Carlos e ala radical voltam a cobrar conexão de Flávio Bolsonaro com o pai e criticar Daniella Marques
As tensões internas do bolsonarismo voltaram a se acirrar em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal) com cobranças da ala mais radical sobre o senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ), candidato à Presidência da República. Sob reserva, esses apoiadores pedem mais gestos em relação a Jair Bolsonaro (PL) e reclamam de Daniella Marques, conselheira econômica do filho 01. Leia mais (09/09/2026 - 22h12)

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As tensões internas do bolsonarismo voltaram a se acirrar em meio à crise no STF (Supremo Tribunal Federal) com cobranças da ala mais radical sobre o senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ), candidato à Presidência da República. Sob reserva, esses apoiadores pedem mais gestos em relação a Jair Bolsonaro (PL) e reclamam de Daniella Marques, conselheira econômica do filho 01.

O descontentamento foi tornado público por meio de um post de Carlos Bolsonaro (PL-SC), candidato ao Senado, direcionado ao irmão.
"Flávio precisa entender que seu crescimento e sua eleição se devem ao seu pai, à rejeição à covardia, aos desmandos e às revelações do modus operandi de determinados setores do Judiciário e à ruína, tanto econômica quanto social, que Lula [PT] vem trazendo ao país", publicou na terça-feira (8).
"Qualquer um de seu entorno que tente levá-lo para qualquer outra linha de raciocínio o afasta de sua base e o torna refém pós-eleitoral, como o sistema deseja", acrescentou.

Segundo interlocutores de Carlos Bolsonaro, ele se refere a Daniella, que foi presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro. Ela também era a principal assessora do ex-ministro Paulo Guedes e atua no mercado financeiro.
Daniella foi procurada pela reportagem por meio de sua assessoria, mas não quis comentar.
A opinião é compartilhada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA, segundo pessoas próximas ao ex-deputado. A Folha já mostrou que os bolsonaristas da ala ideológica rechaçam nomes do mercado financeiro , como Daniella, para ocupar o posto de ministro da Economia em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Na visão deles, os banqueiros representam o sistema que o bolsonarismo deve combater.

Uma das críticas a Daniella é a de que ela representa um liberalismo extremista. Nas palavras de um interlocutor da família Bolsonaro, ela está em rota de colisão com o movimento da direita conservadora e contraria os valores bolsonaristas.
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Daniella foi filiada ao Republicanos e chegou a ser cotada para ser vice na chapa, mas a opção do partido pela neutralidade inviabilizou a aliança. Mesmo com o revés, ela ocupa cada vez mais espaço na campanha de Flávio, com discursos em atos importantes, aparições nas lives do candidato e uma agenda própria, com eventos e viagens pelo país.

A nova divisão no bolsonarismo ocorre num momento em que a campanha do PL vislumbra a perspectiva de vitória após as últimas pesquisas registrarem empate com Lula no segundo turno. O embate entre os ministros André Mendonça , escolhido por Bolsonaro, e Alexandre de Moraes , tido como algoz da direita, acabou impulsionando o candidato do PL, especialmente na esteira do 7 de Setembro .
O ato bolsonarista associou Lula e Moraes, explorando as conversas do ministro com Daniel Vorcaro , do Banco Master . Daniella estava presente na avenida Paulista e discursou no carro de som, enquanto Carlos não compareceu.
Parte dos interlocutores de Flávio afirma que a maré positiva para o candidato ampliou a briga por espaço e influência no comando da campanha. Já os bolsonaristas radicais, hoje mais alijados do núcleo duro, dizem que o senador está perdendo a conexão com sua base.
Para essa ala ideológica, Daniella deveria ter uma posição técnica e de bastidor, mas tem ocupado a vitrine e dado ordens.
De acordo esses apoiadores de Flávio, Daniella prega corte de gastos e tesouraço, algo que prejudicaria o candidato do PL eleitoralmente. Para eles, Flávio tem que se comprometer a manter programas sociais e entender que o Brasil é um país pobre em que boa parte da população depende de auxílios.
Ainda de acordo com essa ala, a atuação de Paulo Guedes , de quem Daniella foi braço direito, teria levado Bolsonaro à derrota em 2022.
"Não sou eu o dono da razão e muito, mas muito menos o seu entorno que tenta seduzi-lo cada vez mais. Não preciso entrar em maiores detalhes pois os entendedores entenderão", publicou ainda Carlos.
A publicação foi endossada por Paulo Figueiredo, influenciador que mora nos EUA e critica o voto feminino .
Entre as ideias defendidas por Daniella estão corte de gastos públicos, valorização da economia do cuidado e a ideia de que a mulher é pauta da direita, algo que Flávio tem repetido. Em mais de uma ocasião, a dupla utilizou um broche com uma tesoura verde e amarela , em alusão ao tesouraço.
Em agosto, em entrevista ao C-Level, videocast da Folha , Daniella não quis detalhar como chegar à economia prometida de 1,5% do PIB e disse que isso seria decidido em eventual transição de governo. "Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso, é o que vai sair de lá e que vai definir. Eu não sou a Mãe Dináh", afirmou.
Aliados de Flávio dizem que não é momento de tratar de tesouraço, mas sim de falar sobre segurança pública, emprego e exaltar as bandeiras antissistema defendidas por Bolsonaro. Eles opinam que candidato deveria exaltar a memória do pai, sua herança e seu legado, em uma campanha mais emotiva.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/carlos-e-ala-radical-voltam-a-cobrar-conexao-de-flavio-bolsonaro-com-o-pai-e-criticar-daniella-marques.shtml.

Carlos e Flávio Bolsonaro (PL) durante ato de campanha em Florianópolis, onde o ex-vereador concorre ao Senado - Vitor Souza - 9.mai.26/AFP · Vitor Souza - 9.mai.26/AFP — Foto: Folha de S.Paulo
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