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    Canadá encara a guerra comercial contra Trump

    Afeito à tática de coagir países a acatar acordos amplamente favoráveis aos EUA, Donald Trump encontrou um opositor com disposição acima da esperada para o confronto. Leia mais (08/28/2026 - 22h00)

    Folha de S.Paulo
    29 de agosto de 2026 às 01:00
    Canadá encara a guerra comercial contra Trump
    Homem de terno azul escuro e gravata preta fala em púlpito de madeira com símbolo de folha de bordo. Bandeira vermelha desfocada ao fundo e outra pessoa ao lado direito, parcialmente visível. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá - Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters · Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters
    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá - Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters · Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Afeito à tática de coagir países a acatar acordos amplamente favoráveis aos EUA, Donald Trump encontrou um opositor com disposição acima da esperada para o confronto.

    O vizinho Canadá , antigo aliado em diversas frentes, não apenas rejeitou na semana passada o acerto comercial proposto pela Casa Branca para aliviá-lo de um novo tarifaço como declarou-se em guerra comercial contra o seu principal parceiro.

    O primeiro-ministro Mark Carney anunciou barreiras equivalentes ao ingresso de produtos americanos em seu país, sob a premissa do "dólar por dólar". A despeito de uma queda de 0,5 ponto percentual no PIB do Canadá estimada pela revista Policy, a decisão de Ottawa obteve apoio de 76% da população, conforme pesquisa do Angus Reid Institute.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Fora a China , nenhum outro país pressionado pela diplomacia comercial disruptiva de Trump ousou tanto. Sem o poderio chinês e dependente do mercado americano, o Canadá já havia revidado cada sobretaxa imposta pelos EUA desde 2025. Desta vez, negociara sob a ameaça de tarifa adicional de 50% sobre 70% de sua pauta de exportação ao vizinho, ou US$ 20 bilhões anuais.

    O Canadá demarcou um limite à extorsão —a palavra é mais adequada para o caso— de Washington. Trump exigiu que o país replicasse tarifaços americanos a terceiros, restringisse negociações de livre comércio e até mesmo que removesse o francês como uma de suas línguas oficiais.

    O governo de Carney dá sinais de que se prepara para as consequências, como o anúncio de um pacote de US$ 18 bilhões para apoiar trabalhadores e empresas afetados pela guerra comercial.

    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha
    ilustração de Daniel Bueno para as páginas do projeto editorial da Folha — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Cartas na manga, para o caso de novas agressões, foram enumeradas pelo premiê. Perto de 100% das importações de gás natural dos Estados Unidos e 60% das de petróleo vêm do Canadá, provedor também de energia elétrica e minerais críticos.

    À parte a mudança cabotina do nome do lago Ontário para América, Trump vê-se entre a tentativa de retomar negociações com o Canadá e a imposição de medidas mais brutais contra o vizinho —sujeita ao bloqueio do acesso dos EUA a fontes de energia em tempos de suprimento escasseado por sua guerra contra o Irã . O mundo aguarda sua decisão.

    Em sua bufonaria, o republicano, uma vez mais, equivocou-se ao prever a subordinação de seu alvo e ao desconsiderar que, mesmo sob pressão econômica e militar da maior potência do planeta, outros países têm capacidade de retaliação —e líderes políticos colhem dividendos ao mostrá-la.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/08/canada-encara-a-guerra-comercial-contra-trump.shtml.

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    Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá - Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters · Chris Tanouye - 22.ago.26/Reuters — Foto: Folha de S.Paulo

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