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    Cão Orelha: MP pede R$ 795 mil de ex-chefe da polícia por atuação no caso

    Ulisses Gabriel é alvo de ação por supostas irregularidades na condução da investigação; defesa nega abuso e quebra de sigilo

    Metrópoles
    12 de setembro de 2026 às 21:11
    Cão Orelha: MP pede R$ 795 mil de ex-chefe da polícia por atuação no caso
    Foto: Metrópoles

    O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pede que o ex-delegado-geral da Polícia Civil do estado Ulisses Gabriel pague até R$ 795 mil por sua atuação na investigação do caso do cão Orelha , em Florianópolis.

    A cobrança faz parte de uma ação de improbidade administrativa relacionada à forma como o então chefe da corporação conduziu e divulgou informações sobre a apuração.

    A investigação contra Ulisses começou em fevereiro. Em portaria assinada em 9 de fevereiro, a 40ª Promotoria de Justiça da Capital afirmou que declarações feitas por integrantes da Polícia Civil, “notadamente do Delegado-Geral”, fora dos autos poderiam, em tese, configurar violação de sigilo funcional, abuso de autoridade e improbidade administrativa.

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    Reprodução/Redes Sociais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    O documento também cita indícios de antecipação de culpa de investigados.

    Segundo o MPSC, embora a investigação sobre Orelha tivesse sido formalmente instaurada pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei e pela Delegacia de Proteção Animal, havia evidências de que Ulisses teria assumido diretamente a condução da apuração.

    A Promotoria determinou, entre outras medidas, um levantamento das falas públicas do delegado e a transcrição das declarações que poderiam ter ultrapassado os limites legais, com atenção à coletiva de imprensa de 27 de janeiro.

    Cão Orelha - Metrópoles
    Cão Orelha - Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Como mostrou o Metrópoles , o procedimento preliminar avançou, em março, para um inquérito civil . À época, o MPSC afirmou que analisava suspeitas de abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual improbidade administrativa. A defesa de Ulisses negou qualquer irregularidade e sustentou que ele atuou apenas como porta-voz institucional da Polícia Civil.

    Ainda em março, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina suspendeu medidas de natureza criminal relacionadas à investigação contra o ex-delegado. A decisão considerou que, em razão do cargo ocupado por Ulisses, uma apuração criminal dependeria de controle prévio do tribunal.

    A determinação, porém, preservou a possibilidade de continuidade das apurações cíveis e administrativas, entre elas a de eventual improbidade.

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    O caso que deu origem à apuração contra Ulisses teve uma reviravolta meses depois. A Polícia Civil havia concluído, em fevereiro, que adolescentes participaram da morte de Orelha e chegou a pedir a internação de um deles.

    Três adultos também foram indiciados por suspeita de coação no curso do processo.

    Em maio, porém, o próprio Ministério Público pediu o arquivamento da investigação .

    Após analisar quase 2 mil arquivos, entre vídeos, imagens, dados de celulares e laudos, as Promotorias responsáveis concluíram que os adolescentes investigados e Orelha não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão.

    O MPSC também afirmou que as evidências apontavam que a morte do animal estava associada a uma condição grave e preexistente, e não a uma agressão humana.

    A Justiça posteriormente aceitou o pedido de arquivamento do caso por falta de provas.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/cao-orelha-mp-pede-r-795-mil-de-ex-chefe-da-policia-por-atuacao-no-caso.

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