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    Calor recorde dos oceanos ameaça a economia do planeta

    Os oceanos registram recordes de temperatura que preocupam os cientistas, que agora alertam para suas consequências catastróficas não só para o meio ambiente , mas também para a economia em vários pontos do planeta. Leia mais (09/13/2026 - 12h00)

    Folha de S.Paulo
    13 de setembro de 2026 às 15:00
    Calor recorde dos oceanos ameaça a economia do planeta
    Vista dividida entre superfície e submerso mostra recife de corais branqueados sob água clara, com ilha verde e colinas ao fundo sob céu nublado. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Os oceanos registram recordes de temperatura que preocupam os cientistas, que agora alertam para suas consequências catastróficas não só para o meio ambiente , mas também para a economia em vários pontos do planeta.

    Corais branqueados e mortos na grande barreira de coral, na Austrália - David Gray - 5.abr.24/AFP · David Gray - 5.abr.24/AFP
    Corais branqueados e mortos na grande barreira de coral, na Austrália - David Gray - 5.abr.24/AFP · David Gray - 5.abr.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O calor prolongado nos oceanos não é apenas um problema ambiental", afirmou Tom Pickerell, especialista em biologia marinha e diretor do programa de oceanos do WRI (World Resources Institute), durante uma apresentação à imprensa.

    Menos sardinhas para os pescadores marroquinos, turistas que desistem de visitar recifes de coral degradados e reatores nucleares parados devido à proliferação de águas-vivas, como aconteceu recentemente na França , são algumas das consequências visíveis do fenômeno.

    "Um oceano mais quente altera a pesca e o abastecimento de alimentos, danifica os recifes e as praias que sustentam o turismo, coloca sob pressão as infraestruturas energéticas e alimenta fenômenos meteorológicos extremos que afetam as comunidades costeiras e as empresas", destacou Pickerell.

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Para o biólogo, a situação "deveria preocupar todos os ministros das Finanças" do mundo. A questão será um dos principais temas da próxima reunião de cúpula do clima organizada pela ONU, a COP31, em novembro, em Antália , sob a presidência conjunta da Turquia e da Austrália .

    O calor atingiu níveis nunca registrados em agosto em escala planetária. A temperatura média dos oceanos, sem considerar as regiões polares, foi de 21,07 °C durante o mês, igualando o recorde alcançado em março de 2024, informou nesta quinta-feira (10) o observatório europeu Copernicus.

    Além disso, o verão de 2026 no hemisfério norte, entre junho e agosto, foi o mais quente desde 1993, segundo o Copernicus Marine Service, devido em particular ao fenômeno natural El Niño, cujo episódio atual se perfila como especialmente intenso e se soma ao aquecimento global provocado pela atividade humana.

     Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira
    Programar investimentos é estratégia psicológica e traz mais disciplina financeira — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    "O motor do calor recorde é a mudança climática; é a tendência de longo prazo", observou Zachary Labe, climatologista do centro de pesquisa Climate Central. Segundo o cientista, os oceanos acabaram de enfrentar uma série de "100 dias de calor recorde" para esta época do ano.

    A estimativa é baseada em dados, alguns ainda preliminares, sobre a temperatura da superfície dos oceanos, compilados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).

    "Acredito que continuaremos falando de temperaturas recordes, tanto na atmosfera como nos oceanos, pelo menos até 2027", acrescentou.

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    O aquecimento dos oceanos tem muitas consequências.

    Em primeiro lugar, provoca uma expansão térmica da água e, portanto, um aumento do nível do mar , o que ameaça nações insulares especialmente vulneráveis no Pacífico e no Índico.

    Também intensifica as ondas de calor que fragilizam os corais, fundamentais para o ecossistema marinho, já que absorvem carbono; reduz a abundância de peixes em algumas áreas, com o consequente prejuízo para os pescadores. E agrava fenômenos meteorológicos extremos, como chuvas torrenciais e ciclones.

    "As ondas de calor marítimas podem levar ao fechamento de áreas de pesca devido a doenças, mortalidade de espécies ou simplesmente porque os peixes se deslocam para regiões mais frias do oceano. Isso pode custar milhões ou até bilhões de dólares às comunidades afetadas, além de ter consequências nos preços dos alimentos", explicou Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha.

    Pickerell citou como exemplo a diminuição das populações de sardinha em águas marroquinas mais quentes. "Isso provocou a proibição das exportações e escassez no mercado europeu", afirmou.

    Para os cientistas, há poucas soluções imediatas além de acelerar as políticas de combate às mudanças climáticas.

    "Em terra, sempre podemos instalar ar-condicionado para nos refrescar. Mas a adaptação dos oceanos e da vida marinha não é tão simples e continua sendo muito limitada", lembrou Claire Bergin, pesquisadora da Universidade de Maynooth, na Irlanda.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/09/calor-recorde-dos-oceanos-ameaca-a-economia-do-planeta.shtml.

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    Corais branqueados e mortos na grande barreira de coral, na Austrália - David Gray - 5.abr.24/AFP · David Gray - 5.abr.24/AFP — Foto: Folha de S.Paulo

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