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    Candidatos ao Senado escolhem suplentes milionários de olho no financiamento de campanha

    Candidatos ao Senado deram preferência a pessoas milionárias para os postos de suplentes, indicando uma estratégia para eventual financiamento das campanhas e facilitação de contatos com o empresariado local. Em geral, os titulares escolheram para a suplência nomes com patrimônio declarado maior que o seu e com histórico de doações eleitorais generosas. Leia mais (09/21/2026 - 13h12)

    Folha de S.Paulo
    21 de setembro de 2026 às 16:12
    Candidatos ao Senado escolhem suplentes milionários de olho no financiamento de campanha
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    Candidatos ao Senado deram preferência a pessoas milionárias para os postos de suplentes, indicando uma estratégia para eventual financiamento das campanhas e facilitação de contatos com o empresariado local. Em geral, os titulares escolheram para a suplência nomes com patrimônio declarado maior que o seu e com histórico de doações eleitorais generosas.

    Luiz Osvaldo Pastore, empresário com patrimônio declarado de R$ 677 milhões, é primeiro suplente de Eduardo Gomes (PL-TO) - Mathilde Missioneiro - 16.out.19/Folhapress · Mathilde Missioneiro - 16.out.19/Folhapress
    Luiz Osvaldo Pastore, empresário com patrimônio declarado de R$ 677 milhões, é primeiro suplente de Eduardo Gomes (PL-TO) - Mathilde Missioneiro - 16.out.19/Folhapress · Mathilde Missioneiro - 16.out.19/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os suplentes são como os "vices", assumindo o mandato nos afastamentos dos titulares. Há casos em que, por acordo político, um senador pede licença do cargo para que seus companheiros de chapa ocupem a cadeira por um determinado período de tempo.

    Levantamento da Folha com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indica que a média de patrimônio dos candidatos a primeiro suplente é de R$ 9 milhões em 2026, mais que o dobro da média dos bens dos que concorrem como titulares às vagas, que é de R$ 3,9 milhões. A média de patrimônio dos segundos suplentes também é alta, de R$ 3,1 milhões.

    Consideradas as candidaturas de partidos com representação no Congresso Nacional , 42% dos suplentes têm patrimônio superior aos dos titulares às vagas. Nesse recorte, 101 dos 220 postulantes a primeiro suplente são milionários.

    Odílio Balbinotti Filho, dono de patrimônio declarado de R$ 359,7 milhões, é primeiro suplente de Zé Medeiros (PL-MT) - Alan Marques - 15.mar.07/Folhapress · Alan Marques - 15.mar.07/Folhapress
    Odílio Balbinotti Filho, dono de patrimônio declarado de R$ 359,7 milhões, é primeiro suplente de Zé Medeiros (PL-MT) - Alan Marques - 15.mar.07/Folhapress · Alan Marques - 15.mar.07/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Os dados da Justiça Eleitoral foram extraídos no dia 25 de agosto, após o encerramento do prazo de registro de candidatura. A partir dessa data, os candidatos podem realizar apenas ajustes ao patrimônio declarado.

    Alguns casos chamam atenção, como o de Luiz Osvaldo Pastore (PL), candidato a suplente na chapa do senador Eduardo Gomes (PL) no Tocantins . O empresário tem um patrimônio declarado em R$ 677 milhões em 2026.

    Em 2022, Pastore concorreu pelo MDB como suplente de Flávia Arruda (PL) no Distrito Federal , e investiu R$ 2,1 milhões na eleição. O empresário enviou R$ 380 mil para a colega de chapa, mas também distribuiu R$ 1,2 milhões para diretórios do MDB e R$ 100 mil para a campanha do dirigente nacional da sigla, o deputado Baleia Rossi (SP).

    Gustavo Feijó, diretor de seleções da CBF, é segundo suplente de Arthur Lira (PP-AL) - Daniel Marenco - 29.fev.12/Folhapress · Daniel Marenco - 29.fev.12/Folhapress
    Gustavo Feijó, diretor de seleções da CBF, é segundo suplente de Arthur Lira (PP-AL) - Daniel Marenco - 29.fev.12/Folhapress · Daniel Marenco - 29.fev.12/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) tem como suplente Wilson Picler (PL), dono de patrimônio declarado em R$ 478,6 milhões. Conhecido como "professor Picler", ele tentou concorrer ao Senado em 2018 pelo PSL, sendo considerado inapto.

    Naquele ano, o empresário do ramo da educação distribuiu R$ 1,2 milhão em doações eleitorais, sendo R$ 800 mil para o governador Ratinho Júnior (PSD). Em 2022, quando não concorreu, ele doou R$ 923 mil, atendendo principalmente diretórios do Podemos e do MDB.

