Câmara aprova fim da “taxa das blusinhas”; veja como ficam as compras internacionais
Texto aprovado pelos deputados segue agora para o Senado. A medida precisa ser analisada pelos senadores até 8 de setembro para não perder a validade O post Câmara aprova fim da “taxa das blusinhas”; veja como ficam as compras internacionais apareceu primeiro em Olhar Digital .

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (3), a medida provisória (MP) que acaba com a chamada “ taxa das blusinhas ”, cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50 (cerca de R$ 260).
O texto aprovado pelos deputados segue agora para o Senado . A medida precisa ser analisada pelos senadores até 8 de setembro para não perder a validade.
A MP 1.357/2026 foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio e autoriza o Ministério da Fazenda a zerar a alíquota do Imposto de Importação para remessas internacionais de até US$ 50 destinadas a pessoas físicas. A proposta altera as regras de tributação simplificada das remessas postais internacionais.

Na prática, a aprovação mantém a isenção que já está em vigor desde a edição da medida provisória, mas transforma a regra em uma política permanente caso o texto seja aprovado também pelo Senado.
Durante a tramitação no Congresso, o texto recebeu alterações que ampliaram o alcance da medida.
Uma delas estabelece a isenção do Imposto de Importação para medicamentos destinados ao tratamento de doenças raras que não tenham similar nacional . A mudança foi incluída no relatório aprovado pela comissão mista antes da votação no Plenário da Câmara.

O relatório também determina que os efeitos da política de tributação sejam avaliados periodicamente. A intenção é acompanhar o impacto da isenção sobre o comércio, o mercado consumidor e os setores produtivos brasileiros.
O fim da cobrança enfrenta resistência de entidades representantes da indústria e do varejo brasileiros. Os setores argumentam que a tributação das compras internacionais ajuda a reduzir uma diferença de competitividade entre empresas brasileiras e plataformas estrangeiras, que conseguem oferecer produtos a preços mais baixos.
Entidades do setor produtivo também defendem que a manutenção da cobrança é necessária para evitar uma concorrência considerada desleal.

Segundo dados apresentados por representantes da indústria, a criação da “taxa das blusinhas” teria contribuído para a geração de mais de 1,4 milhão de empregos até 2025 .
A argumentação é contestada por defensores do fim da taxa, que afirmam que a cobrança encarece as compras para os consumidores e prejudica especialmente quem utiliza plataformas internacionais em busca de preços menores.
Uma pesquisa citada durante as discussões no Congresso apontou que 92% dos brasileiros apoiam o fim da taxa das blusinhas , considerando a cobrança injusta e onerosa para o consumidor.

Durante a tramitação da MP, também foram apresentadas propostas para criar mecanismos de compensação à indústria nacional diante da redução da tributação sobre produtos importados.
A relatora da medida, senadora Leila Barros (PDT/DF), rejeitou propostas de benefícios fiscais para empresas brasileiras e também não aceitou medidas de auxílio destinadas à preservação de empregos no setor produtivo.
Outra proposta rejeitada previa dar aos Correios exclusividade no transporte de determinadas remessas internacionais.
O relatório, por outro lado, prevê mecanismos de rastreabilidade para as plataformas internacionais, com o objetivo de combater práticas, como o subfaturamento das mercadorias.
A aprovação pela Câmara ocorreu poucos dias antes do prazo final para a tramitação da MP.
A medida provisória perde a validade em 8 de setembro caso não seja aprovada pelo Congresso. Como a Câmara concluiu a votação nesta quinta-feira, o Senado terá apenas alguns dias para analisar o texto.
A votação acontece em meio a uma articulação entre o governo federal e as presidências da Câmara e do Senado para destravar pautas consideradas prioritárias antes do período eleitoral.
Caso o Senado aprove o texto sem novas alterações, a medida seguirá para as próximas etapas previstas na tramitação. Se houver mudanças, a proposta terá de voltar para análise da Câmara.
A isenção de até US$ 50, portanto, continua valendo neste momento por força da própria medida provisória. O que está em jogo agora é a continuidade da regra após o prazo de validade da MP.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Publicado originalmente por Olhar Digital. Leia a matéria completa em https://olhardigital.com.br/2026/09/03/pro/camara-aprova-fim-da-taxa-das-blusinhas-veja-como-ficam-as-compras-internacionais/.

Senado tem até o dia 8 para aprovar o projeto – Imagem: Alexandre Siqueira/Shutterstock — Foto: Olhar Digital
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