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    Carla Madeira explica violência em seus livros: “Não tem como escapar”

    Em entrevista à CNN Brasil, a escritora best-seller fala sobre seu novo romance "Quando", que chegou às livrarias na sexta-feira (14)

    CNN Brasil
    17 de agosto de 2026 às 22:36
    Carla Madeira explica violência em seus livros: “Não tem como escapar”
    Foto: CNN Brasil

    A escritora mineira Carla Madeira lançou um novo livro na sexta-feira (14), “ Quando “, pela Editora Record. Irmã caçula dos best-sellers “Tudo é Rio”, “Véspera” e “A Natureza da Mordida”, a nova obra traz elementos que são característicos da escrita da autora: emoções complexas e conflitantes, personagens masculinos tóxicos com mulheres marcadas por traumas — tudo isso com o Brasil durante a Ditadura Militar como pano de fundo.

    Em entrevista à CNN Brasil , Madeira explica que considera fundamental manter essas temáticas sensíveis. “Para mim, é inescapável ainda olhar para esse lugar do homem violento e tóxico e da mulher que não está conseguindo viver sua sexualidade. São questões que me atormentam e que me assombram”, afirma.

    A autora declara que, como escritora contemporânea, é “impossível” fugir de temáticas sociais e de gênero que ainda não estão resolvidas no Brasil. “Eu abro o jornal e vejo a quantidade de feminicídio e de violência que está acontecendo. Não é uma questão superada”, afirma. “Então, eu não estou conseguindo mudar de assunto. Me espanta.”

    Carla Madeira lança seu quarto livro "Quando", pela Editora Record • Márcia Charnizon · • Márcia Charnizon
    Carla Madeira lança seu quarto livro "Quando", pela Editora Record • Márcia Charnizon · • Márcia Charnizon — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Com uma narrativa não-linear, formada por diferentes técnicas e múltiplos narradores — ora observador, ora onisciente e, por vezes, personagem —, “Quando” começa com uma mãe que denuncia um filho à polícia no calor de um acontecimento trágico em sua família, o que leva os dois a ficarem 20 anos sem se ver.

    Ao longo das páginas, o leitor conhece as dores, cicatrizes, traumas, amores e desamores vividos por cada uma das pessoas envolvidas neste trágico acontecimento — ou, como Madeira define, engrama (termo usado para designar uma marca permanente deixada na psique ou no tecido nervoso de uma pessoa por traumas ou experiências intensas sofridas).

    Assim como os outros livros da autora, é possível enxergar as sombras e as luzes que formam cada um dos personagens em sua complexidade, ao mesmo tempo que observamos o poder do afeto, do amor e, infelizmente, do preconceito.

    Sobrinha-neta de Clarice Lispector sobre adaptar contos para cinema: "Cura"
    Sobrinha-neta de Clarice Lispector sobre adaptar contos para cinema: "Cura" — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    “Esses são temas sensíveis da vida, não são temas sensíveis da minha literatura . Se eu quero falar sobre a vida, sobre um acontecimento, sobre uma história que toque nessa violência, eu, como autora contemporânea, não tenho como escapar disso”, reitera Madeira. “Não é que todo livro tenha que ter isso, mas se eu estou fazendo um livro que toca nesses pontos da vida, dos amores, dos rompimentos, dos lutos, da ausência… Não tem jeito, isso tem que estar lá”, completa.

    Ainda em entrevista à CNN Brasil , Madeira revelou que a ideia do livro surgiu durante uma fase de perdas sequenciais e luto intenso . No momento em que começou a escrever a obra, a escritora havia perdido sua mãe, seu psicanalista e uma sócia.

    “Eu estava em um lugar muito difícil”, conta. “A construção de ‘Quando’ foi uma criação muito caótica nesse início e começou com uma polifonia, com uma voz de criança. Havia uma certa angústia nessa voz, como se fosse um menino que estivesse imerso em uma atmosfera que ele não compreendia, mas que o afetava”.

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    Que legado os festivais literários deviam deixar nas cidades? — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Um livro que nasceu do luto, por óbvio, fala de luto. Mas, no caso de “Quando”, a saudade é transformada em técnica narrativa. Nos momentos em que Viridiana, personagem principal do livro, narra a espera pela chegada do filho denunciado após 20 anos sem vê-lo, o leitor se depara com um texto infinito, sem pontuação, sem travessão e sem quebra de linha.

    “Quando você está esperando, não tem suspensão dessa espera. Aquilo é uma coisa constante. Você dorme, acorda, toma banho, come e faz outras coisas, mas o tempo inteiro aquela espera é um baixo contínuo, é um ruído que está ali permanente”, justifica Madeira.

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    Quem é Tamara Klink, velejadora que pediu para não comprarem seu livro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Sobrinha-neta de Clarice Lispector sobre adaptar contos para cinema: — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Que legado os festivais literários deviam deixar nas cidades? — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil
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    Quem é Tamara Klink, velejadora que pediu para não comprarem seu livro — Foto: CNN Brasil · Fonte: CNN Brasil

    Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/pop/carla-madeira-explica-violencia-em-seus-livros-nao-tem-como-escapar/.

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    Carla Madeira lança seu quarto livro "Quando", pela Editora Record • Márcia Charnizon · • Márcia Charnizon — Foto: CNN Brasil

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