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    Cargos de que não precisamos

    Michelle Bolsonaro designou o irmão para ocupar o posto de primeiro suplente na chapa que ela encabeça para uma das vagas de senador pelo Distrito Federal. Bia Kicis, que concorrerá à segunda vaga pelo mesmo PL da ex-primeira-dama, pôs o filho. Helder Barbalho, que pretende tornar-se senador pelo Pará, escolheu o pai, o eterno Jader Barbalho. Leia mais (08/25/2026 - 14h30)

    Folha de S.Paulo
    25 de agosto de 2026 às 17:30
    Cargos de que não precisamos
    Duas mulheres sentadas lado a lado em estúdio com iluminação azul e verde ao fundo. A mulher à esquerda veste vestido verde com estampa floral bege e acessórios dourados, enquanto a mulher à direita usa vestido rosa claro com mangas bufante — Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista, foi editor de Opinião. É autor de "Pensando Bem…"

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    As candidatas ao Senado por Brasília Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, ambas do PL - Divulgação · Divulgação
    As candidatas ao Senado por Brasília Bia Kicis e Michelle Bolsonaro, ambas do PL - Divulgação · Divulgação — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Michelle Bolsonaro designou o irmão para ocupar o posto de primeiro suplente na chapa que ela encabeça para uma das vagas de senador pelo Distrito Federal. Bia Kicis, que concorrerá à segunda vaga pelo mesmo PL da ex-primeira-dama, pôs o filho. Helder Barbalho, que pretende tornar-se senador pelo Pará, escolheu o pai, o eterno Jader Barbalho.

    Arranjos familiares desse tipo são corriqueiros em eleições para o Senado . Também é comum ver financiadores de campanha galgados à posição de suplente. É um investimento que pode "se pagar", quando se considera que, na atual legislatura, 20 suplentes já chegaram a exercer, ainda que momentaneamente, o mandato. O suplente substitui o titular em caso de morte, afastamento, renúncia ou cassação.

    O mecanismo tem sua lógica. Determinar desde a origem quem são os "vices" dos senadores é uma forma de economizar recursos. O mandato de oito anos é longo, então não são pequenas as chances de substituição fazer-se necessária. O problema é que esse sistema exige mais recursos atencionais do que o eleitor mediano é capaz de oferecer.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No Brasil, eleições para o Executivo e para o Legislativo são casadas, e são as primeiras que mobilizam as atenções. Falamos muito da disputa presidencial, um pouco dos pleitos para governador, e as legislativas, que talvez sejam até mais importantes, ficam a reboque. Não é exagero afirmar que o eleitor escolhe seu candidato a senador só quando sai de casa para votar. Em 2018, Dilma Rousseff liderava todas as pesquisas de intenção de voto para o Senado por Minas, mas ficou em quarto lugar .

    Se nem nos senadores o eleitor presta muita atenção, o que não dizer dos pobres deputados estaduais? Nesse contexto, os suplentes de senador se tornam menos que curiosidades abstratas. Eles ficam tão cognitivamente escondidos que concorrer como suplente é um bom jeito de "fazer passar a boiada".

    Não vou tão longe a ponto de defender o descasamento entre eleições para o Executivo e para o Legislativo, mas poderíamos ao menos extinguir os suplentes.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2026/08/cargos-de-que-nao-precisamos.shtml.

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