Canadá prepara retaliação após novas tarifas anunciadas por Trump
Governo de Mark Carney deve anunciar medidas nesta terça-feira após escalada da disputa comercial com os Estados Unidos

O governo do Canadá prepara uma nova resposta às medidas comerciais adotadas pelo presidente dos Estados Unidos , Donald Trump, em mais um capítulo da crescente tensão econômica entre os dois países. Ottawa deve anunciar nesta terça-feira (25/8) ações para enfrentar as tarifas impostas por Washington e proteger empresas e trabalhadores canadenses afetados pela disputa.
A crise se intensificou depois que as negociações entre os dois países fracassaram . Os Estados Unidos passaram a aplicar tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. Entre os itens atingidos estão produtos como bebidas, laticínios, móveis, artigos esportivos, tecidos, papel e alguns equipamentos eletrônicos. Determinados produtos, incluindo energia, potássio e pescado, ficaram de fora das novas tarifas.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país pretende responder de maneira proporcional às medidas norte-americanas. As tarifas de retaliação anunciadas pelo Canadá estão previstas para entrar em vigor em 8 de setembro.

As novas medidas são consequência do rompimento das negociações comerciais entre Ottawa e Washington. Os dois governos vinham tentando chegar a um acordo que reduzisse os impactos das tarifas sobre setores estratégicos, principalmente os de automóveis, aço, alumínio e madeira.
As conversas, no entanto, terminaram sem acordo após novas exigências apresentadas pelos Estados Unidos. O governo canadense considerou algumas das condições inaceitáveis, principalmente aquelas que poderiam limitar a autonomia do país em futuras negociações comerciais.
Carney afirmou que o Canadá continua disposto a negociar, mas rejeita um acordo que considere prejudicial aos interesses nacionais. Para o primeiro-ministro, a estratégia de Washington representa uma tentativa de pressionar setores importantes da economia canadense.

A indústria automobilística aparece no centro da nova escalada. Trump ameaçou elevar para 50% as tarifas sobre carros, caminhões e peças produzidos no Canadá a partir de janeiro de 2027.
O setor é especialmente sensível porque as cadeias de produção dos dois países são altamente integradas. Peças e componentes atravessam diversas vezes a fronteira antes que um veículo seja finalizado, o que significa que tarifas mais elevadas podem aumentar custos tanto para fabricantes canadenses quanto para empresas instaladas nos Estados Unidos.
Autoridades e representantes do setor alertam que uma escalada prolongada pode afetar empregos e investimentos dos dois lados da fronteira.
Ottawa também considera outras formas de pressionar os Estados Unidos sem provocar danos ainda maiores à própria economia. Entre as possibilidades estão medidas relacionadas ao fornecimento de eletricidade, energia e minerais considerados estratégicos para a indústria norte-americana.
O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, chegou a defender o uso das exportações de eletricidade e de minerais críticos como instrumento de pressão sobre Washington. A possibilidade, porém, envolve riscos para as economias dos dois países, que possuem uma relação comercial profundamente integrada.
Ao mesmo tempo, o governo canadense deve apresentar medidas para auxiliar empresas e trabalhadores que possam sofrer os efeitos da disputa. Ministros das áreas de Finanças, Indústria e Trabalho participarão do anúncio das ações nesta terça-feira.
A nova rodada de tarifas amplia uma crise que vai além da disputa por produtos e preços. Canadá e Estados Unidos possuem uma das relações comerciais mais integradas do mundo, com cadeias produtivas compartilhadas e forte dependência mútua.
A escalada também aumentou o desgaste político entre os governos. Carney acusa Washington de utilizar a relação econômica como instrumento de pressão e afirma que o Canadá precisa reduzir sua dependência dos Estados Unidos.
Apesar da tensão, o governo canadense mantém aberta a possibilidade de novas negociações. A expectativa é que Ottawa combine a retaliação econômica com medidas de proteção interna, enquanto busca preservar espaço para um eventual acordo com Washington.
Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/mundo/canada-prepara-retaliacao-apos-novas-tarifas-anunciadas-por-trump.

Graham Hughes/NurPhoto via Getty Images — Foto: Metrópoles
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