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    Candidatos à Presidência são vagos na cultura, com plano de Lula maior que o de Flávio

    Atual presidente é quem dedica mais páginas para o setor

    UOL
    30 de setembro de 2026 às 08:00
    Candidatos à Presidência são vagos na cultura, com plano de Lula maior que o de Flávio
    À esquerda, homem idoso com cabelo branco e barba, sorrindo, veste terno escuro, camisa branca e gravata. Ao fundo, bandeira desfocada. À direita, homem de meia-idade com cabelo escuro curto, veste camiseta amarela com gola verde, sorri lev — Foto: UOL

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    Mudanças em leis de incentivo, como a Aldir Blanc e a Rouanet , medidas para melhorar a distribuição de recursos e desenvolver polos regionais e a regulamentação do streaming estão entre as propostas para a cultura dos principais candidatos à Presidência do Brasil nessas eleições.

    O presidente Lula (PT), candidato ao Planalto, e Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, em montagem - Adriano Machado/Reuters/Montagem · Adriano Machado/Reuters/Montagem
    O presidente Lula (PT), candidato ao Planalto, e Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, em montagem - Adriano Machado/Reuters/Montagem · Adriano Machado/Reuters/Montagem — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Na maioria dos planos de governo, as ideias são elaboradas de maneira vaga, ocupando entre alguns parágrafos e pouco mais de duas páginas, ignorando tópicos como os impactos do possível fim da escala 6x1 sobre o setor.

    A reportagem analisou os planos de campanha dos cinco candidatos melhor colocados no estudo mais recente do Datafolha . Em primeiro lugar está Lula , do PT, com 40% das intenções de voto. Em seguida, com 36%, vem Flávio Bolsonaro , do PL.

    Num patamar mais baixo estão Augusto Cury (Avante), com 5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. Eles, porém, estão empatados, dada a margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

    Lula faz ato de campanha em São Miguel Paulista, na zona leste de SP
    Lula faz ato de campanha em São Miguel Paulista, na zona leste de SP — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O plano de campanha que dedica mais linhas à cultura é o de Lula, que promete continuar projetos de seu atual mandato, em que restaurou o Ministério da Cultura —reduzido a uma secretaria por Jair Bolsonaro — e aprovou a Lei do Sistema Nacional de Cultura , que une as políticas culturais em todo o Brasil, integrando o Governo Federal, o Distrito Federal, os estados e municípios.

    Seu plano prevê o fortalecimento da Lei Aldir Blanc e da Lei Rouanet, que em 2025 captou R$ 3,41 bilhões, e da desconcentração regional quanto ao fomento cultural. Para isso, o documento cita o aprimoramento de instâncias como o Conselho Nacional de Política Cultural , que monitoram a participação de figuras do setor no desenvolvimento de políticas —embora não especifique como o fará.

    As propostas ainda contemplam a preservação de instituições responsáveis por patrimônios culturais e políticas a "mestras e mestres das culturas populares e tradicionais, com regras claras de direito autoral". O documento não cita que medidas exatamente são essas ou que instituições serão contempladas.

    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026
    Flávio Bolsonaro na campanha eleitoral de 2026 — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O plano também cita o reforço de programas comunitários, como o Cultura Viva —que apoia instituições sem fins lucrativos voltadas ao setor—, e a manutenção e expansão de equipamentos públicos, como os CEUs . No atual mandato, o Novo PAC , Programa de Aceleração do Crescimento, deu suporte a 6.000 bibliotecas públicas e a 144 obras de restauro de patrimônios.

    Já sobre o cinema nacional, o documento cita vagamente o fortalecimento de políticas do audiovisual e, na esteira do Tela Brasil , streaming público lançado em maio, a busca pela aprovação da regulamentação do streaming —questão que só é abordada no plano de Lula. Entre as políticas citadas está a Cota de Tela , que tem sofrido várias críticas por brechas exploradas por redes de cinema .

