Candidata do PCO causa tumulto em debate após defender mulheres trans em prisões masculinas
Izadora Dias defendeu que sistema prisional fosse divido por sexo biológico e mencionou supostos assédios

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A candidata do PCO ao Governo de São Paulo, Izadora Dias , defendeu que instituições prisionais sejam divididas pelo sexo biológico dos detentos. Segundo ela, há supostos casos de assédio contra mulheres cis.

A fala aconteceu na quarta-feira (30) durante um debate organizado pela APSP (Associação Paulista de Saúde Pública) e pela FSP (Faculdade de Saúde Pública) da USP . "Os presídios precisam ser definidos pelo sexo. Há muita denúncia de mulheres que estão sendo ameaçadas, que estão sofrendo com a presença de mulheres trans", afirmou Dias.
Além de Dias, estavam presentes os candidatos Carlos Machado (PCB), Vivian Mendes (UP) e Marianne Pinotti, representando o candidato do PT, Fernando Haddad . Os demais candidatos foram convidados, mas não compareceram.
A candidata do PCO também afirmou que a diferença biológica entre os sexos é comprovada pela ciência e citou a gestação e a amamentação. "O pessoal fala tanto que a direita, os bolsonaristas são negacionistas, mas, em pleno século 21, a gente tem que argumentar uma coisa muito óbvia", disse.

A fala foi repreendida por estudantes do Caer (Centro Acadêmico Emílio Ribas), da FSP, que acusaram Dias de transfobia e deixaram a sala onde aconteciam as discussões. O debate foi encerrado após a discussão.
A estudante Vick Matos, representante do Caer, pediu a palavra e afirmou que não há diferença biológica comprovada entre homens e mulheres. Ela também manifestou solidariedade a "estudantes transexuais que enfrentam diversas dificuldades dentro e fora dessa faculdade".
"Eu não acho aceitável reforçar esse tipo de estereótipo referente a mulheres trans. Esse é um direito garantido por lei. Transfobia é crime", completou.

Dias rebateu afirmando que o dispositivo usado para criminalizar ataques a pessoas trans é o mesmo usado para "acusar e prender" defensores do Estado Palestino .
Em 2019, o STF (Supremo Tribunal Federal) equiparou a homotransfobia ao racismo (Lei 7.716/89), aplicando o conceito social de raça firmado em 2003, quando a corte enquadrou o antissemitismo como racismo no caso Ellwanger.
Segundo Dias, os estudantes acionaram a polícia, que não compareceu ao local e os orientou a registrar um boletim de ocorrência.
Em nota conjunta, o Caer e a diretoria da FSP repudiaram as falas da candidata do PCO e trataram as declarações como homofóbicas.
"Não toleramos a disseminação de estereótipos violentos contra pessoas marginalizadas nem a tentativa de reduzir o debate sobre saúde e direitos a argumentos que desrespeitam o direito à existência e à dignidade", diz o comunicado.
Eles também afirmam que a fala da estudante foi "maliciosamente editada, descontextualizando-a propositalmente para produzir desinformação e buscar engajamento digital".
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Em outra nota, assinada pela FSP e pela APSP, as falas de Dias também foram repudiadas. As instituições afirmam que não corroboram com a opinião da candidata.
"Promover o debate democrático pressupõe assegurar a expressão de diferentes posições políticas, o que não significa concordância das instituições com todas as manifestações realizadas durante a atividade", afirmam.
A candidata do PCO afirma que sua posição reflete o programa político do partido. Para a sigla, "não só os presídios femininos sejam separados baseados no sexo, mas que todos os ambientes femininos sigam esse princípio biológico".
"Não existe identidade de gênero e não nos pautamos por uma ideia subjetiva, mas sim pela questão material. Mulheres são XX e homens XY. Isso não é uma escolha de nenhum sujeito", disse Dias em nota.
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Publicado originalmente por UOL. Leia a matéria completa em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2026/10/candidata-do-pco-causa-tumulto-em-debate-apos-defender-mulheres-trans-em-prisoes-masculinas.shtml.

Izadora Dias, candidata do PCO ao governo de SP, durante debate na Faculdade de Saúde Pública da USP - Reprodução do YouTube/FSP-USP · Reprodução do YouTube/FSP-USP — Foto: UOL
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