Carne processada eleva risco de câncer no estômago e esôfago, diz estudo
Pesquisa com 450 mil pessoas associa consumo diário a maior risco e aponta efeito diferente entre tipos de carne

O consumo frequente de carne processada está associado a maior risco de câncer no estômago e no esôfago, segundo um estudo internacional com mais de 450 mil pessoas. A análise acompanhou os participantes por mais de 14 anos e comparou hábitos alimentares com registros de diagnóstico da doença.
Os resultados, publicados em maio no International Journal of Câncer , focaram em tumores do tipo adenocarcinoma, que se desenvolvem em células glandulares e estão entre os mais comuns nessas regiões do corpo.
Os pesquisadores calcularam que o consumo adicional de 30 gramas por dia de carne processada esteve associado a aumento de 9% no risco de câncer gástrico e de 13% no risco de adenocarcinoma de esôfago.

A relação foi mais evidente em um subtipo de câncer gástrico conhecido como intestinal. Esse tipo está entre os mais frequentes no mundo, enquanto o câncer de esôfago ocupa posição importante nas estatísticas globais.
Produtos como bacon, salsicha e outros embutidos fazem parte do grupo de carnes processadas, que passam por métodos como cura, defumação ou adição de conservantes.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação

Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago

A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados

Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos
Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago
Ao analisar outros tipos de carne, os pesquisadores encontraram resultados diferentes. A carne vermelha não processada não mostrou relação relevante com esses tumores.

Já a carne branca apresentou um comportamento específico. Entre mulheres, o consumo adicional de 20 gramas por dia foi associado a maior ocorrência de câncer em partes do estômago , algo que não apareceu entre homens.
Os autores indicam que fatores como o modo de preparo dos alimentos e a forma como o organismo processa proteínas podem ajudar a explicar os achados, mas ressaltam que essa relação ainda precisa ser melhor investigada.
No caso das carnes processadas, há mecanismos já estudados. O consumo pode aumentar a ingestão de sal e de substâncias formadas durante o processamento e o preparo, que podem irritar a mucosa do estômago.

Além disso, compostos gerados em altas temperaturas podem causar danos ao DNA e favorecer alterações celulares.
Apesar do número elevado de participantes e do longo acompanhamento, o estudo não permite afirmar relação de causa direta. Os dados sobre consumo de carne foram coletados apenas no início da pesquisa e podem ter mudado ao longo do tempo.
Ainda assim, os resultados se somam a evidências anteriores que associam o consumo de carne processada a maior risco de câncer. Os autores defendem que novas pesquisas investiguem os mecanismos envolvidos e ajudem a orientar recomendações alimentares.



Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/saude/carne-processada-eleva-risco-de-cancer-no-estomago-e-esofago-diz-estudo.

Magnific — Foto: Metrópoles
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