Campanhas apostam na crise do STF, mas eleitor pouco muda de voto
Uma imagem composta mostra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda), reagindo durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília (Brasil), em 4 de setembro de 2026, e o candidato à presidência e senador brasileiro Flávio Bolsonaro (à direita) participando de um evento de campanha para a eleição presidencial de 2026, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (Brasil), em 16 de agosto de 2026. REUTERS/Adriano Machado e Pilar Olivares " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/2026-09-08T153031Z_609678555_RC23FNAS1I0A_RTRMADP_3_BRAZIL-E

Uma imagem composta mostra o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à esquerda), reagindo durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília (Brasil), em 4 de setembro de 2026, e o candidato à presidência e senador brasileiro Flávio Bolsonaro (à direita) participando de um evento de campanha para a eleição presidencial de 2026, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (Brasil), em 16 de agosto de 2026. REUTERS/Adriano Machado e Pilar Olivares
A nova pesquisa Datafolha sugere que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) teve, até agora, menos efeito eleitoral do que as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) poderiam esperar.
O levantamento, realizado entre 8 e 10 de setembro, coincidiu com a escalada do conflito no STF em torno das investigações sobre o Banco Master, Daniel Vorcaro e a atuação dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Mesmo assim, a disputa presidencial pouco se moveu. Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 35% de Flávio . No segundo turno, o placar permanece em 46% a 44%, exatamente como na rodada anterior.
A estabilidade ganha peso porque a pesquisa também perguntou diretamente sobre os episódios que alimentaram a crise. Entre os entrevistados, 85% disseram que as mensagens entre Moraes e Vorcaro não mudaram nem devem mudar seu voto para presidente . Outros 7% afirmaram que ficaram em dúvida, mas mantiveram a escolha. Apenas 4% declararam ter trocado de candidato.
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O efeito do conflito envolvendo Mendonça foi ainda menor. Após serem questionados sobre o pedido de Moraes para investigar o ministro, 86% disseram que o episódio não alterou seu voto e 2% afirmaram ter mudado de candidato.
Os números colocam em perspectiva a importância que a crise ganhou nas estratégias políticas. Aliados de Flávio passaram a explorar o desgaste de Moraes e do Supremo, enquanto governistas e setores da esquerda concentraram críticas na atuação de Mendonça e na defesa institucional da Corte.
Até este momento, porém, o Datafolha não mostra que nenhuma dessas narrativas tenha produzido uma mudança relevante na corrida presidencial.

Para Flávio, o resultado interrompe a expectativa de que o desgaste institucional pudesse ampliar o avanço registrado nas últimas pesquisas. Para Lula, a estabilidade evita uma deterioração no momento em que o STF ocupa o centro do debate político.
A pesquisa também indica que o eleitor separa críticas à atuação de ministros do papel institucional da Corte. Segundo o Datafolha, 71% concordam que o STF é essencial para proteger a democracia no Brasil.
Ainda há uma limitação importante. A coleta terminou no dia 10 e não captou integralmente a repercussão dos desdobramentos mais recentes do caso Dark Horse, que voltou a aproximar as investigações sobre o Banco Master do entorno político de Flávio.

Os próximos levantamentos poderão mostrar se esse novo capítulo produz algum efeito. Por enquanto, o Datafolha aponta que a crise mobilizou o sistema político em intensidade maior do que alterou a decisão de voto.
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Foto: InfoMoney
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