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    Canibalismo celestial poderia explicar Vênus não ter lua, mostra estudo

    Um astrofísico radicado na Califórnia apresentou na segunda-feira (14) uma nova teoria para explicar por que Vênus, o planeta mais parecido com a Terra em tamanho, massa e estrutura, não tem uma lua própria. Pode-se dizer que é um caso de canibalismo celestial. Leia mais (09/15/2026 - 15h05)

    Folha de S.Paulo
    15 de setembro de 2026 às 18:05
    Canibalismo celestial poderia explicar Vênus não ter lua, mostra estudo
    Imagem do planeta Vênus mostrando sua superfície em tons alaranjados e marrons, com detalhes de formações geológicas e crateras visíveis. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Um astrofísico radicado na Califórnia apresentou na segunda-feira (14) uma nova teoria para explicar por que Vênus, o planeta mais parecido com a Terra em tamanho, massa e estrutura, não tem uma lua própria. Pode-se dizer que é um caso de canibalismo celestial.

    Dados da sonda Magellan, da Nasa, e da Pioneer Venus Orbiter são usados em uma imagem composta do planeta Vênus - Nasa/via Reuters · Nasa/via Reuters
    Dados da sonda Magellan, da Nasa, e da Pioneer Venus Orbiter são usados em uma imagem composta do planeta Vênus - Nasa/via Reuters · Nasa/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A velocidade extremamente baixa com que Vênus gira em torno de seu eixo teria condenado qualquer satélite natural que um dia possa ter orbitado o planeta a se aproximar gradualmente dele em espiral e, por fim, ser engolido em uma colisão cataclísmica.

    Essa é a teoria proposta por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside e publicada na segunda-feira no The Astrophysical Journal , rompendo com explicações anteriores sobre por que Vênus, o segundo planeta a partir do Sol, não tem um companheiro lunar.

    "Se teve uma lua —e provavelmente teve em algum momento—, não poderia tê-la mantido", disse à Reuters o astrofísico Stephen Krane, principal autor do estudo. "Essa lua teria caído sobre o planeta em um intervalo de tempo relativamente curto."

    Vênus tem túnel possivelmente formado por lava
    Vênus tem túnel possivelmente formado por lava — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Krane afirmou que dados de modelos computacionais baseados na física planetária e que simulavam a mecânica gravitacional de hipotéticas luas venusianas de vários tamanhos mostraram que todas teriam o mesmo destino: cedo ou tarde, acabariam colidindo com seu planeta-mãe.

    Esse provável episódio em que Vênus teria engolido sua lua ocorreu, provavelmente, no primeiro bilhão de anos da história do planeta, que, assim como o restante do Sistema Solar, remonta a cerca de 4,5 bilhões de anos, disse Krane.

    Anteriormente, cientistas teorizavam que Vênus, conhecido como "gêmeo" da Terra, ou nunca chegou a adquirir uma lua própria ou possivelmente teve uma lua que foi destruída pelo impacto colossal de outro objeto celeste.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O estudo da Universidade da Califórnia em Riverside, concentrado na dinâmica entre a Terra e a Lua, constatou que a velocidade de rotação planetária era o fator determinante.

    Ao contrário de Vênus, que leva 243 dias terrestres para completar uma única rotação —período ligeiramente maior que o de sua órbita ao redor do Sol—, a Terra gira em torno do próprio eixo a cada 24 horas, mais de 200 vezes mais rápido que Vênus, disse Krane.

    A transferência de energia decorrente da rotação mais rápida da Terra está empurrando gradualmente nossa Lua para mais longe, fazendo com que ela se afaste do planeta à razão de 4 centímetros (1,6 polegada) por ano —medida com precisão por meio de espelhos deixados na superfície lunar em 1969 pelos astronautas da Apollo 11.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Vênus, o terceiro objeto mais brilhante no céu noturno, depois do Sol e da Lua, destaca-se como importante objeto de estudo para cientistas que buscam saber mais sobre a história da Terra e seu futuro.

    Com estrutura rochosa semelhante, mas ligeiramente menor que a Terra, Vênus é envolto por uma atmosfera densa e tóxica que criou um efeito estufa descontrolado, elevando a temperatura de sua superfície a até 471°C, calor suficiente para derreter chumbo.

    Embora não haja provas de que uma lua venusiana tenha existido, é improvável que Vênus, em seus primórdios, tenha de algum modo escapado do tipo de colisão devastadora com outro protoplaneta que, segundo a teoria mais aceita, teria formado a Lua da Terra, afirmou Krane.

    No alvorecer do Sistema Solar interior, o espaço estava repleto de grandes objetos rochosos que se deslocavam em alta velocidade e colidiam entre si. Vênus provavelmente sofreu mais impactos celestes que a Terra por estar mais próximo do Sol.

    Os cientistas esperam desvendar mais segredos de Vênus com duas futuras missões da Nasa, DAVINCI+ e VERITAS, previstas para serem lançadas no fim da década de 2020 ou no início da de 2030, a fim de estudar a atmosfera e as características geológicas do planeta.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/09/canibalismo-celestial-poderia-explicar-venus-nao-ter-lua-mostra-estudo.shtml.

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    Dados da sonda Magellan, da Nasa, e da Pioneer Venus Orbiter são usados em uma imagem composta do planeta Vênus - Nasa/via Reuters · Nasa/via Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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