Campanha de Lula no 1º turno passou por crises e teve pacote de bondades
Ao longo da campanha, presidente Lula apostou em medidas populistas e explorou ataques a Flávio para reduzir desgastes com crises

Neste domingo (4/10), o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra a primeira etapa de sua última campanha à Presidência da República.
Ao longo de 49 dias, o presidente enfrentou uma disputa marcada pela polarização entre petismo e bolsonarismo, por crises que atingiram o governo e por uma corrida acirrada com o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) .
Desde o início da campanha, as duas principais candidaturas buscaram transferir ao adversário os desgastes acumulados ao longo da corrida eleitoral . Lula explorou a ligação e as semelhanças de Flávio com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) , além do histórico e das polêmicas envolvendo o senador.

O petista também buscou reforçar as suspeitas que envolvem o senador e a relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.
Do lado petista, crises internas marcaram a campanha. As investigações sobre as relações do filho do presidente, o empresário Fábio Luis Lula da Silva, conhecido Lulinha, e do ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, com a lobista Roberta Luchsinger passaram a ser exploradas pelos adversários.
Lulinha e Marcola aparecem em investigações sobre suposto tráfico de influência, e o filho primogênito do presidente é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Lulinha é apontado como sócio oculto de Luchsinger e, supostamente, utilizava a condição de filho de Lula para fechar contratos com o governo federal em benefício de clientes.

Além disso, o conflito entre ministros do STF no âmbito do Caso Master arrastou o governo para a crise e trouxe ruídos para a campanha de reeleição. Flávio passou a explorar principalmente a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e transformou o magistrado em personagem recorrente dos ataques dirigidos ao presidente.
A campanha do PL tentou colar no eleitor uma associação de Moraes a Lula por sua atuação em processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma trama golpista que visava mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.
Com a crise envolvendo o STF e levantamentos que chegaram a apontar Flávio na liderança, cresceu nos bastidores a insatisfação de aliados de Lula com a condução da campanha. Na reta final, o presidente mudou o tom e passou a confrontar diretamente o adversário.

Como reação, o presidente também recorreu a uma série de medidas de impacto direto no bolso da população e na popularidade da gestão.
O governo lançou duas novas etapas do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas, adotou medidas para conter a alta dos combustíveis em decorrência da guerra no Oriente Médio, criou uma linha de financiamento de carros novos para motoristas de aplicativo e acabou com a tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas” .
As cartadas finais do titular do Planalto foram adotadas já na reta final do 1º turno. A primeira delas foi o reajuste de 15,04% do Bolsa Família , principal marca social das gestões petistas e criado ainda no primeiro mandato de Lula, em 2003. A medida elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691.

Em seguida, o chefe do Executivo anunciou que canetas emagrecedoras serão oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com obesidade que tenham indicação médica para o tratamento. A implementação, porém, ainda depende da definição de protocolo clínico e de critérios para a incorporação dos medicamentos.
A última “canetada” de Lula ocorreu nove dias antes das eleições: a assinatura da medida provisória (MP) que acaba com as apostas esportivas on-line , as bets. A MP entrou em vigor em 25 de setembro e proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de bets no Brasil.
Segundo o calendário estabelecido no texto, sites e aplicativos de apostas devem sair do ar em 6 de outubro. A medida foi contestada por entidades representativas do setor em uma ação no STF.

As viagens do candidato à reeleição pelo país focaram duas regiões principais: Sudeste, que concentra os maiores colégios eleitorais, e Nordeste, tradicional reduto petista.
Desde a largada da corrida, o participou de quatro atos de campanha no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, e cinco, em São Paulo . Juntos, os estados reúnem 41,78% do eleitorado nacional e são considerados estratégicos para o resultado do pleito nacional. Nesse sentido, Lula escolheu São Paulo para abrir e fechar o primeiro turno de sua última disputa à presidência.
O lançamento da campanha ocorreu em São Bernardo do Campo, berço político do petista, que foi palco das greves de metalúrgicos nos anos 1970 e 1980. Já o último ato foi realizado na Avenida Paulista, nesse sábado (3/10), véspera do pleito.

Veja no mapa para onde Lula viajou nesta campanha:
No Nordeste, Lula percorreu seis dos nove estados da região, com prioridade para locais onde petistas concorrem à reeleição. É o caso da Bahia e Ceará, que receberam duas visitas do presidente ao longo do primeiro turno. Em ambos os estados, governados por quadros do PT, as pesquisas mostram uma disputa acirrada, que ameaça a hegemonia do partido.
O presidente também viajou ao Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas e Pernambuco. Maranhão, Paraíba e Sergipe, por sua vez, não receberam visitas do petista na primeira fase do pleito.

Na região Sul, o petista teve uma passagem pelos três estados. Centro-Oeste e Norte ficaram escanteados, com apenas uma visita, cada: Distrito Federal e Pará, respectivamente.
Confira quais foram os compromissos de Lula na campanha:
Evento do presidente Lula em Ceilândia (DF)

Ato do Comitê em apoio à candidatura do presidente Lula contou com presença de Janja e candidato ao governo do DF Leandro Grass
Lula e Jerônimo Rodrigues durante ato em Salvador (BA)
Presidente Lula durante ato de campanha em Juazeiro do Norte (CE)

Com maior tempo de TV e rádio entre os presidenciáveis, Lula aproveitou o espaço para tratar de propostas para um eventual quarto mandato e explorar ataques ao principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro.
Entre os temas veiculados na TV estão o combate à violência contra a mulher, a exploração de terras raras e a proibição das bets no Brasil. A campanha levou à rede nacional depoimentos de pessoas que tiveram a vida impactada pelas apostas e culpou governos anteriores pela disseminação dos jogos.
A crítica a Flávio também foi tema recorrente dos programas eleitorais de Lula. Ele abordou supostas conexões do senador com a milícia do Rio de Janeiro e com políticos investigados por envolvimento com o crime organizado.
O último conteúdo, que foi ao ar na quinta que antecedeu o primeiro turno, a campanha explorou a polêmica com Nossa Senhora Aparecida. A poucos dias do primeiro turno, circulou nas redes sociais a desinformação de que o senador retiraria o título de Padroeira do Brasil da santa, se eleito.
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Publicado originalmente por Metrópoles. Leia a matéria completa em https://www.metropoles.com/brasil/campanha-de-lula-no-1o-turno-passou-por-crises-e-teve-pacote-de-bondades.

KEBEC NOGUEIRA /METRÓPOLES @kebecfotografo — Foto: Metrópoles
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