Brasil

    Carne bovina americana terá preferência em prisões, hospitais e escolas; veja medidas do pacote de Trump

    O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (31) um novo pacote de medidas para estimular a pecuária e ampliar a capacidade de processamento de carne nos Estados Unidos, em meio à ofensiva da Casa Branca contra a concentração do setor e às tentativas de conter os preços elevados do produto no país.

    UOL
    31 de agosto de 2026 às 18:00
    Carne bovina americana terá preferência em prisões, hospitais e escolas; veja medidas do pacote de Trump
    Homem de cabelo loiro claro penteado para trás, veste terno azul escuro, camisa branca e gravata azul, com fundo azul escuro desfocado. — Foto: UOL

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira (31) um novo pacote de medidas para estimular a pecuária e ampliar a capacidade de processamento de carne nos Estados Unidos , em meio à ofensiva da Casa Branca contra a concentração do setor e às tentativas de conter os preços elevados do produto no país.

    O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento no Texas em agosto - Kylie Cooper/REUTERS · Kylie Cooper/REUTERS
    O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento no Texas em agosto - Kylie Cooper/REUTERS · Kylie Cooper/REUTERS — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Trump e membros do seu gabinete, como o conselheiro da Casa Branca, Pete Navarro , afirmam que os EUA sofrem com o que chamam de "monopólio da carne". Um total de 85% do mercado é controlado por quatro empresas, sendo duas brasileiras: JBS e MBRF, que estão entre as quatro maiores companhias do setor no país, ao lado das americanas Cargill e Tyson Foods.

    Batizado de Ranchers First Initiative (Iniciativa Pecuaristas Primeiro, em tradução livre), o plano foi apresentado pelo Departamento de Agricultura, depois de Trump antecipar na sexta-feira (28) que o governo preparava novas medidas para favorecer produtores independentes e reduzir a dependência das quatro grandes processadoras que dominam o mercado americano .

    Entre as principais ações anunciadas estão a priorização da compra de carne americana processada localmente por órgãos públicos, criação de uma linha de empréstimos garantidos para processadores pequenos e regionais, incentivos para que pecuaristas mantenham novilhas para reprodução e medidas para facilitar a recuperação de áreas atingidas por desastres naturais.

    Pecuaristas nos EUA sofrem com preços da carne nos EUA
    Pecuaristas nos EUA sofrem com preços da carne nos EUA — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O governo também pretende incentivar a criação e a expansão de cooperativas de processamento, em uma tentativa de ampliar as alternativas disponíveis aos pecuaristas fora das grandes empresas do setor.

    Na sexta, o republicano afirmou que prepararia medidas legais para permitir que produtores tivessem mais alternativas para processar seus animais e acusou quatro grandes companhias de constituírem um "monopólio desagradável".

    A iniciativa divulgada nesta segunda, no entanto, ainda não detalha uma autorização ampla para que pecuaristas passem a abater e vender diretamente sua própria carne, como Trump havia indicado na sexta. O pacote se concentra principalmente em ampliar a capacidade de frigoríficos independentes e regionais e em reduzir a dependência dos grandes processadores.

    Imagem da matéria
    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O USDA afirmou que criará um programa de empréstimos garantidos para apoiar processadores regionais, incluindo cooperativas, expansão de pequenas empresas e instalações capazes de trabalhar com diferentes proteínas animais.

    O departamento também anunciou a criação de um programa voltado a fortalecer a continuidade dos processadores regionais. Segundo a pasta, o objetivo é aproveitar a capacidade de processamento que ficará disponível à medida que o rebanho americano voltar a crescer e direcioná-la para empresas independentes, pequenas e médias e novas cooperativas.

    Ao apresentar a medida, o USDA fez referência direta ao controle estrangeiro no setor. A pasta afirmou que pretende manter uma parcela maior da cadeia de carne americana fora das mãos de empresas estrangeiras e criticou um mercado que, segundo Rollins, tornou-se excessivamente consolidado e controlado por companhias de fora dos Estados Unidos.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: UOL · Fonte: UOL

    "Estamos investindo recursos reais para reconstruir o grande rebanho bovino americano, dando aos produtores as ferramentas de gerenciamento de risco de que precisam, cortando a burocracia que sufocou pequenos operadores independentes e exigindo transparência em um mercado que se tornou consolidado e controlado por estrangeiros", afirmou Rollins.

    Outra frente do pacote busca aumentar diretamente o número de animais disponíveis nos próximos anos. O governo criará uma modalidade de seguro para pecuaristas que decidirem manter novilhas para reprodução, em vez de enviá-las para o abate.

    A medida tenta atacar um dos problemas centrais do mercado americano de carne. O rebanho bovino dos EUA está no menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de secas, custos elevados e redução do número de produtores. A oferta apertada de gado contribuiu para levar os preços da carne bovina a níveis recordes.

    O governo também permitirá que produtores utilizem recursos do Emergency Conservation Program em áreas inscritas no Conservation Reserve Program para recuperar infraestrutura depois de incêndios e outros desastres naturais.

    Outra medida prevê que órgãos públicos deem prioridade à compra de carne americana processada localmente. O USDA pretende estimular esse tipo de aquisição em prisões, hospitais e outras instituições federais e estaduais e trabalhar com departamentos como Justiça, Saúde, Veteranos e Defesa para ampliar a demanda por carne produzida nos Estados Unidos.

    O pacote chega poucos dias depois de Trump tomar uma medida na direção oposta para tentar aliviar os preços pagos pelos consumidores: ampliar temporariamente a entrada de carne estrangeira com tarifas menores.

    A decisão provocou reação entre pecuaristas americanos, uma importante base política do republicano, que argumentam que a ampliação das importações pode pressionar para baixo os preços recebidos pelos produtores justamente quando o setor enfrenta custos elevados.

    Trump passou então a intensificar as críticas às grandes processadoras. O presidente e integrantes de seu governo argumentam que a concentração do mercado permite que as empresas paguem menos pelo gado aos pecuaristas, ao mesmo tempo em que consumidores enfrentam preços elevados nos supermercados.

    A Casa Branca tenta, assim, administrar duas pressões simultâneas: reduzir rapidamente o preço da carne para os consumidores, por meio do aumento das importações, e evitar que essa política prejudique ainda mais os pecuaristas americanos.

    O pacote desta segunda se soma a medidas anteriores do governo para aumentar a capacidade de processamento independente. Em junho, o USDA já havia anunciado até US$ 500 milhões para frigoríficos independentes e regionais por meio do programa Strengthening Processing for U.S. Ranchers (SPUR).

    A administração Trump afirma que as novas medidas têm como objetivo reconstruir o rebanho americano no longo prazo. Isso significa, porém, que parte das ações anunciadas nesta segunda não deve produzir redução imediata dos preços da carne, uma vez que a expansão do número de animais e da capacidade de processamento leva tempo.

    Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    De 2ª a 6ª pela manhã, receba o boletim gratuito com notícias e análises de economia

    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/carne-bovina-americana-tera-preferencia-em-prisoes-hospitais-e-escolas-veja-medidas-do-pacote-de-trump.shtml.

    Imagem 1
    1 / 4

    O presidente dos EUA, Donald Trump, durante evento no Texas em agosto - Kylie Cooper/REUTERS · Kylie Cooper/REUTERS — Foto: UOL

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)