Candidato não eleito é acusado de calote em equipe de pesquisa eleitoral
Luís Miranda (Democratas) aparecia com apoio de 21 mil pessoas nos grupos de pesquisa, mas recebeu apenas 3.610 votos nas urnas

Contratados para fazer uma pesquisa de intenção de voto para Luís Miranda (Democratas) , candidato não eleito a deputado distrital, afirmam que não receberam o pagamento pelos serviços prestados. Miranda recebeu 3.610 votos — número insuficiente para garantir uma vaga na Câmara Legislativa do Distrito Federal — e, segundo os trabalhadores, o agora ex-candidato deixou de pagar os valores previstos em contrato.
No documento ao qual o Metrópoles teve acesso, uma das tarefas previstas para o trabalho, no valor de R$ 700, era de criar um grupo de WhatsApp com, pelo menos, 50 pessoas que declarassem apoio a Miranda. Um integrante da equipe deveria ser incluído na conversa para validar os participantes.
O contrato também determinava que pessoas que “negassem o apoio ao candidato” fossem retiradas do grupo. A comunidade deveria permanecer ativa até o dia seguinte à eleição, e mensagens deveriam ser enviadas diariamente, até as 18h, para confirmar quais integrantes continuavam “fechados com o Miranda”.

Uma mulher de 27 anos, moradora de São Sebastião, foi uma das pessoas contratadas para fazer as pesquisas. Ela chegou por indicação de amigos e afirma que ela e os colegas tiveram dificuldade para conseguir apoiadores suficientes para formar os grupos exigidos no contrato. Segundo ela, diante da dificuldade, a própria equipe do candidato orientou as freelancers a convencer as pessoas a declarar que votariam em Miranda, mesmo quando essa não fosse a intenção delas.
“Era difícil conseguir 50 pessoas que realmente apoiavam o Miranda para colocar no grupo. Então, a própria equipe orientou a gente a convencer outras pessoas a dizer que iam votar nele, mesmo que não tivessem certeza ou nem tivessem essa intenção. Eles diziam que o objetivo era apresentar o candidato e as propostas dele para essas pessoas e, mesmo que elas ainda não fossem votar nele, pelo menos teriam contato com o nome e poderiam mudar de ideia”, detalhou ao Metrópoles .
A primeira suspeita de que o pagamento poderia não ser feito surgiu quando a equipe adiou, de 3 para 4 de outubro, a data prevista para o depósito.

“Falaram que tinha que ser dia 4 porque, no dia 3, estavam fazendo uma carreata e não estavam tendo tempo de organizar para pagar todo mundo. O erro já começa aí, porque, em dia de eleição, essa ação é considerada boca de urna. Mas, aparentemente, já era uma estratégia para ver se ganharia ou não. Como não ganhou, não pagou.”
Depois, segundo a moradora de São Sebastião, a equipe informou que o pagamento já havia sido realizado. Ela afirma que recebeu um comprovante da transferência, mas decidiu conferir o extrato bancário. Foi então que constatou que o valor não havia sido depositado e, segundo ela, o comprovante enviado pela equipe não correspondia a uma transferência efetivamente realizada.


Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/distrito-federal/candidato-nao-eleito-e-acusado-de-calote-em-equipe-de-pesquisa-eleitoral.

Jacqueline Lisboa/Metrópoles — Foto: Metrópoles
Compartilhe
Espalhe essa notícia