    Outro suplente milionário com histórico de generosidade eleitoral é Odilio Balbinotti Filho (PL), dono de uma fortuna declarada de R$ 359,7 milhões. Ele faz parte da chapa liderada por Zé Medeiros (PL) no Mato Grosso.

    Luciano Bivar, deputado federal e ex-presidente do antigo PSL, é primeiro suplente de Humberto Costa (PT-PE) - Pedro Ladeira - 05.ago.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 05.ago.25/Folhapress
    Luciano Bivar, deputado federal e ex-presidente do antigo PSL, é primeiro suplente de Humberto Costa (PT-PE) - Pedro Ladeira - 05.ago.25/Folhapress · Pedro Ladeira - 05.ago.25/Folhapress — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Em 2022, Balbinotti doou R$ 1,5 milhão nas eleições. Nesse pacote, estão R$ 600 mil para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) à Presidência e R$ 100 mil para Rogério Marinho (PL-RN), eleito senador e que hoje coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto.

    Até o dia 18 de setembro, os suplentes de senadores fizeram doações eleitorais que somam R$ 6,2 milhões. O líder de doação interna para chapas ao Senado é justamente o Professor Picler, que colocou R$ 430 mil na campanha de Dallagnol.

    Já no Tocantins, Pastore colocou R$ 317 mil na campanha de Eduardo Gomes. O empresário ainda investiu R$ 150 mil em candidatos a deputado estadual em outros estados: R$ 100 mil para André Correa (PSD-RJ)) e R$ 50 mil para Tiago Simon (MDB-RS).

    Três homens de terno e gravata conversam e sorriem em ambiente interno com colunas brancas ao fundo. O homem ao centro veste terno cinza e gravata listrada vermelha, está rindo com a boca aberta. O homem à esquerda, com terno escuro e grava
    Três homens de terno e gravata conversam e sorriem em ambiente interno com colunas brancas ao fundo. O homem ao centro veste terno cinza e gravata listrada vermelha, está rindo com a boca aberta. O homem à esquerda, com terno escuro e grava — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Há um caso diferente, porém. Rodrigo Oliveira (MDB-CE), 2º suplente de Luizianne (Rede), não investiu na sua companheira de chapa, mas colocou R$ 1 milhão na campanha do governador Elmano de Freitas (PT), que tenta reeleição).

    A escolha de suplentes pode ocorrer, também, por outros critérios. O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que tenta a reeleição, escolheu como companheiro de chapa Gustavo Dias Henrique, vice-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Seu adversário, Arthur Lira (PP-AL), tem como suplente o atual diretor de seleções da entidade, Gustavo Feijó.

    Em Minas Gerais , Carlos Viana (PSD) tenta a reeleição de senador com o deputado Misael Varella (PSD) na suplência. Com patrimônio declarado em R$ 315,2 milhões, Varella tem histórico de investir na própria candidatura à Câmara; foi R$ 1,1 milhão em 2014, R$ 1,1 milhão em 2018 e R$ 310 mil em 2022.

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    Além do critério financeiro, há casos em que a suplência é oferecida a um político de uma vertente diferente do titular, em busca de uma aliança. É o que aconteceu com o senador Humberto Costa (PT) em Pernambuco, que vai para a reeleição com Luciano Bivar como suplente. Bivar presidiu o antigo PSL, que abrigou Jair Bolsonaro na eleição de 2018. Agora, o deputado se tornou lulista.

    Neste ano, estão em disputa 54 das 81 vagas do Senado. Vencem os dois mais votados, sem segundo turno. O posto é visado porque os senadores possuem mandato de oito anos e indicam um valor maior de emendas em comparação aos deputados.

    Além disso, os senadores são "donos" dos seus mandatos. Dessa forma, podem trocar de partido sem risco de perder o cargo. Dispõem também de maior liberdade para negociar períodos de vacância para que seus suplentes assumam o cargo temporariamente.

    Um homem idoso está sentado em um sofá de couro marrom. Ele usa um terno escuro com uma gravata vermelha e tem cabelo grisalho. O fundo é uma parede clara, e a iluminação é suave. O homem parece estar em uma conversa ou reflexão, com uma ex
    Um homem idoso está sentado em um sofá de couro marrom. Ele usa um terno escuro com uma gravata vermelha e tem cabelo grisalho. O fundo é uma parede clara, e a iluminação é suave. O homem parece estar em uma conversa ou reflexão, com uma ex — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

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    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/09/candidatos-ao-senado-escolhem-suplentes-milionarios-de-olho-no-financiamento-de-campanha.shtml.

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