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    Candidato que associou funk ao crime em CPI usa ritmo em jingle de campanha

    "O problema com o funk é a letra, não o ritmo. Quem não percebe a diferença tem déficit cognitivo [SIC]", justificou Lucas Pavanato (PL)

    Metrópoles
    11 de setembro de 2026 às 05:30
    Candidato que associou funk ao crime em CPI usa ritmo em jingle de campanha
    Foto: Metrópoles

    Após associar o funk ao crime organizado durante a CPI dos Pancadões em São Paulo , o vereador Lucas Pavanato (PL) recorreu ao gênero musical em peças da própria campanha para a Câmara dos Deputados . Nas redes sociais, o parlamentar fez postagens com o jingle “Corte Rápido (Funk do Pavanato)”, pancadão que pede votos no candidato.

    “Vota no Pavanato. Vota, vota no Pavanato. 2211, eu tô fechado com você. Lucas Pavanato é o melhor de SP”, canta o candidato em um vídeo em que aparece usando óculos Juliet e segura uma caixa de som — acessórios que são comuns ao universo do funk.

    Pavanato foi relator da CPI criada em 2025 na Câmara Municipal com o objetivo de “investigar possíveis omissões dos órgãos públicos na fiscalização da perturbação do sossego, especialmente no combate a festas clandestinas e ‘pancadões’ realizados em São Paulo”.

    Reprodução/Redes Sociais
    Reprodução/Redes Sociais — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    Ao longo da comissão, o vereador esteve alinhado com o presidente da CPI, Rubinho Nunes (União), ao defender a visão de que funkeiros e bailes na periferia de São Paulo estão diretamente ligados à prática de crimes. No relatório final, Pavanato afirmou ser evidente que “pancadões, em determinados contextos, funcionam como espaços de difusão e normalização da chamada narcocultura “. No entendimento dele, o fenômeno legitima o crime organizado, o tráfico de drogas e a violência como “meios de ascensão social e afirmação identitária” .

    Durante o mandato, Pavanato também protagonizou mais de uma iniciativa contra o gênero. Em junho deste ano, o Museu da Língua Portuguesa decidiu adiantar o fim uma exposição sobre funk após representação do vereador e do deputado estadual Felipe Sertanejo (PL) ao Ministério Público de São Paulo ( MPSP ).

    A exposição Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade começou em novembro de 2025 e estava prevista para durar até agosto de 2026, mas foi encerrada no final de maio. Pouco antes do encerramento, Pavanato publicou um vídeo com críticas à mostra. Na gravação, ele afirmou que a exposição promovia “funk, sexualidade explícita e crime organizado”.

    Eleições 2026
    Eleições 2026 — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “O pior não é você retratar a realidade, é promover isso como se fosse normal. Quando um jovem vem para cá, ele acha que é uma cultura normal e desejável, mas não é”, disse na ocasião. A denúncia pediu que o MPSP apurasse possíveis violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), devido à uma “exposição indevida de menores ao conteúdo considerado impróprio, além de eventual apologia ao crime organizado”, alegava o documento.

    Em junho de 2025, Pavanato publicou outro vídeo, desta vez acompanhando a Guarda Civil Metropolitana (GCM) durante uma ação para “acabar com o pancadão” em Cidade Ademar, bairro na zona sul da capital paulista. “Tudo que gira em torno dos pancadões geralmente está na irregularidade, não está seguindo o que a lei estabelece, além de prejudicar o sossego”, afirmou enquanto autoridades autuavam uma adega irregular.

    Em outra oportunidade, Pavanato afirmou que “funkeiro que cultua o crime organizado tem que apodrecer na cadeia”. Nas redes sociais, ele se define como o “vereador que mais fiscalizou pancadões”.

    Imagem colorida mostra Lucas Pavanato, candidato que criticou funk e usou gênero em jingle. Metrópoles
    Imagem colorida mostra Lucas Pavanato, candidato que criticou funk e usou gênero em jingle. Metrópoles — Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    A escolha do funk como gênero musical para o jingle da campanha para as eleições deste ano virou motivo de crítica para Lucas Pavanato, inclusive de rivais políticos. Em uma publicação nas redes sociais, o vereador Professor Toninho Vespoli, líder do PSOL na Câmara dos Vereadores, escreveu:

    “Lucas Pavanato, candidato do PL, passou seu mandato atacando o funk e tratando a cultura da periferia como inimiga. Agora, em época de eleição, aparece usando justamente o funk para tentar ganhar voto. Quando a eleição chega, a extrema direita esquece até o próprio discurso”. Internautas também se manifestaram sobre o tema. “Demonizam o funk durante 4 anos, aí chega a eleição e fazem jingle de funk e até dançam”, escreveu um usuário do Instagram em uma publicação feita pela campanha. “Agora gostam de funk?”, questionou uma mulher na mesma publicação.

    Em nota enviada ao Metrópoles , Lucas Pavanato alegou que critica o funk que “faz apologia ao crime ou que rebaixa a mulher” Disse ainda que, na CPI dos Pancadões, foram combatidas festas clandestinas e fora de horário que perturbam o sossego na periferia. “O problema com o funk por óbvio é a letra, não o ritmo. Quem não percebe a diferença tem déficit cognitivo [SIC]”, acrescentou ele.

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    Foto: Metrópoles · Fonte: Metrópoles

    “Eu critiquei e critico o funk com apologia ao crime e que rebaixa a mulher. Na CPI dos Pancadões, foram combatidas as festas clandestinas e fora de horário que perturbam o sossego na periferia. O problema com o funk por óbvio é a letra, não o ritmo. Quem não percebe a diferença tem déficit cognitivo. Estamos produzindo nossas músicas com a mesma empresa que produz as do André Fernandes no Ceará e participamos, sim, do processo criativo. O funk é muito ouvido nas periferias e eu sou o vereador com mais votos lá. Jingle é completamente diferente de apologia.”

    O jingle de Lucas Pavanato foi criado pela produtora Prismah, a mesma responsável pelas músicas das campanhas do presidenciável Flávio Bolsonaro e dos candidatos a deputado federal André Fernandes e Nikolas Ferreira, todos do PL. Todos usam o funk como gênero musical de suas peças de campanha.

    Em seu site, a produtora se define como uma “empresa especializada em jingles políticos, estratégia musical, inteligência eleitoral e comunicação de campanha”. “O foco não é apenas criar músicas, mas desenvolver narrativas sonoras capazes de traduzir posicionamento, memória pública e identidade política em formatos de alta circulação”, diz.

    Nikolas, vale lembrar, também já fez críticas públicas ao ritmo. Durante as discussões sobre o Projeto de Lei (PL) da Misoginia na Câmara, o parlamentar chegou a associar o gênero à chamada “cultura do estupro”.

    O Metrópoles procurou a produtora para entender mais sobre o processo de criação dos jingles, mas não recebeu resposta até o momento de publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

    Também tentamos contato com a assessoria do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) para que explicasse o motivo da escolha do gênero musical para o jingle e saber se o parlamentar teria mudado de opinião a respeito do funk. Não houve retorno. O espaço também permanece aberto em caso de eventual manifestação.

    Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/sao-paulo/candidato-funk-crime-jingle-campanha.

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