Brasil

    Canetas para emagrecer exigem mudança de hábitos para manter efeito

    As canetas para tratar diabetes e obesidade se popularizam como medicamentos eficazes para a redução do peso. A ciência mostra o potencial desses medicamentos para o emagrecimento e outros aspectos da saúde. Também crescem, porém, os achados sobre a importância da mudança de estilo de vida durante o tratamento. Leia mais (09/10/2026 - 15h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 18:00
    Canetas para emagrecer exigem mudança de hábitos para manter efeito
    Cinco seringas de insulina com tampas roxas estão dispostas sobre uma superfície branca, algumas deitadas e outras em ângulo, com sombras visíveis ao redor. — Foto: Folha de S.Paulo

    Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

    Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

    As canetas para tratar diabetes e obesidade se popularizam como medicamentos eficazes para a redução do peso. A ciência mostra o potencial desses medicamentos para o emagrecimento e outros aspectos da saúde. Também crescem, porém, os achados sobre a importância da mudança de estilo de vida durante o tratamento.

    Canetas do medicamento Mounjaro (tirzepatida), fabricado pela farmacêutica Eli Lilly - Pedro Affonso - 13.mai.26/Folhapress · Pedro Affonso - 13.mai.26/Folhapress
    Canetas do medicamento Mounjaro (tirzepatida), fabricado pela farmacêutica Eli Lilly - Pedro Affonso - 13.mai.26/Folhapress · Pedro Affonso - 13.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Isso se deve, em primeiro lugar, ao fato de a obesidade ser uma doença crônica, assim como outras condições que exigem tratamentos de longo prazo, como hipertensão e o próprio diabetes.

    "Quando o tratamento é interrompido, a doença volta a se manifestar . O reganho de peso não significa falta de força de vontade ou pouco empenho do paciente. Na verdade, é uma resposta biológica do organismo, que tenta recuperar o peso perdido", explica o endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita.

    Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, princípios ativos de Ozempic e Mounjaro , respectivamente, agem sobre um hormônio chamado GLP-1, responsável pelas sensações de fome e saciedade. Ao frear sua ação, esses fármacos fazem a pessoa querer comer menos, promovendo o emagrecimento. Só que, ao interromper o uso, o organismo volta a ativar mecanismos que favorecem o ganho de peso.

    Veja o que diz a ciência sobre tratamentos para emagrecer
    Veja o que diz a ciência sobre tratamentos para emagrecer — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Por isso, esses fármacos não devem ser vistos como solução rápida para emagrecer.

    "Muitas pessoas apenas usam o remédio, comem menos porque o apetite diminuiu e emagrecem. Mas, se elas não mudam o padrão alimentar, não praticam atividade física regularmente e não fazem uma mudança comportamental, a tendência é recuperar boa parte do peso quando o medicamento é suspenso", diz Rosenbaum.

    Uma revisão sistemática publicada no início de janeiro no BMJ detalha como esse processo ocorre na prática. Os pesquisadores analisaram 37 estudos com mais de 9.300 adultos com sobrepeso ou obesidade. Eles observaram que os participantes recuperaram cerca de 0,4 kg por mês após suspenderem o tratamento.

    Imagem da matéria
    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os participantes avaliados usavam diferentes classes de medicamentos: desde opções mais antigas, como sibutramina e orlistate, até as terapias mais recentes com liraglutida , semaglutida e tirzepatida . Em média, eles permaneceram 39 semanas em tratamento. Depois da interrupção da medicação, continuaram sendo acompanhados por mais 32 semanas, o que permitiu aos pesquisadores observar o comportamento do peso nesse período.

    Quem tratou a obesidade com medicamentos perdeu, em média, 8,3 kg —mais que o dobro da perda observada nos grupos controle. Quando o tratamento terminou, o peso voltou a aumentar gradualmente. No ritmo de 400 gramas a mais por mês, eles retornariam ao peso inicial em aproximadamente um ano e sete meses.

    Outra constatação foi que os benefícios metabólicos conquistados durante o uso das medicações, como melhora da glicemia, colesterol e pressão arterial, também começaram a diminuir após o fim do uso das medicações.

    "As mudanças no estilo de vida potencializam a perda de peso e aumentam as chances de manter os resultados no longo prazo", afirma Rosenbaum.

    "Os medicamentos são uma ferramenta muito eficaz no tratamento da obesidade, mas fazem parte de uma estratégia mais ampla. Sozinhos, eles não conseguem sustentar a perda de peso por muito tempo."

    Manter os resultados de emagrecimento conquistados com as medicações depende de um conjunto de hábitos saudáveis. Uma alimentação rica em proteínas e fibras ajuda a aumentar a saciedade e reduzir o consumo de ultraprocessados .

    Já a prática regular de exercícios físicos contribui para preservar a massa magra, elevar o gasto energético e melhorar a saúde cardiovascular. Dormir bem é fundamental para regular os hormônios relacionados ao apetite, enquanto o controle do estresse pode reduzir episódios de alimentação emocional.

    Embora alguns pacientes suspendam a medicação e não recuperem todo o peso perdido, não é possível prever quem terá esse comportamento. O organismo desenvolve mecanismos de defesa contra a perda de gordura.

    Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar

    "Esses mecanismos foram importantes para a sobrevivência da espécie em períodos de escassez de alimentos. Hoje, eles dificultam a manutenção da perda de peso", diz Rosenbaum.

    Segundo ele, o reganho tende a ser menor em pessoas que perderam menos peso, tinham obesidade menos grave e conseguiram manter hábitos saudáveis consistentemente.

    "O objetivo não deve ser apenas perder peso rapidamente, mas tratar uma doença crônica. As canetas para emagrecer fazem parte desse tratamento, mas o sucesso depende de uma estratégia de longo prazo, construída entre paciente, médico e equipe multiprofissional", diz.

    Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha? Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas ( conheça aqui ). Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia. A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!

    Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?

    Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/09/canetas-para-emagrecer-exigem-mudanca-de-habitos-para-manter-efeito.shtml.

    Imagem 1
    1 / 3

    Canetas do medicamento Mounjaro (tirzepatida), fabricado pela farmacêutica Eli Lilly - Pedro Affonso - 13.mai.26/Folhapress · Pedro Affonso - 13.mai.26/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo

    Compartilhe

    Espalhe essa notícia

    Comentários(0)