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    Canadá atrai cientistas que querem deixar ciência dos EUA sob Trump

    Nos Estados Unidos , "não temos mais a liberdade acadêmica que tínhamos". Cansada dos cortes orçamentários em sua área, a epidemiologista Sheryl Magzamen migrou para uma universidade no Canadá , país que implementou uma estratégia para atrair talentos internacionais. Leia mais (09/10/2026 - 06h00)

    Folha de S.Paulo
    10 de setembro de 2026 às 09:00
    Canadá atrai cientistas que querem deixar ciência dos EUA sob Trump
    Cartaz branco com texto manuscrito em azul 'NOAA Saves Lives' afixado em parede de corredor interno de prédio. Ao lado, porta de madeira com janela fosca e placa '30 308 P08'. Próximo, painel de avisos com outros cartazes, incluindo um com — Foto: Folha de S.Paulo

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    Nos Estados Unidos , "não temos mais a liberdade acadêmica que tínhamos". Cansada dos cortes orçamentários em sua área, a epidemiologista Sheryl Magzamen migrou para uma universidade no Canadá , país que implementou uma estratégia para atrair talentos internacionais.

    Placa “A NOAA salva vidas” em um corredor da Universidade do Colorado em Boulder, na cidade de Boulder, Colorado, EUA. Os cortes orçamentários e as demissões promovidos pelo governo Trump em órgãos federais como a Administração Nacional Oce
    Placa “A NOAA salva vidas” em um corredor da Universidade do Colorado em Boulder, na cidade de Boulder, Colorado, EUA. Os cortes orçamentários e as demissões promovidos pelo governo Trump em órgãos federais como a Administração Nacional Oce — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Ex-pesquisadora da Universidade do Colorado, Magzamen iniciou seu novo período acadêmico na Universidade de Montreal. Outros 47 cientistas de diversas nacionalidades já se mudaram ou se mudarão em breve para o Canadá para continuar suas carreiras.

    Ottawa lançou um amplo programa para contratar pesquisadores internacionais, em meio à guerra comercial com Washington, que se intensificou nas últimas semanas.

    A iniciativa conta com 1,7 bilhão de dólares canadenses (R$ 6,2 bilhões) ao longo de 12 anos.

    Trump quer desligar satélites climáticos para cortar custo
    Trump quer desligar satélites climáticos para cortar custo — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Se alguns países reduzem seu orçamento de pesquisa e dão as costas à liberdade acadêmica, nós apostamos ainda mais na ciência e na pesquisa", disse no final de agosto a ministra da Indústria, Mélanie Joly, responsável pelo programa.

    São recursos sem precedentes "para colocar em andamento pesquisas de longo prazo", comemora Magzamen, que deixou os Estados Unidos com seu marido e seus filhos e está aprendendo francês para se integrar ao novo ambiente.

    A pesquisadora diz estar cansada das "restrições de financiamento nos Estados Unidos". Desde a volta de Donald Trump ao poder, em janeiro de 2025, ela perdeu várias bolsas para seus trabalhos sobre saúde e mudança climática .

    Cortes impostos por governo Trump geram protesto de cientistas nos EUA
    Cortes impostos por governo Trump geram protesto de cientistas nos EUA — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Com cortes de bilhões de dólares em financiamento e ameaças abertas às universidades, Trump se empenhou em transformar o panorama científico nos Estados Unidos, país de referência mundial em pesquisa.

    Phillip Zamore, que deixará a Universidade de Massachusetts em abril de 2027 para ingressar na Universidade McGill, em Montreal, também considera que se trata de uma escolha dolorosa, mas necessária.

    "Atualmente, o clima em relação à ciência nos Estados Unidos é hostil", declara este professor de biologia molecular, denunciando condições de trabalho contraproducentes.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "Decidi ir embora. É uma sorte que o Canadá continue valorizando a pesquisa científica", diz esse pesquisador, que contará com um orçamento equivalente a mais de um milhão de dólares americanos (mais de R$ 5 milhões).

    Para além dos recursos, as universidades canadenses prometem garantir a autonomia acadêmica aos pesquisadores que questionam seu papel nos Estados Unidos, ressalta Magzamen.

    "Nos Estados Unidos, há um controle estatal sobre a ciência e o conhecimento está se deteriorando", afirma Sophie D’Amours, reitora da Universidade Laval, em Quebec, que, desde o retorno de Trump à Casa Branca, contratou 15 pesquisadores dos Estados Unidos.

    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool)
    Surfista Ítalo Ferreira durante eclipse solar em praia entre as cidades de Natal e Baía Formosa, no Rio Grande do Norte - (Foto: Marcelo Maragni / Red Bull Content Pool) — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Além do Canadá, França, Reino Unido e a União Europeia lançaram iniciativas semelhantes para atrair pesquisadores americanos.

    A UE destinou para esse objetivo uma verba de cerca de 500 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões) para o período 2025-2027.

    A França anunciou, em maio, que selecionou 60 pesquisadores, principalmente residentes dos Estados Unidos.

    "É um estímulo positivo ver que vários países querem participar" da contratação destes pesquisadores, afirma a vice-reitora de pesquisa e inovação da Universidade McGill, Dominique Bérubé.

    Estes pesquisadores trabalham em áreas tão variadas quanto a inteligência artificial, a medicina ou o setor aeroespacial. E isso representa uma "oportunidade" para o Canadá, acrescenta.

    Uma pesquisa publicada em março de 2025 pela revista Nature indicava que 75% dos cientistas americanos cogitavam deixar seu país.

    E, segundo Phillip Zamore, cada vez mais estudantes internacionais estão escolhendo outros destinos.

    "Agora é muito mais atrativo para os estudantes realizar seus estudos no Canadá do que nos Estados Unidos", afirma.

    Segundo Zamore, ele não recebeu nenhuma candidatura nas últimas semanas para pós-doutorado em seu departamento na Universidade de Massachusetts, quando antes recebia entre uma a duas por semana.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2026/09/canada-atrai-cientistas-que-querem-deixar-ciencia-dos-eua-sob-trump.shtml.

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    Placa “A NOAA salva vidas” em um corredor da Universidade do Colorado em Boulder, na cidade de Boulder, Colorado, EUA. Os cortes orçamentários e as demissões promovidos pelo governo Trump em órgãos federais como a Administração Nacional Oce — Foto: Folha de S.Paulo

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