Caoa Chery pode perder fábrica de Jacareí após anos de paralisação
Prefeitura encerra prazo para apresentação de plano de retomada e promete ir à Justiça para desapropriar fábrica

A Prefeitura de Jacareí , no interior de São Paulo, decidiu avançar com os procedimentos administrativos para desapropriar a fábrica da Caoa Chery instalada no município. A unidade está sem produzir veículos desde 2022 e recebeu prazo de 12 meses para que as empresas apresentassem um plano concreto de retomada das atividades.
A decisão foi formalizada no Ofício nº 299/2026 – GP , datado de 20 de julho, ao qual a CNN Brasil teve acesso. O documento é endereçado ao presidente do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho , e ao gerente-geral da Chery International no Brasil , Cláudio Guowei Xu. O município afirma que o período concedido às empresas terminou sem a apresentação de informações objetivas e atualizadas sobre o futuro da planta.
A medida não significa que a fábrica será desapropriada de imediato . O município pretende agora editar e publicar um decreto de desapropriação, dando continuidade à etapa administrativa prevista na legislação. Além disso, devem judicializar a questão.

“Diante desse cenário, informamos que a Prefeitura Municipal de Jacareí dará prosseguimento aos trâmites administrativos internos necessários à edição e à publicação do decreto de desapropriação do imóvel, nos termos da legislação aplicável, com o objetivo de assegurar que o bem venha a cumprir sua função socioeconômica em benefício do Município e de sua população”, diz o ofício, que é assinado pelo prefeito Celso Florêncio (PL-SP).
A história da unidade começou em 2014, quando a Chery International inaugurou a planta em Jacareí (SP). A ideia era fabricar até 150 mil carros ao ano no Brasil, com a geração de mais de 5.000 empregos , mas os planos não deram certo. Em 2017, o grupo Caoa comprou 51% das ações da subsidiária, criando a Caoa Chery. No entanto, como a empresa brasileira já tinha uma unidade fabril em Anapólis (GO), a fábrica paulista foi ficando ociosa, até fechar por completo em 2022.
Quando a paralisação foi anunciada, a justificativa era de que a unidade passaria por modernização para receber veículos híbridos e elétricos. A expectativa inicial era retomar a produção até 2025, o que não ocorreu. Naquele mesmo ano, a Prefeitura solicitou informações sobre o futuro da unidade. Em junho, a administração notificou formalmente Caoa e Chery sobre a possibilidade de reversão da doação e/ou desapropriação do imóvel e estabeleceu inicialmente 45 dias para apresentação de um plano de retomada.

A pedido das empresas, o prazo foi ampliado para 12 meses . Em abril de 2026, diante da ausência de uma resposta conclusiva, a Prefeitura fez nova cobrança e buscou uma solução consensual. Agora, o município afirma que continuará aberto ao diálogo, mas condiciona uma eventual mudança de posição à apresentação de uma proposta considerada objetiva e concreta para a área.
“Ressaltamos, contudo, que esta Administração permanece aberta ao diálogo e à apresentação de eventual proposta objetiva e concreta por parte das empresas, colocando-se à disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários”, diz o ofício.
Enquanto o imbróglio não é resolvido, a unidade pode viver um novo momento . Isso acontece por conta do boom das marcas chinesas no Brasil. Se na década passada as empresas estavam retraindo investimentos, agora a situação é oposta. A cada mês uma nova marca anuncia chegada do Brasil.

A própria Chery, até então apenas sócia minoritária da Caoa, resolveu voltar e já opera no Brasil com as marcas Omoda & Jaecoo e Jetour . Recentemente, anunciou mais um brand, a Icaur. Além delas, GWM, BYD e Geely têm crescido em vendas no Brasil. A unidade de Jacareí pode ser o destino de alguma das novatas chinesas no Brasil, mas ainda não há nada oficial.
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Publicado originalmente por CNN Brasil. Leia a matéria completa em https://www.cnnbrasil.com.br/auto/caoa-chery-pode-perder-fabrica-de-jacarei-apos-anos-de-paralisacao/.

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