    As propostas ainda incluem a regulamentação da inteligência artificial , o estímulo à formação de novos profissionais e medidas, integradas às escolas, para formar plateias desde a infância. Mais uma vez, o plano não detalha como esses objetivos serão cumpridos.

    Veja fotos da manifestação de Augusto Cury em Copacabana, no Rio de Janeiro
    Veja fotos da manifestação de Augusto Cury em Copacabana, no Rio de Janeiro — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Já o plano de Flávio Bolsonaro dedica pouco mais de dois parágrafos ao setor. Entre as medidas estão, sem detalhes para a sua execução, a preservação do patrimônio histórico, incluindo obras e acervos, o desenvolvimento de polos regionais alternativos e a "correção de distorções em leis de incentivo".

    O documento ainda aborda a democratização da arte, de forma transparente e não "subordinada a agendas políticas". Não são dados detalhes sobre o que seriam as tais distorções e que agendas políticas seriam essas.

    Augusto Cury, por sua vez, aborda em poucas linhas de seu plano para a cultura as propostas para reforçar a identidade brasileira por meio da arte. Segundo o documento, caso o candidato seja eleito, a cultura será tratada como um "ativo estratégico".

    Conheça Ronaldo Caiado, candidato à presidência
    Conheça Ronaldo Caiado, candidato à presidência — Foto: UOL · Fonte: UOL

    Sem detalhes, o documento promete incentivos à produção artística, audiovisual, musical, literária e digital, fora o estímulo a empregos, à exportação de conteúdo nacional e à preservação do patrimônio.

    Já o plano de Ronaldo Caiado dedica duas de cem páginas à área, propondo um novo Plano Nacional de Cultura, com "indicadores, responsáveis, orçamento e monitoramento público", o aprimoramento do Fundo Nacional de Cultura e das leis Rouanet e Aldir Blanc e um sistema, junto ao IBGE e outras entidades, para avaliar impactos de investimentos sobre a cultura, com critérios como região, raça e gênero.

    O documento ainda cita o apoio às artes em escolas, o fomento a centros culturais e programações em periferias, a atualização de acervos e a qualificação de profissionais da economia criativa.

    Renan Santos reúne apoiadores em ato de 7 de Setembro no Ibirapuera; veja fotos
    Renan Santos reúne apoiadores em ato de 7 de Setembro no Ibirapuera; veja fotos — Foto: UOL · Fonte: UOL

    O plano também inclui, vagamente, a elaboração de instrumentos para a produção e distribuição de filmes nacionais —a última, tida como frágil por entidades do audiovisual, só é citada aqui—, a criação de regras para o uso de obras em sistemas de IA, o apoio às artes sem censura ou propaganda partidária, o reforço de intercâmbios entre a cultura brasileira e o resto do mundo e a manutenção de patrimônios.

    No que diz respeito à última medida, o programa de Caiado cita o Iphan , sugerindo uma maior articulação entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e universidades, o setor turístico e a iniciativa privada, sem detalhar como isso acontecerá.

    Finalmente, o projeto de Renan Santos dedica pouco mais de duas páginas a denunciar "distorções da Lei Rouanet", propondo reformas, não detalhadas, que evitem privilegiar o campo político da esquerda.

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    Foto: UOL · Fonte: UOL

    O plano também defende a fusão entre o Ministério da Cultura e o Ministério da Educação e a separação entre o audiovisual e o que chama de ideologia de órgãos responsáveis por repasses de verbas —e que, diz, "protegem máfias que monopolizam influência".

    O documento ainda cita reformas no Ibram , o Instituto Brasileiro de Museus, e no Iphan, dono de "uma política excessivamente generosa de tombamentos".

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    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor
    Estante de madeira escura com uma prateleira contendo 22 livros alinhados, com lombadas coloridas em tons de amarelo, vermelho, azul, verde, preto e branco. Os livros estão organizados principalmente na vertical, exceto cinco empilhados hor — Foto: UOL · Fonte: UOL

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    Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/09/candidatos-a-presidencia-sao-vagos-na-cultura-com-plano-de-lula-maior-que-o-de-flavio.shtml.

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