Brasil

    Candidatos encerram propaganda na TV com troca de ataques e disputa pelo voto feminino

    Campanhas miraram mulheres, que chefiam 52% dos lares brasileiros

    UOL
    3 de outubro de 2026 às 03:00
    Candidatos encerram propaganda na TV com troca de ataques e disputa pelo voto feminino
    Foto: UOL

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    Com promessas de combate ao crime e de proteção às mulheres , os candidatos à Presidência e ao Governo de São Paulo encerraram na quinta-feira (1º) a propaganda eleitoral na TV do primeiro turno. Os programas também tiveram ataques entre adversários e apelos ao eleitor endividado.

    Montagem com capturas de tela das propagandas de Lula (PT), Flávio (PL), Caiado (PSD) e Cury (Avante) - Reprodução/YouTube · Reprodução/YouTube
    Montagem com capturas de tela das propagandas de Lula (PT), Flávio (PL), Caiado (PSD) e Cury (Avante) - Reprodução/YouTube · Reprodução/YouTube — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Ao lado das propostas, os programas deram espaço a episódios que definiram a campanha, incluindo a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) envolvendo os ministros e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e casos como o " Dark Horse ", a proibição das bets e a notícia falsa de que Nossa Senhora Aparecida perderia o título de padroeira do Brasil.

    Na disputa presidencial, a campanha de Lula ( PT ), candidato à reeleição, adotou o ataque como eixo da propaganda de TV , postura que costuma caber à oposição. Bordões como "Flávio, o pior dos Bolsonaros" e "falar é Flávio, fazer é Lula" se repetiram ao longo do horário eleitoral.

    As peças associaram o senador ao governo do pai, afirmando que a família Bolsonaro deixou o país mais violento e colocou mais de 1 milhão de armas nas ruas. Na reta final, a campanha reuniu trechos de telejornais sobre acusações contra Flávio.

    Lula na campanha eleitoral de 2026
    Lula na campanha eleitoral de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Entre elas estão o caso "Dark Horse", no qual Flávio é apontado como interlocutor de Vorcaro na busca de recursos para um filme sobre Jair Bolsonaro, supostas ligações com milícias do Rio e a acusação de que ele teria participado de orgias . A peça terminava com o locutor dizendo "Bolsonaros, nunca mais".

    Flávio, por sua vez, combinou críticas ao governo Lula com a tentativa de se apresentar como alvo da ofensiva petista. Em um dos programas, disse que a propaganda adversária fazia baixarias e editava suas falas, e que o eleitor não veria esse tipo de conteúdo da parte dele.

    As críticas do senador se concentraram no custo de vida e no endividamento, temas que o professor Camilo Aggio, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), considera centrais na eleição. Flávio também tentou aflorar sentimentos antipetistas no eleitor e mirar os apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Este ano, a propaganda de TV remeteu diversas vezes à internet. Caiado, por exemplo, exibiu em um de seus programas trechos de entrevista ao Flow e encerrou com um QR code que levava ao vídeo completo, o que Aggio avalia como estratégia de uma campanha com menos recursos.

    Cury também colocou um QR code em sua propaganda. Flávio reproduziu a tradição de lives na internet criada pelo seu pai, além de ter criado o que chamou de "TV Celular", uma espécie de emissora digital com programação contínua de 24 horas por dia no YouTube.

    A disputa ocorre em meio a uma campanha com o menor número de debates televisivos no primeiro turno desde 1998 , quando não houve nenhum confronto entre candidatos na TV. Desde 2002, nenhuma eleição presidencial havia tido menos de três debates no primeiro turno.

    Mulheres são maioria entre eleitores indecisos e contam o que mobiliza seu voto em 2026
    Mulheres são maioria entre eleitores indecisos e contam o que mobiliza seu voto em 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para o cientista político Carlos Melo, professor do Insper, a ausência dos líderes segue um cálculo de risco. "Com quem está com 40%, você pode ganhar muito pouco e perder muito", diz.

    Daniela Costanzo, pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), relaciona a redução dos debates a campanhas cada vez mais digitais e a um eleitorado mais cristalizado.

    Na disputa pelo Governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição com possibilidade de vencer em primeiro turno, não mencionou o adversário nem as privatizações da Sabesp e da CPTM , alvo de críticas de usuários. Suas peças, com mais do que o dobro do tempo das de Fernando Haddad (PT), apresentaram programas do governo para cada fase da vida, do nascimento à velhice.

    Quatro homens aparecem em imagens divididas: o primeiro levanta os braços em evento ao ar livre com público; o segundo caminha falando ao celular em ambiente interno; o terceiro anda ao ar livre com chapéu e luz solar ao fundo; o quarto est
    Quatro homens aparecem em imagens divididas: o primeiro levanta os braços em evento ao ar livre com público; o segundo caminha falando ao celular em ambiente interno; o terceiro anda ao ar livre com chapéu e luz solar ao fundo; o quarto est — Foto: UOL · Fonte: UOL

    A propaganda do governador destacou ações para mães de crianças atípicas, como os Centros TEA, para jovens, como o Provão Paulista, para idosos e mulheres. Tarcísio contou que foi cuidado pela esposa quando teve câncer e exibiu o aplicativo SP Mulher Segura, usado para registrar ocorrências e acionar a polícia.

    Haddad, que enfrenta rejeição de 48% do eleitorado paulista segundo o Datafolha, encerrou programas pedindo que o eleitor deixe de lado as "paixões políticas" e lhe dê uma chance. Outras peças listaram políticas federais associadas a ele, como o Prouni e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

    O olhar central sobre o eleitorado feminino foi um denominador comum nas campanhas em temas como segurança pública, saúde e emprego.

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    Quando o assunto era segurança, Haddad, por exemplo, usava a figura de uma mulher voltando para casa à noite. Quando o assunto era renda e carga tributária, Flávio Bolsonaro ilustrava com uma dramatização de uma mãe e sua filha no mercado. Quando a pauta era capacitação profissional, Tarcísio de Freitas trazia exemplos reais de mulheres, da manicure à soldadora. Ambos, Flávio e Tarcísio, trouxeram suas esposas para a TV.

    A figura da mulher negra também povoou o horário eleitoral. Apresentadoras dos programas de Lula, Flávio, Caiado, Haddad e Tarcísio eram negras, em uma eleição sem chapas com mulheres competitivas para a Presidência e para o Governo de São Paulo.

    Para cargos no Legislativo, o PL de São Paulo também colocou o holofote sobre candidaturas femininas, com dias em que apenas mulheres foram anunciadas.

    Trilili Urna Eletrônica
    Trilili Urna Eletrônica — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Para o Senado, em especial, as candidaturas competitivas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) foram tratadas como forasteiras por adversários.

    Dados de 2026 indicam que 52,4% das casas têm uma mulher como chefe da família . Foi a partir de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro ( PL ), que a proporção de mulheres referência da casa superou a dos homens.

    Nas eleições de 2026, elas também estão mais indecisas que os homens. Segundo o Datafolha , 26% ainda não decidiram em quem votar, contra 14% deles —na média, 21% do eleitorado total se diz indeciso.

    Caso haja segundo turno, o horário eleitoral gratuito será retomado na próxima sexta (9) e irá até o dia 23 de outubro. Desta vez, somente com os dois candidatos que permanecem na disputa. Os postulantes receberão exatamente o mesmo tempo de propaganda: dez minutos para cada cargo.

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/candidatos-encerram-propaganda-na-tv-com-troca-de-ataques-e-disputa-pelo-voto-feminino.shtml.

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