Campanha de 2026 desvaloriza debates, marqueteiros e candidaturas presidenciais; veja vídeo
A campanha de 2026 ainda está começando, mas já deu para perceber algumas mudanças importantes no modo como os candidatos se apresentam ao eleitor. Leia mais (08/28/2026 - 12h07)

Editado por Fábio Zanini, espaço traz notícias e bastidores da política. Com Carlos Petrocilo e Gabriela Echenique
Contextualiza um acontecimento e aprofunda a compreensão de seus diversos ângulos
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A campanha de 2026 ainda está começando, mas já deu para perceber algumas mudanças importantes no modo como os candidatos se apresentam ao eleitor.

Os debates, por exemplo, que sempre foram um ponto alto de qualquer eleição , tiveram uma certa desvalorização.
O tradicional evento da Band, que há décadas abre o calendário eleitoral, dessa vez foi um grande mico, mais lembrado pelas fraldas levadas por Renan Santos e pela soneca de Gilberto Kassab na plateia.
O fato é que os candidatos estão hoje preferindo sabatinas e entrevistas. E principalmente os podcasts e videocasts, que são ambientes mais controlados e que acabam virando um grande bate-papo, onde raramente são contestados.

Outro símbolo de campanhas passadas que perdeu muita força são os marqueteiros , aqueles profissionais superpoderosos que às vezes eram mais conhecidos até que os candidatos.
Tivemos vários exemplos nas últimas décadas, como Duda Mendonça, Nizan Guanaes, João Santana e outros. Eles palpitavam em tudo, até mesmo nas questões políticas e programáticas, que não eram diretamente da sua alçada.
Esse pessoal hoje enfrenta a concorrência dos especialistas em comunicação digital, que em alguns casos até acabaram assumindo o comando geral da campanha. Em muitas situações, o que viraliza são vídeos ou posts espontâneos, feitos por colaboradores, mais até que os tradicionais programas de TV e rádio.
Nas últimas semanas, muitos marqueteiros foram demitidos ou trocados em algumas das principais campanhas, como as de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. A de Renan Santos, nem marqueteiro tem. Isso mostra que o prestígio deles já foi bem maior.
Por fim, e talvez mais importante, o próprio papel das candidaturas presidenciais está em xeque.
O poder da caneta do presidente diminuiu muito nos últimos anos, e isso coincidiu com o aumento da força do Congresso Nacional. Deputados e senadores hoje controlam uma fatia grande do orçamento, usando suas emendas parlamentares.
Também são os deputados que definem o tamanho do fundo eleitoral e o cumprimento da cláusula de barreira.
Como resultado, muitos partidos desistiram de lançar candidatos a presidente e se mantêm neutros, investindo apenas nas disputas para Câmara e Senado.
Esta é a eleição com o menor número de partidos importantes envolvidos em coligações presidenciais da história recente.
Estas mudanças todas parecem ser um caminho sem volta. De uma certa forma, as eleições de 2026 tendem a ser uma ruptura com o que a gente estava acostumado a ver na nossa democracia.
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Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painel/2026/08/campanha-de-2026-desvaloriza-debates-marqueteiros-e-candidaturas-presidenciais-veja-video.shtml.

Debate com os candidatos à Presidência — Foto: Folha de S.Paulo
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