gostaria de falar com o seu filho Leonardo."
Jorge Messi não entendeu nada ao atender o telefone na casa da família em Barcelona , no primeiro semestre de 2004. Ninguém ali se chamava Leonardo. O funcionário da AFA (Associação do Futebol Argentino) havia recebido ordem do presidente da entidade, Julio Grondona , para encontrar um menino chamado Leo Messi, sobre o qual havia ouvido maravilhas. Ele morava na Espanha, mas era de Rosário, disseram-lhe.

O empregado concluiu que Leo só poderia ser Leonardo.
Foi naquela dia que começou a novela de Lionel Messi com a sua seleção. História de esperança, dúvidas, decepções, lágrimas de alegria e de tristeza, renúncia e glória. Trajetória encerrada nesta segunda-feira (31), quando o jogador de 39 anos anunciou sua aposentadoria da equipe nacional . Vai continuar apenas no Inter Miami, time da MLS (Major League Soccer) que é, na verdade, seu plano de aposentadoria. Quase uma ação entre amigos.
A busca urgente por "Leonardo" aconteceu pelos rumores de que a federação espanhola estava interessada em naturalizá-lo. A AFA arranjou um amistoso improvisado da seleção sub-20 da Argentina contra o do Paraguai apenas para que ele atuasse. Na época, isso seria suficiente para garantir que não poderia defender outro país.

A Espanha, onde viveu o auge técnico pelo Barcelona, foi também durante anos a sua maldição com a camisa alviceleste. Como empilhava títulos pelo clube e não ganhava nada pela seleção, as acusações se sucediam. Após a Copa de 2010 , quando já era o melhor do mundo, mas saiu sem fazer nenhum gol, a crítica era que lhe faltava personalidade. Na Copa América de 2011 , em que a final seria em Buenos Aires, a pergunta era por que ele não mostrava pelo time nacional o mesmo futebol do Barcelona. Messi é argentino, não espanhol, reclamavam. Ele nem canta o hino.
Como referente da "geração do quase", vice no Mundial de 2014 e nas edições de 2015 e 2016 da Copa América, dizia-se que ele jamais seria Maradona . Não se agigantava em partidas decisivas. "Não é para mim", chegou a dizer após a derrota nos pênaltis para o Chile em 2016, quando abandonou tudo pela primeira vez . Depois voltou atrás. No cabaré que foi a Argentina em 2018, na Rússia, até especulações sobre sua vida conjugal apareceram na imprensa.
Maradona foi seu ídolo, técnico e, principalmente, a sombra do que não conseguia fazer na seleção. Mesmo quando pré-adolescente, já convivia com as comparações.

"Achei para você um novo Maradona", escreveu Josep Maria Minguella , agente de futebol e conselheiro do Barcelona, para o presidente Joan Gaspart. Informou-lhe sobre o talento do menino que precisava de ajuda financeira para custear um tratamento hormonal e evitar o nanismo.
"Eu não sei uma maneira melhor de descrevê-lo. Ele é basicamente um pequeno Maradona", definiu Tito Villanova, que depois seria técnico de Messi no profissional, sobre o garoto de 13 anos.
Seria uma injustiça divina, para os crentes, que Messi deixasse a seleção sem a lua de mel que viria nos anos após o fracasso de 2018. Vencer com a Argentina era necessário para consolidar sua imagem de um dos maiores de todos os tempos. Ou o maior? Para Pep Guardiola , Xavi, Gary Lineker, Thiago Silva, Sergio Ramos, Luka Modric, Wayne Rooney, Luis Enrique, Arséne Wenger, entre outros, Lionel é o maior que já pisou um campo de futebol. Pelé não concordava.

"Para comparar com o Pelé tinha de ser alguém que chutasse bem com a esquerda, chutasse bem com a direita, fizesse gol de cabeça", disse o craque brasileiro à Folha , em 2018 .
Mas, se é impossível escolher o maior jogador da história, por falta de métricas objetivas, mudanças no futebol e tantas posições diferentes, é racional e lógico colocar Messi no mesmo nível de Pelé , Maradona ou qualquer outro.
A lua de mel com a seleção começou no primeiro momento visível de raiva que teve com a equipe. Na Copa América de 2019, o Brasil eliminou a Argentina na semifinal, em jogo de arbitragem contestada. Um Messi como nunca se vira atirou contra a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futbol) e vociferou que o campeonato estava arranjado para o time dirigido por Tite . Na disputa pelo terceiro lugar, foi expulso ainda no primeiro tempo em confronto físico com o chileno Gary Medel.
Era um novo Messi pela Argentina. Não se sabe se de forma consciente ou pela maturidade, fazia exatamente o que a torcida esperava dele. O Lionel tão entediado que "mordia as palavras para evitar que saíssem de sua boca", como definiu o jornalista Leonardo Faccio, estava morto.
"Tudo o que sempre quis foi ganhar títulos pela seleção", disse.
Ao mesmo tempo que se transformava em um atacante menos explosivo e mais cerebral por Barcelona, PSG e Inter Miami, ele realizou o sonho pela Argentina. Ganhou a Copa América de 2021, batendo o Brasil dentro do Maracanã ; triunfou na Finalíssima, dominando a Itália em 2022 como havia tempos um sul-americano não fazia com um europeu; teve uma Copa maradoniana em 2022, terminando com o título e sua imagem que ficará para a história, beijando o troféu que mais desejou ; foi campeão de novo da Copa América em 2024.
Era um Messi tão diferente que, mesmo no momento de derrota, ganhou. Como definir que uma Argentina envelhecida, cheia de lesões e com seu próprio capitão esgotado no segundo tempo de cada jogo tenha chegado à final de 2026 ? Um Mundial em que o camisa 10, aos 39 anos, teve talvez seu maior momento pela seleção, com sequência de partidas históricas até a derrota final contra uma Espanha melhor, mais jovem e mais bem condicionada fisicamente.
Ainda havia o drama do seu pai, doente e internado em Rosário, longe dos holofotes e com boatos sobre sua morte iminente na imprensa. E o fato de que Messi, no passo final da carreira com a seleção, tenha compartimentalizado a perda próxima daquele que era sua maior referência da vida para tentar a glória derradeira mostra o tamanho de Lionel Andrés Messi Cuccittini.
Quem cavar fundo vai perceber que escolher o melhor do mundo ou melhor da história do futebol é gosto pessoal. Mas não há como negar o lugar do agora ex-camisa 10 da Argentina no panteão dos gigantes desse esporte.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/08/carreira-de-messi-com-a-argentina-comecou-com-equivoco-e-terminou-em-gloria.shtml.

Lionel Messi, em sua estreia pela equipe principal da Argentina, em 2005; ele ficou pouco mais de um minuto em campo e foi expulso - Laszlo Balogh - 17.ago.25/Reuters · Laszlo Balogh - 17.ago.25/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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