Campanha de Lula rejeita ‘limpa’ em cargos do Centrão
Camilo Santana diz que governo mantém relação com partidos para garantir governabilidade

Camilo Santana diz que governo mantém relação com partidos para garantir governabilidade
O coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Camilo Santana, rejeitou neste sábado (10.out.2026) a possibilidade de o governo exonerar ocupantes de cargos indicados pelo União Brasil, pelo PP (Progressistas) e pelo Republicanos. As 3 siglas, junto com o Podemos, declararam apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no 2º turno.
Questionado sobre a possibilidade de cortes nos cargos vinculados às siglas, Santana afirmou que o governo não costuma agir dessa forma e mantém relações com os partidos para assegurar a governabilidade. “O importante agora é a eleição, é conquistar voto”, declarou a jornalistas no QG da campanha, no Lago Sul, em Brasília.

Como mostrou o Poder360 , a campanha de Lula decidiu buscar apoio de dissidentes do Centrão depois que as cúpulas do PP, do União Brasil e do Republicanos declararam apoio a Flávio. A estratégia é dialogar com governadores, prefeitos e congressistas dessas siglas que apoiam o petista ou pretendem ficar neutros no 2º turno.
Santana citou como exemplos neste sábado o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro (PP). “Por mais que tenha havido essa declaração dos partidos, e oficialmente já foi a candidatura do nosso adversário, muitos integrantes desses partidos apoiam [Lula]” , afirmou.
Santana disse que a campanha deve concentrar esforços em apresentar as diferenças entre os projetos dos 2 candidatos. Lula e Flávio disputam o 2º turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

A posição contraria o ministro José Guimarães (Relações Institucionais), que defende exonerar os indicados dessas siglas.
Guimarães disse ao jornal O Globo , em entrevista publicada na 6ª feira (9.out), que fazia um levantamento dos cargos ocupados por indicados dessas siglas e defenderia a exoneração deles. “Quem está com Lula tem que estar com Lula” , afirmou.
O levantamento é conduzido pela SRI (Secretaria de Relações Institucionais), pasta comandada por Guimarães desde que Gleisi Hoffmann (PT-PR) deixou o cargo, em abril. A secretaria centraliza as indicações de partidos e integrantes do Congresso para cargos federais.

O movimento não é inédito. Em 2025, durante a gestão de Gleisi, o governo demitiu indicados de deputados que votaram contra a MP que compensava a isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000. Na época, a SRI planejava chamar lideranças do Congresso para redistribuir as vagas entre aliados.
A declaração foi dada durante uma entrevista a jornalistas em que integrantes da campanha também denunciaram problemas nas plataformas da Meta , empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Eden Valadares, afirmou que a campanha acionará o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e apresentará uma denúncia à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados).
Publicado originalmente por Poder360. Leia a matéria completa em https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/campanha-de-lula-rejeita-limpa-em-cargos-do-centrao/.

O então ministro Camilo Santana durante agenda política. Integrante da articulação do governo Lula, ele participa das discussões sobre a campanha presidencial — Foto: Poder360
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