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    Candidatas mulheres são um terço do total há quatro eleições nacionais; veja perfil de 2026

    O percentual de candidaturas femininas é de 34,9% nas eleições de 2026, uma pequena variação positiva em relação ao pleito de 2022, quando representavam 33,8%. O dado evidencia uma estagnação de mulheres na disputa eleitoral: esta é a quarta eleição nacional em que a proporção é de uma a cada três candidatos no total. Leia mais (08/18/2026 - 23h30)

    Folha de S.Paulo
    19 de agosto de 2026 às 02:30
    Candidatas mulheres são um terço do total há quatro eleições nacionais; veja perfil de 2026
    Mão de pessoa pressionando botão verde de confirmação em urna eletrônica durante votação. Tela exibe cargo 'Deputado Estadual' e número do candidato. — Foto: Folha de S.Paulo

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    O percentual de candidaturas femininas é de 34,9% nas eleições de 2026, uma pequena variação positiva em relação ao pleito de 2022, quando representavam 33,8%. O dado evidencia uma estagnação de mulheres na disputa eleitoral: esta é a quarta eleição nacional em que a proporção é de uma a cada três candidatos no total.

    Teste de urna eletrônica - Fernando Frazão/Agência Brasil · Fernando Frazão/Agência Brasil
    Teste de urna eletrônica - Fernando Frazão/Agência Brasil · Fernando Frazão/Agência Brasil — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Neste ano, haverá ao todo 20,5 mil candidaturas, cerca de 8.700 a menos do que em 2022, um recuo histórico de 30% . Destas, 13.374 informaram ser do sexo masculino e 7.156, do sexo feminino.

    Os números são de pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral —antes, portanto, do deferimento ou não das candidaturas.

    O prazo final para a oficialização terminou no sábado (15), mas pequenas atualizações ainda podem ocorrer em razão de desistências, falecimentos, decisões judiciais e substituições de candidaturas. A análise da Folha considera dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atualizados até as 12h30 desta terça-feira (18).

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    As mulheres são maioria da população brasileira (51,5%), segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas ainda estão longe de alcançar a paridade no sistema eleitoral.

    A participação feminina aumentou desde 2009, quando passou a valer a lei que determina a reserva de 30% de candidaturas, financiamento e propaganda para mulheres. Nas últimas três eleições nacionais, no entanto, os valores estão parados em um terço.

    Além disso, as mulheres aparecem mais como candidatas a vice e suplente do que como cabeça de chapa nos cargos majoritários. Enquanto as candidaturas femininas são 42,6% para o cargo de vice-governador nestas eleições, a proporção é de apenas 16,8% para o cargo de governador.

    BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
    BRASILIA, DF, BRASIL, 05-07-2024, 12h00: Fachada do Congresso Nacional, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Entre as 13 candidaturas registradas à Presidência da República, só duas são de mulheres –Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC). Segundo levantamento feito pela Folha , a eleição presidencial de 2026 será a primeira deste século a não ter mulheres nas chapas presidenciais competitivas .

    Para Bianca Gonçalves de Silva, advogada eleitoralista, a estagnação deriva de uma série de fatores: falta de incentivo real, pois os partidos tratam o piso de 30% como um teto, violência política de gênero, que afasta mais as mulheres da disputa do que os homens, e dificuldade de fiscalizar a distribuição dos recursos do fundo partidário e do tempo de TV.

    "No Brasil, a gente ainda discute uma reserva de candidaturas, enquanto em outros países, em especial na América Latina, discute-se a reserva de cadeiras", afirma. "Com as minirreformas, os 30% passaram a ser cumpridos , mas os partidos não se esforçam para mudar o perfil dos candidatos, de homem branco de meia-idade. Para uma mulher sentar na Câmara, um homem vai precisar levantar, e eles são maioria, não querem isso", diz.

