Candidata chilena apoiada pelo Brasil desiste da candidatura à Secretaria-Geral da ONU
A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet desistiu neste sábado (19) de sua candidatura à Secretaria-Geral da ONU ( Organização das Nações Unidas ). Bachelet era a postulante apoiada pelo Brasil, mas não tinha chances reais de assumir. Leia mais (09/19/2026 - 17h40)

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A ex-presidente do Chile Michelle Bachelet desistiu neste sábado (19) de sua candidatura à Secretaria-Geral da ONU ( Organização das Nações Unidas ). Bachelet era a postulante apoiada pelo Brasil, mas não tinha chances reais de assumir.

"Alguns acreditarão que este não era o momento para uma candidatura como a que pretendi representar. Um momento em que sopram fortes ventos contra princípios como o multilateralismo; o direito internacional, permanentemente transgredido; a existência das mudanças climáticas , que alguns negam apesar das evidências científicas; e a democracia e os direitos humanos , que estão em perigo", disse Bachelet em vídeo publicado em seu perfil no Instagram.
"Ao contrário, embora desde o início remando contra a corrente, estou convencida de que este era o momento de erguer a voz em defesa desses princípios, que foram a orgulhosa bandeira de minha candidatura. Não me arrependo de ter assumido esse grande desafio", acrescentou a ex-presidente.
A candidatura de Bachelet havia apresentado seu pior desempenho em duas rodadas de consultas no Conselho de Segurança da ONU. Pelas regras das Nações Unidas, o órgão deve aprovar um postulante sem que haja nenhum veto dos integrantes permanentes ( Estados Unidos , Reino Unido , França , Rússia e China ), antes que o nome siga para chancela da Assembleia-Geral.

Pessoas que acompanhavam o processo de seleção dizem que a ex-presidente chilena poderia esbarrar no veto dos EUA , devido ao governo de Donald Trump e da China, devido a um relatório que ela produziu apontando graves violações de direitos humanos de Pequim contra os uigures, uma minoria muçulmana no território chinês.
Na mais recente pesquisa secreta em que os 15 membros do Conselho votam, permanentes e não-permanentes, Bachelet teve somente um apoio e três votos sem opinião. Todos os outros 11 foram desencorajamentos à sua campanha. Além do Brasil, o México também apoiava a candidatura da ex-presidente —nenhum dos dois países está entre os membros do órgão.
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Duas mulheres lideram a corrida: Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe da Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento da organização; e Carolyn Rodrigues Birkett, a representante da Guiana na instituição.
Leia abaixo o pronunciamento completo de Michelle Bachelet:
Hoje anuncio que decidi não dar continuidade à candidatura à Secretaria-Geral das Nações Unidas.

Alguns acreditarão que este não era o momento para uma candidatura como a que pretendi representar. Um momento em que sopram fortes ventos contra princípios como o multilateralismo; contra o direito internacional, permanentemente transgredido; contra a existência das mudanças climáticas, que alguns negam apesar das evidências científicas; e contra a democracia e os direitos humanos, que estão em perigo.
Ao contrário, embora desde o início remando contra a corrente, estou convencida de que este era o momento de erguer a voz em defesa desses princípios, que foram a orgulhosa bandeira de minha candidatura. Não me arrependo de ter assumido este grande desafio.
Contribuímos para colocar no debate global que a próxima secretária-geral deve ser uma mulher da América Latina. Uma pessoa verdadeiramente independente e leal aos princípios da Carta da organização, que os defenda com firmeza diante dos Estados, independentemente de seu tamanho ou poder.
Agradeço muito especialmente aos presidentes do Brasil, Ignacio Lula da Silva, e do México, Claudia Sheinbaum, que apoiaram esta candidatura desde o primeiro dia, com generosidade e convicção. Agradeço também às chilenas e aos chilenos, bem como aos cidadãos do mundo que manifestaram seu apreço e apoio.
Agora, continuarei enfrentando, com a determinação de sempre, o desafio internacional. Permanecerei ativa na tarefa inadiável de construir um mundo com mais paz, segurança, desenvolvimento sustentável e respeito aos direitos humanos.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/candidata-chilena-apoiada-pelo-brasil-desiste-da-candidatura-a-secretaria-geral-da-onu.shtml.

A ex-presidente chilena Michelle Bachelet, então candidata ao cargo de Secretária-Geral das ONU, discursa em evento em Nova York - Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters · Eduardo Munoz - 23.jul.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo
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