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    Carlos Zilio pinta o enigma do vazio em mostra e dialoga com a tradição geométrica

    "A minha intenção era tentar configurar o nada. Quer dizer, pensar em um espaço que desse essa noção", diz Carlos Zilio , sobre a sua nova mostra individual, em cartaz na galeria Raquel Arnaud, na zona oeste de São Paulo, até o dia 22 de agosto. "Nem Mais nem Menos, Pinturas Recentes" marca a abertura de uma nova frente na sua obra. Leia mais (08/14/2026 - 23h00)

    Folha de S.Paulo
    15 de agosto de 2026 às 02:00
    Carlos Zilio pinta o enigma do vazio em mostra e dialoga com a tradição geométrica
    Parede com pintura preta aplicada de forma irregular sobre fundo branco, criando textura áspera e manchas contrastantes. — Foto: Folha de S.Paulo

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    "A minha intenção era tentar configurar o nada. Quer dizer, pensar em um espaço que desse essa noção", diz Carlos Zilio , sobre a sua nova mostra individual, em cartaz na galeria Raquel Arnaud, na zona oeste de São Paulo, até o dia 22 de agosto. "Nem Mais nem Menos, Pinturas Recentes" marca a abertura de uma nova frente na sua obra.

    Detalhe de obra de Carlos Zilio, em exposição na galeria Raquel Arnaud, em São Paulo - Divulgação · Divulgação
    Detalhe de obra de Carlos Zilio, em exposição na galeria Raquel Arnaud, em São Paulo - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Importante nome da arte política brasileira durante a ditadura militar, Zilio passou da ruptura com a vanguarda, marcada pela crítica à sociedade de consumo dos anos 1960 e 1970, a uma produção que retoma a tradição pictórica e investiga a própria ideia de pintura a partir dos anos 1980.

    Da década de 2010 para cá, o artista passou a produzir uma série de obras que sugerem significados mais íntimos, ligados à sua própria história. A figura principal, pintada pelo artista em dezenas de trabalhos, é um misterioso tamanduá caído —que foi um animal de estimação de seu pai quando era criança.

    "Ausência", que é uma das obras de destaque nesta atual exposição, aparece como uma despedida fúnebre desse momento anterior. Nela, o tamanduá é retratado como uma silhueta quase apagada, esvaziada, tragada por um excesso de preto e, além disso, comprimida por duas faixas laterais brancas.

    Obras de mostra Nem Mais Nem Menos, Pinturas Recentes de Carlos Zilio
    Obras de mostra Nem Mais Nem Menos, Pinturas Recentes de Carlos Zilio — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Esse esvaziamento acompanha todas as novas obras de Zilio. "Os trabalhos têm uma tradição geométrica por trás. Mas minha geometria é minimalista, reduzida a figuras básicas, círculos, quadrados e retângulos", diz o pintor.

    Por meio dessas figuras geométricas, pintadas de maneira sóbria —sempre em branco e preto—, o artista consegue criar uma atmosfera de desilusão, quase melancólica, buscando refletir a perplexidade diante do vazio. Ao mesmo tempo, essas formas tentam estabelecer um diálogo com a obra do russo Kazimir Malevich , um dos pioneiros da arte abstrata geométrica.

    "O zero vai ser uma delimitação da arte moderna. Quando o Malevich faz o quadrado preto em fundo branco, o que ele está buscando é o zero", afirma Zilio.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O artista diz que, embora o zero tenha ganhado um valor matemático ao longo da história, sua concepção original é mais mística do que racional. Zilio relaciona o desenvolvimento do zero na Índia às concepções budistas do vazio. "Eu queria trazer à tona novamente o zero. Quer dizer, da mesma maneira que os budistas pensavam."

    A escolha das cores, para Tadeu Chiarelli, que é o curador da mostra, aproxima a obra de Carlos Zilio do drama teatral. Segundo ele, "se você olhar para uma pintura tradicional, verá que ela representa a cena de maneira muito semelhante a uma cena de teatro num palco". Para o curador, ao longo do tempo, essa relação dramática se perdeu na tentativa da pintura de encontrar sua especificidade. A quarta parede foi, enfim, quebrada nas telas, assim como ocorreu nos palcos.

    Segundo Chiarelli, essa produção recente de Zilio, porém, retoma esse antigo parentesco com o teatro, na medida em que o artista, ao manipular o preto, que produz uma sensação de proximidade, e o branco, associado ao distanciamento, recria a ilusão de profundidade e espaço cênico.

    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Zilio, por assim dizer, cutuca essa possibilidade representacional da pintura. E, ao aproximar isso do drama, do palco do teatro, causa um segundo drama, o suposto retorno ao que antes a pintura desejou negar", diz o curador.

    Entre os quadros em destaque na mostra, um deles evidencia particularmente isso —um retângulo preto com interior cinzento, destacado sobre o fundo branco. É como uma janela aberta para o nada, a tradução em tela do enigma que encantou o artista nesses últimos anos.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/08/carlos-zilio-pinta-o-enigma-do-vazio-em-mostra-e-dialoga-com-a-tradicao-geometrica.shtml.

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    Detalhe de obra de Carlos Zilio, em exposição na galeria Raquel Arnaud, em São Paulo - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo

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