    "Os partidos falam muito que não acham mulheres para concorrer, mas o que vemos na prática é que elas são 52% da população e 47% das filiadas em partidos. Se as mulheres não se interessassem por política, elas não seriam filiadas."

    Desde as eleições municipais de 2024 há também a possibilidade de informação sobre identidade de gênero e orientação sexual, mas o preenchimento não é obrigatório. Entre os 11,8 mil candidatos que incluíram o dado no registro, 106 se declararam transgênero (1%) e 11.773, cisgênero (99%). Já os que se declararam LGBTQIA+ foram 406 (3,6%) e heterossexuais, 10.928 (96,4%).

    Assim como as candidaturas femininas, as candidaturas pretas e pardas, subrepresentadas na política, pouco se alteraram. Candidatos autodeclarados pretos e pardos representam 49,7% dos registros, ante 50,3% na eleição passada.

    A legislação brasileira determina que os partidos políticos destinem ao menos 30% das vagas e recursos do fundo eleitoral e do fundo partidário para candidaturas negras, mas também há disparidade entre cabeças de chapa e vices.

    Segundo o IBGE, pretos e pardos somados representam 55,6% da população brasileira (respectivos 45,3% e 10,3%). Nas eleições deste ano, 7.418 postulantes se autodeclararam pardos (36,1%) e 2.800 pretos (13,6%). Somados, pretos e pardos são 49,8% das candidaturas, proporção inferior aos 50,3% observados nas eleições passadas.

    O cargo com maior percentual de pardos é o de 2º suplente a senador (40,8%), e o com maior percentual de pretos é o de vice-governador (20,8%).

    A faixa etária mais representativa desta eleição é a dos candidatos de 45 a 49 anos (3.547 postulantes). Aos 92 anos, Almir Rangel ( Avante ) é o candidato mais velho e vai concorrer a deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Com 19 anos na data do primeiro turno, a candidata mais nova a se registrar é Carol Medeiros (PRD), que tenta uma vaga de deputado estadual no Maranhão.

    Em relação à escolaridade, a maioria dos candidatos (58,6%) informou ter ensino superior completo. Do lado oposto, 0,4% afirmaram que só leem e escrevem.

    Dos 20.530 candidatos registrados, 2.576 informaram a profissão de empresário (12,5%). Entre as ocupações mais comuns, na sequência vêm 1.691 advogados (8,2%), 874 deputados (4,3%), 811 vereadores (4%) e 569 policiais militares (2,8%). Já 2.709 (13,2%) usaram o campo "outros".

    Os partidos com maior percentual de pretos e pardos são o PCB (65,2%) e Mobiliza (63,6%); do lado oposto estão o PL (37,6%) e o Missão (37,9%).

    Ao todo, 30 partidos concorrerão nesta eleição, dois a menos que no pleito de 2022. Desde a última eleição geral, o PTB e o Patriota se fundiram e criaram o PRD. O Pros foi incorporado pelo Solidariedade, mesmo movimento feito pelo PSC, que foi absorvido pelo Podemos.

    O único partido criado nesta eleição é o Missão, de integrantes do MBL .

    Há também duas novas federações (União/PP e PRD/Solidariedade), além das três que já haviam disputado em 2022 (PSOL/Rede, PSDB/Cidadania e PT/PC do B/PV).

    PL e MDB foram os partidos que mais registraram candidatos até agora: 1.628 e 1.391, respectivamente. Já o PRTB e o PCB são as legendas com menos representantes: 10 e 23.

    O total de candidatos nas eleições gerais de 2026 registrou uma queda brusca , a maior já verificada desde 1994, primeiro ano disponível na base do TSE .

    A principal mudança é observada nos cargos legislativos. O total de candidatos a deputado federal caiu de 10.630 para 7.636 e a deputado estadual (incluindo distrital) de 17.347 para 11.523, na relação entre 2026 e 2022.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/08/candidatas-mulheres-sao-um-terco-do-total-ha-quatro-eleicoes-nacionais-veja-perfil-de-2026.shtml.

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