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    Caracu na Jules Rimet

    Na sexta-feira (7) , falei de uma doce querela da Copa do Mundo da Suécia, em 1958: quem teria gritado para Bellini levantar a taça que o Brasil acabara de conquistar? E por que levantá-la? Porque Bellini estava num palanque e, quando a levou à altura do peito, os fotógrafos brasileiros, espremidos lá embaixo entre seus enormes colegas europeus, não a estavam vendo. Ao ouvir o grito, Bellini então a ergueu acima da cabeça e consagrou o gesto. Dois deles disputavam a autoria do grito: Luiz Carlos Barreto, de O Cruzeiro, e Jader Neves, da Manchete. Já apostei em Jader, mas é possível que todos t

    Folha de S.Paulo
    8 de agosto de 2026 às 11:00
    Caracu na Jules Rimet
    Foto: Folha de S.Paulo

    Jornalista e escritor, autor das biografias de Carmen Miranda, Garrincha e Nelson Rodrigues, é membro da Academia Brasileira de Letras

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    Pelé levanta a Taça Jules Rimet conquistada no México ao lado do presidente Emílio Garrastazu Médici, em 1970, em Brasília - Roberto Stuckert - 23.jun.70/Folhapress · Roberto Stuckert - 23.jun.70/Folhapress
    Pelé levanta a Taça Jules Rimet conquistada no México ao lado do presidente Emílio Garrastazu Médici, em 1970, em Brasília - Roberto Stuckert - 23.jun.70/Folhapress · Roberto Stuckert - 23.jun.70/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Na sexta-feira (7) , falei de uma doce querela da Copa do Mundo da Suécia, em 1958: quem teria gritado para Bellini levantar a taça que o Brasil acabara de conquistar? E por que levantá-la? Porque Bellini estava num palanque e, quando a levou à altura do peito, os fotógrafos brasileiros, espremidos lá embaixo entre seus enormes colegas europeus, não a estavam vendo. Ao ouvir o grito, Bellini então a ergueu acima da cabeça e consagrou o gesto. Dois deles disputavam a autoria do grito: Luiz Carlos Barreto, de O Cruzeiro, e Jader Neves, da Manchete. Já apostei em Jader, mas é possível que todos tenham gritado ao mesmo tempo.

    O que poucos sabem é o que aconteceu com a taça quando ela chegou aqui. O Brasil era campeão do mundo pela primeira vez e todo mundo queria vê-la. Convites de prefeituras para que a então CBD (hoje CBF) a levasse às suas cidades choviam todos os dias. A CBD aceitava, e quem melhor do que Bellini para ir junto com ela?

    Assim, entre seus jogos pelo Vasco no campeonato carioca daquele ano, Bellini, acompanhado de um funcionário da CBD, embarcava com a taça para os mais remotos grotões. Nesses, ele e a taça eram recebidos pelas autoridades, desfilados em carro aberto sob papel picado e homenageados à noite num clube com um banquete oferecido pela sociedade local.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Até aí, tudo bem. Acontece que a taça (chamada Jules Rimet , em homenagem ao presidente da Fifa que a criara) era mesmo uma taça —a haste em forma de uma mulher dourada, de asas, encimada por um copo (daí a competição ser a Copa) para se beber o champanha da vitória. E, com isso, naqueles rega-bofes, ela era passada de mão em mão, reverenciada, lambida, beijada e, à falta de champanha, levantada para brindar com o que houvesse à mão —Brahma Chopp, Malzbier, Caracu, Licor de Ovos Dubar e, para as crianças, Guaraná Caçula e Crush. Um milagre que, numa dessas, a Jules Rimet não tivesse ficado para trás em alguma urbe.

    A taça sobreviveu a todos esses perigos e, um dia, em 1983, sumiu, roubada da sede da CBF .

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/08/caracu-na-jules-rimet.shtml.

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    Pelé levanta a Taça Jules Rimet conquistada no México ao lado do presidente Emílio Garrastazu Médici, em 1970, em Brasília - Roberto Stuckert - 23.jun.70/Folhapress · Roberto Stuckert - 23.jun.70/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

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