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    Calor excessivo torna mares mais salgados, e oceano global, mais ácido

    Ondas de calor e o derretimento do gelo estão provocando "mudanças profundas" no oceano global em consequência da mudança climática . A conclusão é de mais de 120 cientistas em um relatório publicado na quarta-feira (30). Entre os efeitos estão o aumento da salinidade dos mares já salgados e a acidificação do oceano. Leia mais (10/01/2026 - 05h00)

    Folha de S.Paulo
    1 de outubro de 2026 às 08:00
    Calor excessivo torna mares mais salgados, e oceano global, mais ácido
    Estrelas-do-mar de cores claras e tons rosados e esverdeados repousam sobre corais branqueados em fundo azul do oceano. — Foto: Folha de S.Paulo

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    Ondas de calor e o derretimento do gelo estão provocando "mudanças profundas" no oceano global em consequência da mudança climática . A conclusão é de mais de 120 cientistas em um relatório publicado na quarta-feira (30). Entre os efeitos estão o aumento da salinidade dos mares já salgados e a acidificação do oceano.

    Recife branqueado em Koh Mak, Tailândia; corais sofrem duplamente com aquecimento global: calor excessivo causa branqueamento e acidificação fragiliza suas estruturas - Napat Wesshasartar - 8.mai.24/Reuters · Napat Wesshasartar - 8.mai.24/R
    Recife branqueado em Koh Mak, Tailândia; corais sofrem duplamente com aquecimento global: calor excessivo causa branqueamento e acidificação fragiliza suas estruturas - Napat Wesshasartar - 8.mai.24/Reuters · Napat Wesshasartar - 8.mai.24/R — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    O oceano absorveu cerca de 90% do excesso de calor retido no planeta em decorrência das emissões de gases de efeito estufa causadas pela atividade humana. Somente em 2025, estima-se que tenha acumulado 23 zetajoules de calor —cerca de 40 vezes a energia consumida pelo mundo inteiro no ano passado.

    Entre as consequências drásticas desse fenômeno está a aceleração da elevação do nível do mar observada desde 2012, informou o Mercator Ocean International, serviço marinho da União Europeia, no relatório que reúne o trabalho de cientistas de diversos países.

    "O aquecimento, a elevação do nível do mar e a degradação dos ecossistemas são sinais interligados de mudanças significativas e duradouras", afirmou Pierre Bahurel, diretor-geral da entidade. "O oceano está mudando rapidamente."

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    Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    A pesquisa destacou ondas de calor recordes que, em alguns casos, duraram mais de 30 dias. Nos mares Mediterrâneo e Negro as temperaturas chegaram a ficar mais de 4,6°C acima da média em 2024.

    "[O estudo mostrou] a dimensão e a urgência dos desafios enfrentados pelo nosso oceano, à medida que as mudanças climáticas transformam os ecossistemas marinhos e a circulação oceânica", afirmou Andrius Kubilius, comissário da União Europeia para Defesa e Espaço.

    A pesquisa do Mercator estimou que o nível médio do mar subiu cerca de 3,8 mm por ano entre 1999 e 2025, mas esse número chegou a 4,2 mm no período de 2012 a 2025.

    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga
    Mudanças climáticas poderão levar à predominância de espécies generalistas e não lenhosas nas comunidades de plantas da Caatinga — Foto: Folha de S.Paulo · Fonte: Folha de S.Paulo

    Segundo o estudo, os efeitos das marés de tempestade e dos episódios de ondas extremas devem se intensificar devido à aceleração da elevação do nível do mar.

    Nos pequenos Estados insulares, que estão entre os mais expostos às mudanças climáticas , cerca de dois terços de suas zonas econômicas foram afetadas pela elevação do nível do mar desde 1999, constataram os cientistas.

    O oceano também ficou cerca de 17% mais ácido entre 1985 e 2025, devido à absorção do dióxido de carbono.

    As áreas salgadas vêm ficando ainda mais salgadas nos últimos anos, afirmou Ana Claudia Parracho, uma das autoras. As conclusões abrangem o período desde 2011 e resultam da comparação entre dados de satélite antes indisponíveis e tendências de longo prazo.

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    As temperaturas da água do mar e da superfície do gelo marinho aumentaram cerca de 4,2°C no Ártico nas últimas quatro décadas, enquanto a extensão do gelo marinho diminuiu, em média, aproximadamente 4% por década. Em comparação, estima-se que a temperatura do ar na região tenha subido cerca de 2,8°C no mesmo período.

    Em todas as áreas do Ártico onde há gelo marinho sazonal, houve redução desde o início da década de 1980. As perdas mais acentuadas ocorreram na baía de Hudson, no Canadá, onde a queda foi de 16% por década; no mar de Barents, ao norte da Noruega, com perda equivalente a 12%; e na plataforma continental da Groenlândia Oriental, com 8%.

    Na Antártida, a redução da extensão do gelo marinho já estava afetando as populações de pinguins e remodelando a biodiversidade da região, disseram os cientistas.

    O relatório foi divulgado durante um episódio de El Niño que já está batendo recordes, segundo alguns indicadores, e deve atingir o pico até o fim do ano . Esse ciclo natural de aquecimento eleva ainda mais as temperaturas do mar, somando-se ao aquecimento já provocado pelas mudanças climáticas.

    Karina von Schuckmann, diretora do Relatório Copernicus sobre o Estado do Oceano, afirmou que temperaturas marítimas recordes foram registradas em 2023 e 2024, durante o ciclo anterior do El Niño, e que a expectativa é que 2026 supere esses recordes.

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    Publicado originalmente por Folha de S.Paulo. Leia a matéria completa em https://redir.folha.com.br/redir/online/emcimadahora/rss091/*https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2026/10/calor-excessivo-torna-mares-mais-salgados-e-oceano-global-mais-acido.shtml.

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    Recife branqueado em Koh Mak, Tailândia; corais sofrem duplamente com aquecimento global: calor excessivo causa branqueamento e acidificação fragiliza suas estruturas - Napat Wesshasartar - 8.mai.24/Reuters · Napat Wesshasartar - 8.mai.24/R — Foto: Folha de S.Paulo

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