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    Carbono Oculto ainda repercute no mercado financeiro um ano após ação da PF

    Investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC, Carbono Oculto avançou sobre cadeia de combustíveis e fundos de investimento

    Metrópoles
    28 de agosto de 2026 às 07:30
    Carbono Oculto ainda repercute no mercado financeiro um ano após ação da PF
    Foto: Metrópoles

    A mega operação da Polícia Federal (PF) em parceria com a Receita Federal (RF) e com Ministério Público de São Paulo (Gaeco), Carbono Oculto , completa um ano nesta sexta-feira (28/8).

    Deflagrada em agosto de 2025, a investigação teve como objetivo inicial apurar um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com expansão posterior para estruturas de fundos de investimento e intermediação financeira.

    Segundo informações do Ministério Público (MP), a operação alcançou mais de 350 alvos entre pessoas físicas e jurídicas, com atuação em diferentes etapas da cadeia de combustíveis, incluindo distribuição, revenda e circulação de insumos químicos usados na adulteração de gasolina.

    Material cedido ao Metrópoles
    Material cedido ao Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    No núcleo operacional, as investigações apontaram a utilização de empresas do setor de combustíveis para aquisição e desvio de metanol, que era redirecionado para adulteração de gasolina na região metropolitana de São Paulo.

    Parte das empresas investigadas teria sido utilizada como instrumento para circulação de recursos, emissão de documentos fiscais e posterior reinserção dos valores no sistema financeiro.

    Em uma das denúncias apresentadas pelo MP no âmbito da operação, 16 pessoas foram acusadas de participação em organização criminosa, adulteração de combustíveis, crimes tributários, estelionato, falsidade documental e lavagem de dinheiro, com indicação de vínculo com o PCC .

    Imagem colorida de viaturas da Receita Federal na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Metrópoles
    Imagem colorida de viaturas da Receita Federal na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    As apurações também indicam a existência de estrutura organizada com divisão de funções entre empresas operacionais, transportadoras e intermediários financeiros, com o objetivo de dificultar a identificação de beneficiários finais.

    A partir das fases seguintes, a investigação passou a incluir estruturas do mercado financeiro, com foco em fundos de investimento, gestoras e veículos de intermediação de crédito.

    Relatórios e comunicações citados em investigações indicam que fundos administrados pela Reag Investimentos teriam sido utilizados em operações associadas a empresas investigadas na cadeia de combustíveis e em esquemas de lavagem de dinheiro.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Em documentos do Banco Central (BC) e do MP, quatro fundos sob administração da gestora aparecem relacionados a fluxos financeiros analisados no âmbito da operação.

    No caso do Banco Master , investigações paralelas apontam que fundos associados à Reag foram utilizados em operações de compra e venda de ativos e estruturação de carteiras de crédito, com posterior questionamento sobre avaliação de ativos e circulação de recursos entre veículos financeiros.

    O caso passou a ser citado por autoridades e participantes do mercado como um dos primeiros em que uma investigação criminal alcançou de forma direta estruturas de gestão de recursos e fundos de investimento com atuação no mercado de capitais .

    Carbono Oculto ainda repercute no mercado financeiro um ano após ação da PF - destaque galeria
    Carbono Oculto ainda repercute no mercado financeiro um ano após ação da PF - destaque galeria — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC

    1 ano da Carbono Oculto: operação ainda repercute no mercado financeiro

    As investigações indicam que o PCC passou a operar com modelos financeiros mais sofisticados, utilizando empresas, fundos, fintechs e prestadores de serviços como mecanismos de circulação de recursos.

    Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC
    Megaoperação cumpre mandados contra esquema em postos de combustíveis e fintechs controlados pelo PCC — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    De acordo com o Ministério Público, a estrutura identificada na operação envolvia múltiplas camadas societárias e financeiras, com objetivo de reduzir rastreabilidade e ocultar beneficiários finais .

    Parte das operações teria sido estruturada por meio de fundos de investimento e veículos de crédito, com uso de empresas sem atividade operacional compatível com o volume financeiro movimentado.

    Relatórios da investigação também apontam crescimento patrimonial acelerado de determinadas estruturas financeiras em períodos curtos, o que passou a ser utilizado como indicativo de operações atípicas.

    Carbono Oculto ainda repercute no mercado financeiro um ano após ação da PF - imagem 3
    Carbono Oculto ainda repercute no mercado financeiro um ano após ação da PF - imagem 3 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ao longo do último ano, a operação resultou em denúncias criminais envolvendo adulteração de combustíveis, organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes tributários.

    Em fase recente, o MP denunciou investigados por esquema de desvio de metanol utilizado na adulteração de combustíveis, com uso de empresas intermediárias e estruturas financeiras para movimentação dos recursos.

    As investigações seguem em andamento em diferentes frentes, incluindo análise de vínculos entre empresas do setor de combustíveis e estruturas financeiras investigadas.

    1 ano da Carbono Oculto: operação ainda repercute no mercado financeiro
    1 ano da Carbono Oculto: operação ainda repercute no mercado financeiro — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Após o avanço das investigações, o BC intensificou medidas de supervisão sobre instituições financeiras , com foco em prevenção à lavagem de dinheiro e governança de estruturas não bancárias, como fundos de investimento e prestadores de serviços financeiros.

    As medidas passaram a ser interpretadas por agentes do mercado como um endurecimento do arcabouço regulatório aplicável a estruturas financeiras não bancárias, especialmente fundos e veículos de crédito.

    Um ano após sua deflagração, a Carbono Oculto segue como uma das principais investigações em curso sobre a interseção entre crime organizado, cadeia de combustíveis e sistema financeiro.

    O caso permanece com desdobramentos criminais e regulatórios, com impacto sobre estruturas de fundos, gestoras e mecanismos de intermediação de recursos no mercado financeiro brasileiro.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/carbono-oculto-ainda-repercute-financeiro.

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