Candidata democrata ao Congresso nos EUA vê 'fome de uma nova visão'
Darializa Ávila Chevalier tem um sorriso tímido, um olhar curioso e a voz serena e firme. Leia mais (09/08/2026 - 12h50)

Jornalista especializada em diversidade, escreve sobre quem vive às margens nada plácidas do Ipiranga, da América Latina e de outras paragens
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Darializa Ávila Chevalier tem um sorriso tímido, um olhar curioso e a voz serena e firme.
Aos 32 anos, a norte-americana nascida em Miami se tornou um dos novos e proeminentes rostos da ala progressista do Partido Democrata ao vencer as primárias pelo 13º distrito de Nova York contra o veterano Adriano Espaillat, que, assim como Darializa, tem raízes dominicanas. Ela agora vai disputar uma vaga na Câmara de Representantes pelo distrito nova-iorquino que inclui bairros como Harlem e Bronx.
Ativista, organizadora comunitária, socióloga e membro da organização Socialistas Democráticos da América (DSA), ela desponta em meio a uma onda de vitórias nas primárias de jovens democratas que reverberam a popularidade de seu mais ilustre integrante, o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani .

Em sua visita ao Uruguai , conversei com Chevalier, junto ao jornalista argentino Brian Majlin, sobre a conjuntura norte-americana e seus objetivos caso chegue ao Congresso nas eleições de novembro.
"Sou de uma geração que viveu quase toda a vida sob um sistema onde nossos impostos continuam sendo usados para guerras intermináveis, mas não temos oportunidades econômicas em nossas comunidades", diz Chevalier. "Muitas pessoas têm fome de uma nova visão, que realmente responda às necessidades dos trabalhadores, em vez de empresários ou corporações que lhes tiraram o poder político."
Eliminar o ICE –a agência de controle migratório "profundamente baseada em uma longa história de racismo antinegro, anti-imigrante e xenófoba", como afirmou durante sua campanha– está entre seus principais objetivos. "Rejeitamos a ideia de que basta dizer que Donald Trump é o problema e nada mais. Temos que lutar pelas coisas de que precisamos: salários dignos, moradia acessível, cuidados infantis, erradicação da pobreza infantil."

Uma análise comum nos EUA, no entanto, é a de que, apesar de o surgimento de figuras progressistas como Chevalier pressionar o establishment democrata a se reinventar e rejuvenescer, o fato de os escolhidos serem menos experientes e terem menos apoio financeiro fará com que enfrentar os republicanos nas eleições de meio de mandato seja mais difícil.
Chevalier rebate o argumento por etapas. Sinaliza para o que entende como uma mudança de percepção sobre o que significa ser "socialista" para vários norte-americanos: "Temos um novo movimento de socialistas democráticos nos Estados Unidos que está lutando pelas coisas de que a comunidade trabalhadora precisa. Ontem mesmo eu estava ouvindo um programa que dizia que, em um grupo de eleitores de Trump, vários deles disseram não ter problema com o termo 'socialista'", afirma. "O que veem é um grupo de pessoas com propostas sobre como enfrentar os problemas que temos. E o que vejo são pessoas que realmente buscam uma alternativa."
Também recorda a crítica taxa de aprovação de Trump neste momento, entre 30% e 40%, segundo os institutos de pesquisa norte-americanos: "Está baixíssima, enquanto a do prefeito Zohran Mamdani é uma das mais altas dos Estados Unidos. Para mim, isso significa que as pessoas veem alguém que está lutando por sua comunidade, e é isso o que queremos em todo o país. Quando lancei minha campanha, me diziam que eu nunca venceria, porque existia a ideia de que o establishment era forte demais. Mas vencemos, porque apresentamos uma nova visão".

Filha de dominicanos, Chevalier passou parte da infância no país de seus pais e fala um espanhol sem fissuras, habilidade que utiliza para conversar com o eleitorado latino. "Acho que estamos vencendo também porque estamos falando diretamente com o povo, sem intermediários e sem tradutores. Não é preciso ter um nível de educação muito alto para entender que o custo de vida continua subindo, que o aluguel continua aumentando, que seus filhos têm menos oportunidades econômicas quando se formam na faculdade. Isso não é algo complexo", pondera.
"Por isso, era muito importante termos uma campanha que estivesse literalmente em contato direto com pessoas comuns. E foi por isso que, com tantos voluntários, conseguimos bater em mais de 150 mil portas no meu distrito para conversar com os nossos vizinhos. Um distrito que inclui, por exemplo, o Harlem e o Bronx, que é extremamente diverso."
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/denise-mota/2026/09/candidata-democrata-ao-congresso-nos-eua-ve-fome-de-uma-nova-visao.shtml.

A democrata norte-americana Darializa Ávila Chevalier em sessão do Congresso Panamericano, em Montevidéu (Uruguai) - Divulgação/Congresso Panamericano de Montevidéu · Divulgação/Congresso Panamericano de Montevidéu — Foto: Folha de S.Paulo
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